Rita de Cássia, a santa dos impossíveis

Santa Rita de Cássia

Rita de Cássia, a santa dos impossíveis
O exemplo de sua vida mostra que, quando uma alma se assemelha a Nosso Senhor Jesus Cristo no sacrifício heróico, as multidões correm até ela, movidas por irresistível atração

Por Luís Carlos Azevedo
Nasceu Santa Rita (1377-1457) no povoado de Rocca Porena, região de Cássia, Província de Perúgia, nos Montes Apeninos, na Itália.

Aspirações contrariadas

Desde sua infância, Santa Rita anelava uma vida consagrada a Deus. O mosteiro das agostinianas em Cássia a atraía especialmente.

Porém, aos 18 anos de idade, seus pais a destinaram ao matrimônio.

Casaram-na com um tal Ferdinando, jovem violento e de mau gênio, de quem Rita teve gêmeos: Tiago Antonio e Paulo Maria.

O marido da Santa fez muitos inimigos na região, por causa de seu caráter impulsivo. Ao se sentir ofendido, procurava vingar-se. Quando não podia alcançar seus objetivos, desabava seu furor sobre a esposa.

Aos poucos, entretanto, Ferdinando começou a refletir e a admirar a incomparável paciência de Santa Rita e teve vergonha de si próprio. Quando sentia que lhe sobrevinha a cólera, saía de casa e só retomava após recobrar a calma.

Afinal, certo dia, ajoelhou-se diante da esposa e cobrindo suas mãos de ósculos e lágrimas, disse compungido: “Perdoa-me, Rita, fui indigno de ti, mas tudo terminou. Tua imensa bondade conquistou-me”.

A conversão do próprio marido foi o primeiro grande impossível obtido pela Santa.

Novas angústias

Toda a povoação, aliviada, percebeu a pacificação daquele desordeiro. Contudo, nem todos haviam esquecido as violentas rixas causadas por Ferdinando: houve quem quisesse agora vingar-se.

Assim, voltando uma noite de Cássia, ele foi impiedosamente assassinado por inimigos.

Os gêmeos possuíam a natureza orgulhosa e iracunda do pai e foram provavelmente excitados à vingança.

A Santa percebeu que ambos os filhos não mais a escutavam e que a voz do sangue os haveria de arrastar ao mal. E então pediu a Deus que os levasse inocentes, se fosse humanamente impossível evitar que se tomassem criminosos.

Não levou tempo, os garotos caíram doentes e morreram, com pequeno intervalo de tempo, um após o outro.

Havendo perdido pais, esposo e filhos, Santa Rita, aos 30 anos de idade, estava sem entraves para realizar a grande vocação que acalentara desde a infância: tomar-se Sponsa Christi.

Mais um impossível que se realiza…

Aparições dos protetores celestes

Sob motivos vários, as religiosas recusaram a admissão de Santa Rita que teve que esperar dez longos anos… tendo recorrido a preces, mortificações e boas obras.

Quando Deus a viu perfeitamente resignada, teve compaixão e uma noite em que rezava, ouviu uma voz: “Rita! Rita!”.

Ao abrir a porta deparou-se com três homens de venerável aspecto. Santa Rita logo os reconheceu: São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau de Tolentino, que se puseram a caminho.

Em êxtase, acompanhou-os e em instantes pararam diante da vetusta porta do convento de Santa Maria Madalena, em Cássia. Os três santos fizeram-na atravessar incólume as grossas paredes de pedra do mosteiro…

Ao alvorecer, as monjas desceram para se reunir na capela: estupefatas ali encontraram aquela viúva tão insistentemente recusada!

Com a maior simplicidade, Rita narrou-lhes o que sucedera e, diante deste inegável milagre, foi admitida no convento.

Mais um impossível realizado…

Os estigmas

Santa Rita sempre teve especial devoção em meditar sobre a Paixão de Nosso Senhor.

Em certa oportunidade veio pregar a Quaresma em Cássia São Tiago della Marca, íntimo amigo de São Bernardino de Siena e de São João Capistrano. (Que tempos aqueles… que abundância de santos!).

O sermão que fizera a respeito da Paixão foi particularmente eficaz na alma de Santa Rita. Prostrou-se diante de um Crucifixo e suplicou ardentemente que lhe fosse concedida a graça de participar de Suas dores em expiação pelos pecados do mundo.

Eis que um espinho, destacado da coroa do Crucificado, penetrou tão profundamente em sua fronte que a fez cair desmaiada e quase agonizante.

Enquanto estigmas de outros santos, como São Francisco de Assis tinham a cor do sangue puro e não eram repugnantes, o de Santa Rita converteu-se numa ferida repelente e fétida sobre a qual nenhum remédio fazia efeito. Desta maneira, ela se viu obrigada a permanecer, durante quinze anos, em cela afastada, onde recebia o estritamente necessário para viver.

Últimos anos de vida

O passar dos anos, as dores, os jejuns e as penitências, não tardaram a consumir as forças da Santa, que passou no leito os quatro últimos anos de sua existência.

Em pleno inverno, uma parenta veio visitá-la. Antes de partir, perguntou-lhe se desejava alguma coisa. ––Sim, respondeu a Santa –– queria que me trouxesse uma magnífica rosa que está no meu antigo jardim (em Rocca Porena). A parente pensou que Rita já delirasse, mas, concordou para não a entristecer.

E qual não foi sua surpresa quando, entrando no antigo jardim da Santa, viu resplandecente rosa no arbusto de folhagem contraída pela geada. Colheu-a e logo retomou ao convento. Santa Rita disse-lhe então: “Já que fostes tão amável em me trazer a rosa, queria que colhesse agora os figos frescos que estão na figueira do meu jardim…” Desta vez ela não duvidou e tendo encontrado os figos, levou-os à Santa dos impossíveis.

“Em três dias estarás comigo no Céu”

Num dos últimos dias de vida, eis que brilhante luz iluminou sua cela e Nosso Senhor e Nossa Senhora lhe apareceram. Santa Rita, arrebatada em êxtase, exclamou:

“Quando enfim, ó Jesus, poderei possuir-Vos para sempre? Quando poderei estar na Vossa presença?” “Em breve – respondeu o Redentor ––mas não ainda”. “Quando?” Replicou a Santa. “Em três dias estarás comigo no Céu”.

A 22 de maio de 1457 sua bela alma voava para o Paraíso celeste.

Apenas a Santa exalara o último suspiro, o sino do mosteiro, soou três vezes por mãos de anjos, pois ninguém os tocara, anunciando sua morte.

Tomadas de espanto todas monjas acorreram imediatamente à sua cela. Estavam decididas a suportar o repugnante odor do ferimento. Mas qual não foi a admiração geral quando perceberam que do corpo de Santa Rita se desprendia inefável perfume. A ferida encontrava-se inteiramente cicatrizada e sua face resplandecente apresentava sorriso indescritível.

A irmã Catarina Mancini, paralítica de um braço, ficou tão impressionada que quis abraçá-la, e o fez sem dificuldade, pois acabava de ser curada pela Santa…

O corpo foi logo transladado para um oratório público, a fim de ser venerado pelo povo de Cássia e arredores que acorreu em número e fervor crescentes.

Situação do corpo

Santa Rita, por singular privilégio, nunca foi sepultada, e até hoje não se consumou para ela a sentença que toca a todos os filhos de Adão: “Tu és pó e em pó te hás de tornar” …

Seu corpo incorrupto, revestido com o hábito monástico da ordem de Santo Agostinho, não se mumificou e nem enegreceu, mas está como o de uma pessoa que acaba de falecer. Mais ainda, a carne é branca, sem corrupção e toda a face muito bem disposta. Da mesma maneira estão alvas e intactas as mãos, com dedos e unhas.

Igualmente não se pode explicar o suave perfume que, de tempos em tempos, se exala de seu corpo.

O fato mais maravilhoso que sucede com o corpo da Santa é que, de vez em quando, ele se move. O que foi constatado repetidas vezes desde 1629 até 1899. Ora ela abre os olhos, ora volta a cabeça para o povo, move os pés, as mãos etc.

As graças concedidas por Deus pela intercessão de Santa Rita de Cássia, canonizada pelo Papa Leão XIII, em 1900, são inumeráveis e contínuas.

A Santa dos impossíveis obtém conversões estupendas e curas prodigiosas. Antes mesmo dos decretos da Igreja, Rita de Cássia foi canonizada pela voz do povo fiel!

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OBRAS DE REFERÊNCIA
L. de Marchi, Santa Rita de Cássia, Edições Paulinas, São Paulo, 1979, 15ª edição.
2. Agostinho Trapè, Santa Rita e sua mensagem, Paulinas, São Paulo, 1993.
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