A vida interior de uma alma cristã

Santa Gemma Galgani

A vida interior de uma alma cristã
A vida interior consiste em duas sortes de atos: nos pensamentos e nas afeições. É sobretudo nisso que as almas perfeitas diferem das imperfeitas, e os bem-aventurados dos que vivem ainda sobre a Terra.
Nossos pensamentos diz S. Bernardo devem estar na investigação da verdade, e nossas afeições no fervor da caridade. Desta maneira, o espírito e o coração estando aplicados a Deus e possuídos de Deus, no meio até das ocupações exteriores, não se perde Deus de vista e se está sempre no exercício de seu amor.

Os bons e os maus religiosos diferem sobretudo pela qualidade de seus pensamentos, de seus juízos e de suas afeições. É também nisso que consiste a diferença entre os anjos e os demônios, e o que faz que uns sejam santos e bem-aventurados e os outros maus e infelizes.

A essência da vida espiritual e interior consiste em duas coisas: de um lado, as operações de Deus na alma, suas luzes e suas inspirações; de outro, a cooperação da alma com os movimentos da graça.

Uma das ocupações da vida interior é observar e reconhecer:

1) O que vem de nosso íntimo: nossos pecados, nossos maus hábitos, nossas paixões, nossas inclinações, nossas afeições, nossos desejos, nossos pensamentos, nossos juízos, nossos sentimentos;

2) O que vem do demônio: suas tentações, suas sugestões, seus artifícios, suas ilusões, pelas quais procura nos seduzir;

3) O que vem de Deus: suas luzes, suas inspirações, os movimentos da graça, seus desígnios a nosso respeito e os caminhos por onde quer nos conduzir.

É preciso ainda observar cuidadosamente a que o Espírito Santo nos conduz. No começo das nossas ações, peçamos a graça de bem fazê-las, e notemos até os menores movimentos de nosso coração.

Não devemos empregar todo o nosso tempo de recolhimento à oração e à leitura. É preciso empregar uma parte em examinar a disposição de nosso coração, em reconhecer o que nele se passa; em discernir o que é de Deus, o que é da natureza, o que é do demônio; em nos conformarmos com a conduta do Espírito Santo, e firmar-nos na determinação de tudo fazer e sofrer por Deus.

Devemos ter então, interiormente e por nós mesmos, uma vida muito perfeita por uma contínua aplicação do nosso entendimento e da nossa vontade a Deus, pois poderemos sair para serviço do próximo sem prejuízo de nossa vida interior, sem nos darmos inteiramente aos outros.

Sede um reservatório, e não um canal diz S. Bernardo ao Papa Eugênio. Os operários evangélicos que não atentam nisto têm um justo motivo de temer que, em lugar de serem levados ao Céu, segundo a excelência de sua vocação, venham a ser do número daqueles que serão mais longo tempo detidos no Purgatório, e que serão colocados nas últimas ordens da glória.
(Pe. Léon Dehon, S.C.J., “A Vida Interior” – Editora S.C.J., Taubaté, 1946)
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