Santa Teresa dos Andes – iluminou com suas extraordinárias virtudes e fenômenos místicos o firmamento da Igreja

Santa Teresa dos Andes
Jovem chilena de família aristocrática, que se tornou religiosa carmelita, iluminou com suas extraordinárias virtudes e fenômenos místicos o firmamento da Igreja há sete décadas
Por Lúcio Mendes

Joana Fernandes Solar, que mais tarde seria Santa Teresa dos Andes, nasceu em Santiago, Chile, em l3 de julho de l900. Era a quarta filha de uma piedosa e aristocrática família.

Desde os três anos era incansável em fazer perguntas sobre assuntos religiosos: Deus, o céu, a Virgem Maria etc.

Um relato do Pe. Fernando Castel, que participou de missões na fazenda da família da Santa, resume bem a sua infância: “Por volta do ano l904 ou 1905, conheci a menina Joana Fernándes Solar, quando tinha mais ou menos quatro anos. Logo me chamou a atenção a precocidade do seu espírito, admirando eu como raciocinava sobre as coisas divinas e como manifestava, já nessa idade tão tenra, amor e culto para com elas. Confesso que então compreendi como pôde a Santíssima Virgem, aos quatro anos somente, consagrar-se a Deus no Templo”.(1)

Educada no Colégio do Sagrado Coração, preparou-se sucessivamente para a Confissão, Crisma e Primeira Comunhão.

A recepção da Sagrada Eucaristia marcou a fundo a vida de Juanita: “Não é possível descrever o que se passou em minha alma ao receber Jesus. Pedi-lhe mil vezes que me levasse, e ouvi sua voz querida pela primeira vez. Desde que fiz minha Primeira Comunhão, Nosso Senhor me falava depois de eu comungar“.(2)

A partir de então, é patente uma acentuada ânsia em buscar as coisas divinas e em praticar a caridade para com o próximo.

Devoção a Nossa Senhora

Todos os dias comungava e falava com Jesus longamente. Mas minha devoção especial era à Virgem; contava-lhe tudo“.(3)

Como fruto dessa devoção, de que já dava mostras desde a primeira infância, aos sete anos aprende a rezar o Rosário e promete rezá-lo todos os dias. Promessa que cumpriu fielmente até a morte.

No colégio se empenhou em difundir a devoção a Nossa Senhora, e se tornou religiosa na ordem especialmente dedicada à Santíssima Virgem.

Sua alegria e sua união à Mãe de Deus chegam ao auge poucos meses antes da morte, ao descobrir entre os livros do convento o Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem“, de São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande doutor marial.

Ler o Tratado e consagrar-se Àquela que tanto amava foi uma só coisa. Leva outra noviça a consagrar-se igualmente.

No colégio

Aos 15 anos passa a estudar como interna no mesmo colégio. O que parecia a Juanita uma coisa inaceitável – ser interna – torna-se ocasião de progressos espirituais acentuados, e, como diz ela, preparava-a para a grande separação da família, quando entrasse para o Carmelo.

A piedade e o zelo apostólico de Juanita chamam a atenção das alunas e mestras. Reza ou medita longamente na capela. Com despretensão e habilidade, procura ajudar as colegas, quer nas vias da virtude, quer nos estudos. Nos finais de semana, exerce essa ação especialmente junto às internas pobres, acolhidas gratuitamente no colégio.

Chega a formar um grupo de aproximadamente 15 moças das melhores famílias de Santiago, oito das quais vieram a ser religiosas.

Uma das religiosas do colégio, encarregada de velar pelo aprimoramento espiritual das alunas, logo percebeu que Juanita não era uma alma qualquer, e a auxilia. Por essa época, leu a vida de Santa Teresinha — falecida não fazia muito — e compreende que devia ser carmelita. Numa visão, Nosso Senhor lhe disse que a queria carmelita.

Pouco depois de entrar no internato, faz voto de virgindade: “Hoje, oito de dezembro de 1915, com a idade de quinze anos, faço voto diante da Santíssima Trindade, em presença da Virgem Maria e de todos os santos do Céu, de não admitir outro Esposo senão meu Senhor Jesus Cristo, a quem amo de todo coração e a quem quero servir até o último momento de minha vida“.(4)

Nas férias, missões

As férias ocupam um lugar à parte e não menos elevado: sua família possui uma das maiores fazendas do Chile, e durante as férias promove missões para as centenas de empregados. Há preparação para Primeira Comunhão, Crisma, realização de batizados, casamentos, etc.

Juanita participa ativamente, dando aulas de catecismo, cuidando da ornamentação da capela ou tocando o harmônio nas cerimônias. O número de sacerdotes nessas missões às vezes chega a quatro, tal era o número de pessoas para atender.

O bem-estar material dos colonos não é esquecido; a mãe de Juanita, muitas vezes acompanhada por ela, percorre as casas e anota providências a tomar. Com freqüência cuida pessoalmente dos doentes.

Passadas as missões, Juanita aproveita parte do dia para passear longamente a cavalo ou jogar tênis.

Uma coisa porém todos notavam: quer estivesse rezando na capela, quer dando aula de catecismo ou visitando os doentes, quer nas diversões, ela sempre tem a alma entretida com “algo”. Na leitura de seu diário vê-se claramente que, além das visões místicas freqüentes, Juanita se entretém continuamente com Nosso Senhor. E, às vezes, de modo extraordinário.

A esse propósito, escreve o Pe. Felix Henlé, que participara de uma missão na fazenda da família de Juanita: “Um dia entrei silenciosamente no oratório, sem suspeitar que ela estava lá. Mas, que vejo? A senhorita Joana elevada no ar, mais ou menos trinta centímetros, sem que seus joelhos nem seus braços se apoiassem no genuflexório, as mãos postas, adorando o Santíssimo“.(5)

No Carmelo

Em l918, deixou o colégio e passou a cuidar da casa, continuando a exercer seu apostolado com as colegas, e agora também com as primas e amigas.

Já firmemente resolvida a seguir a voz de Jesus, trocou correspondência com a Madre Superiora do Carmelo de Los Andes. Esta aconselhou-a a ler a vida de Santa Teresa de Ávila, pois não há fonte mais pura da vocação, por ser ela a reformadora do Carmelo feminino.

Conta seu irmão Lúcio, que havia ficado com dúvidas religiosas devido a más influências: “Na véspera de entrar no Carmelo, a família foi despedir-se dela na Igreja da Gratidão Nacional. Conversamos longamente e disse-lhe: `Levas tudo, e eu nem sequer tenho a Deus’. Ela me abraçou e se apoiou em meu ombro, dizendo-me: `Não sentes Deus quando estás comigo?“.(6)

Em maio de 1919, quando ingressa no Carmelo de Los Andes, é visível a sua alegria em meio aos prantos da família, que fora despedir-se dela: “Não imagina a felicidade de que desfruto. Encontrei, por fim, o céu na terra. Se é verdade que me separei dos meus com o coração desfeito, hoje gozo de uma paz inalterável“.(7)

Sua vida no Carmelo deixa uma lembrança que chama as demais religiosas à perfeição. A Priora sustenta junto a outras religiosas experientes e fervorosas que Irmã Teresa de Jesus — esse o seu nome em religião — “já era uma santa“.

Nos processos de beatificação e canonização, três dos principais confessores de Teresa de Jesus sustentaram sob juramento que ela jamais cometera pecado mortal nem venial deliberado. Seu confessor no Carmelo assevera que, no convento, ela jamais cometeu imperfeição deliberada.

Na Sexta-feira Santa de 1920, após o Ofício que relembra a morte do Divino Salvador, a Superiora percebeu que Irmã Teresa estava pálida e com dificuldade de seguir as cerimônias. Quando lhe apalpou a fronte, viu que estava ardendo de febre, e mandou-a recolher-se ao leito. Dele não se levantaria mais.

Nesse período, faz a profissão religiosa e recebe os últimos sacramentos.

Ao entardecer de 12 de abril de 1920, contando vinte anos incompletos e apenas 11 meses no Carmelo, fechou os olhos para esta vida, indo encontrar Aquele que pouco antes ela chamara “Meu Esposo”.

Longe dali, em Santiago, nesta mesma hora, a irmã Mercedes do Coração de Maria teve uma visão: “Subitamente (…) me encontrei na cela de uma carmelita moribunda; vi que era bem jovem e, apesar da palidez de seu rosto, tudo nela refletia uma luz suavíssima e celestial. Ao lado esquerdo da sua cama havia um anjo com um dardo que lhe traspassava o coração, e logo ouvi: morre de amor“.(8)

“Seria injúria rezar pelo sufrágio de sua alma”

Eu não duvido de que está muito elevada no Céu, e creria fazer-lhe injúria rezar pelo sufrágio de sua alma. Entretanto, isto sim, tenho rezado encomendando-me a ela todos os dias, como o farei sempre, pois estou persuadido de que tive a dita de conhecer uma santa viva“.(9) Assim se expressa, em carta de pêsames à mãe da carmelita, o Pe. Julián Cea, que a dirigiu espiritualmente durante anos.

A Superiora do Sagrado Coração escreve à mãe da Santa: “Felicito-a por ser mãe de um anjo do céu, de uma verdadeira santa que, diante do trono de Deus, será para a Sra. e para nós, advogada, protetora, força e consolo“.(10)

_________________
Notas:
1 – Madre Gabriela del Niño Jesus, Un lírio del Carmelo – Soror Teresa de Jesus“, Santiago, 1929, p. 28.
2 – Santa Teresa de los Andes, Diário y Cartas, Edições Carmelo Teresiano, Santiago, l993, p. 33.
3 – Idem, p. 33.
4 – Idem, p. 46.
5 – Ana Maria Risopatrón, Teresa de los Andes – Teresa de Chile, Santiago, 1988, p. 89.
6 – Pe Marino Purnoy, OCD, Teresa de los Andes vista por su hermano Lucho, Edições Carmelo Teresiano, Santiago, l990, p. 34.
7 – Ana Maria Risopatrón, idem, p. 261.
8 – Ana Maria Risopatrón, idem, p. 178 (transcrito do Processo de Beatificação).
9 – Un lírio…”, p. 470.
10 – Idem, p. 477.
Cadastre seu email para receber atualizações gratuitas deste blog

 

Uma resposta

  1. Felicitaciones por esta linda página y por gran conocimiento que tienes con respeto a Santa Teresa de los Andes.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: