Santo Antonio, glória e ornato da Ordem Franciscana

Santo Antonio

Santo Antonio, glória e ornato da Ordem Franciscana
Por ocasião das celebrações dos 800 anos do nascimento de Santo Antonio de Pádua, alguns traços da vida e obra daquele que é conhecido como “martelo dos hereges’, “Arca da Aliança”, “Escrínio das Sagradas Escrituras”, “Chave de Ouro”, “Oficina de Milagres”, “Doutor do Evangelho”, ‘Doutor e Lume da Igreja”
Por Luís Carlos Azevedo

De modo geral, o conceito em que é tido entre o povo fiel o glorioso Santo Antonio (1195-1231) não vai muito além de considerá-lo como “o santo casamenteiro” e aquele que “encontra objetos perdidos“.

Tal visão superficial, descuidada e, em certo sentido, prejudicial para uma autêntica piedade, revela quanto a verdadeira fisionomia moral desse santo é desconhecida.

Fernando, como foi batizado, procedia de nobre linhagem portuguesa. Recebeu formação agostiniana e,jovem ainda tornou-se franciscano com o nome de Frei Antonio de Santa Cruz. É conhecido como Santo Antonio de Lisboa, pelo local de seu nascimento, e como de Pádua, cidade onde veio a falecer.

Em contraste harmônico com o espírito incutido pelo seu Pai e Fundador, Santo Antonio abre para a Ordem Seráfica de São Francisco o caminho da cultura e dos estudos teológicos, particularmente voltados ao combate às heresias cátara e albigense (*).

Desenvolveu intenso relacionamento com as Universidades de Bolonha, Tolosa, Montpelliere, Pádua; colaborou estreitamente com os religiosos beneditinos e dominicanos; censurou energicamente Bispos e padres que escandalizavam o povo.

Contemplativo, místico, intelectual vigoroso, mestre e escritor procurado pelos eruditos, pregador de eloqüência
arrebatadora que inflamava as multidões, Santo Antonio é, a justo título, glória e ornato da Ordem Franciscana, apesar de sua breve existência de apenas 36 anos.

Energia e coragem

Malgrado a superabundância dos dons da natureza que ornavam sua alma, Santo Antonio cultivou sempre a humildade e a renúncia, fundamentos de todas as virtudes cristãs.

Embora São Francisco de Assis lhe desse o título honorífico de “meu Bispo” , Santo Antonio considerava-se um

“servo inútil”, fugindo de todos os cargos e dignidades, procurando sempre realizar as funções inferiores e recolher-se na bem-aventurada solidão.

Em maravilhoso contraste com tais disposições de alma, quando as circunstâncias o exigiam, sabia dar mostras de uma força e coragem admiráveis.

Desde os primeiros anos de vida religiosa em Coimbra, teve Santo Antonio notícia dos feitos extraordinários dos cinco primeiros mártires franciscanos que, levando a Religião católica aos muçulmanos do Norte da África, ali verteram o sangue por Nosso Senhor Jesus Cristo. Inflamado no desejo de ser apóstolo e mártir, solicitou instantemente a permissão para participar dessas missões, a fim de expandir o reino de Cristo pela pregação e, se necessário, pelo martírio.

Realmente, o Santo alcançou o litoral da África. Acometido pouco depois por grave doença, foi obrigado, a retomar a Portugal. No percurso, desencadeou-se forte tempestade e a nau, por disposição da Providência Divina, foi impelida para a Itália.

Ali chegando, resolveu ir até Assis, onde encontrou-se com São Francisco. Nessa ocasião o seráfico Patriarca concedeu a Santo Antonio o múnus de ensinar aos frades: “é de meu agrado que ensines Teologia aos irmãos, desde que, em tal tarefa não se apague teu zelo pela santa oração, nem teu espírito de piedade”.

Eloqüente Pregador

Santo Antonio pregou em Portugal, na África, na Itália e na França. Seu zelo levava-o a interessar-se por qualquer um que estivesse na indigência da verdade católica.

De tal maneira cativava as multidões com sua eloqüência, que seus ouvintes, vindos de todas as partes, esqueciam-se do tempo e de suas ocupações e, tocados profundamente, punham-se com decisão a odiar os seus pecados.

Martelo dos hereges

Na acalorada controvérsia sobretudo com os cátaros e albigenses, o campo das disputas foi com freqüência o das Sagradas Escrituras, que os heréticos citavam amplamente e de cor. Aí sobressaiu-se de modo assinalado Santo Antônio de Pádua, cujos célebres Sermões se originaram por dessa necessidade polêmica.

No sul da França, os albigenses eram tão fortes que, com suas denúncias conseguiram fazer expulsar alguns Bispos corruptos. Ademais, faziam pressões sobre os fiéis no sentido de induzi-los a não pagar impostos, e atacavam os eclesiásticos proprietários de terras. Algumas autoridades apoiavam os rebeldes não tanto por simpatias heréticas, quanto pelo motivo de que as disputas davam-lhes oportunidade de assenhorear-se dos bens da Igreja.

Milagres

São incontáveis os “sinais e prodígios” que Deus manifestou através de Santo Antonio. Apenas para exemplificar, citamos alguns.

Martinho, pai do Santo, era senhor de vastas terras. Certa vez incumbiu o filho de espantar os pássaros que esvoaçavam sobre uma plantação de trigo. O rapaz, no entanto, sentindo-se atraído para uma capela vizinha, excogitou um meio de conciliar: sua piedade com a obediência à ordem do pai. Desta forma, mandou que as aves entrassem com ele na capela.

Martinho, ao voltar, irritou-se muito por não ter encontrado o filho no local. Pôs-se então a procurá-lo, sem notar que as aves haviam desaparecido. Após encontrá-lo, rezando devotamente, teve clara explicação do ocorrido ao abrir a porta da capela, quando um bando de passarinhos voou para longe.

Diversas crônicas da época relatam como Santo Antonio livrou seu pai da forca, a que havia sido condenado por suposto crime de homicídio. Simplesmente ressuscitou o morto, para que revelasse quem realmente o havia matado.

Em certa cidade, os hereges recusaram-se a ouvi-lo. Santo Antonio dirigiu seu sermão aos peixes, os quais deram mostra de escutá-lo com atenção. Tal milagre ocasionou inúmeras conversões.

A tradição nos conta que, estando o Santo recolhido no convento, em oração e entregue ao estudo das Sagradas Escrituras, o Menino Jesus lhe apareceu, estreitando-o com seus braços, entre ósculos e carícias.

Na cidade francesa de Arles, enquanto ele pregava contra os hereges a respeito de Cristo Redentor, São Francisco de Assis, que se encontrava na Itália, apareceu pairando no ar com os braços em forma de cruz, como que a confirmar o ensinamento de Santo Antonio.

Em outra cidade da França, Montpellier, deu-se uma bilocação, isto é, o milagre de se estar em dois lugares ao mesmo tempo. Numa igreja, como de costume repleta de fiéis, enquanto pregava do púlpito Santo Antonio se deu conta de que estava incumbido de acolitar a Missa no convento, e que se esquecera completamente de providenciar substituto. Com toda naturalidade fez o sermão e ao mesmo tempo acolitou a Missa …

Santo Antonio faleceu em Pádua a 13 de junho de 1231, tendo sido canonizado apenas onze meses após. Pio XII, em 1946, proclamou-o Doutor da Igreja.

De uma pureza angélica, esse teólogo notável possuía uma devoção terníssima a Nossa Senhora enquanto Assunta aos céus, doutrina que seria declarada dogma apenas em 1950. Eis uma das muitas invocações que ele dirigia à Medianeira universal de todas as graças:

“Nós te suplicamos, ó Senhora nossa, afim de que tu, estrela do mar,faças resplandecer a tua luz sobre nós açoitados pelas tempestades, e nos conduzas ao porto, confortando com a tua presença a nossa última hora, para que possamos sair em paz deste lugar e chegar alegres à inefável bem-aventurança do Céu. Assim seja”.

(*) Cátaros (puros, em grego) ou albigenses: designa movimento herético na Europa do século XII. Seus seguidores repudiavam o matrimônio, a autoridade eclesiástica, os Sacramentos; a veneração das imagens etc. Acreditavam na reencarnação. Foram condenados repetidas vezes, e finalmente reprimidos através de expedições militares.

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FONTES DE REFERÊNCIA
Basílica de Santo Antonio sob a neve, Pádua
Pio XI, Carta Apostólica Antoniana sollemnia, de 10 de Março de 1931.
Pio XII, Carta Apostólica Ad perpetuam, de 16 de Janeiro de 1946.
Dom Prosper Guéranger, L’Année Liturgique -le temps apres la Pentecôte, tomo III, Maison Alfred Mame et Fils, Tours, 1922.
Paolo Scandaletti, Antonio de Pádua, Editora Vozes, Petrópolis (RJ), 1993.
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