Nossa Senhora do Milagre de Cocentaina

Nossa Senhora do Milagre de Cocentaina

Nossa Senhora do Milagre de Cocentaina
Cocentaina, pequena cidade da Espanha, tornou-se palco de grandes milagres atestando o desvelo da Mãe de Deus para com seus filhos mais humildes!
Por Valdis Grinsteins

Uma imagem de Nossa Senhora, pintada, segundo venerável tradição, pelo próprio Evangelista São Lucas, após inúmeros deslocamentos e problemas fixou-se afinal na tranqüila e abençoada cidadezinha espanhola de Cocentaina. Nesse fato pode-se ver uma analogia: através de numerosas provações, chegaremos à nossa meta última que é o Céu.

Tal quadro havia sido venerada inicialmente em Jerusalém, do século I ao V. Para evitar sua destruição, quando da invasão da cidade pelos muçulmanos, a Princesa bizantina Pulqueria a trasladou a Constantinopla.

Durante 10 séculos a imagem permaneceu nessa cidade, que foi conquistada pelos turcos muçulmanos em 1453. Alguns anos antes, prevendo a iminente invasão, o Cardeal Patriarca Besarión levou-a consigo a Roma, presenteando-a ao Papa Eugênio IV, em agradecimento por tê-lo sagrado Cardeal.

Pouco tempo a pintura permaneceu em Roma, pois o Papa, à vista de um desentendimento com um súdito, pediu ao Rei de Aragão que o ajudasse. Este enviou a Roma Don Ximen Perez Roig de Corella, o qual solucionou o problema tão ao agrado do Papa, que recebeu de presente a pintura atribuída a São Lucas. O cavaleiro, simultaneamente, recebeu do Rei o título de Conde de Cocentaina, na Espanha, levando consigo o precioso quadro. Assim, depois de passar pelas três capitais do mundo antigo (Jerusalém, Constantinopla e Roma), a imagem acabou fixando-se num tranqüilo e distante local, onde ninguém imaginaria que pudesse se estabelecer tão preciosa relíquia.

O famoso milagre das lágrimas da Virgem Santíssima

Em nenhuma das três grandes cidades onde esteve, consta que a imagem operasse algum milagre, ou chorasse por ocasião dos grandes pecados cometidos pela população, como, por exemplo, o cisma de Constantinopla. O mais curioso porém foi que, pouco após sua chegada a Cocentaina, ela começou a manifestar-se como milagrosa, chorando em virtude dos males que afligiam a cidadezinha. Com efeito, começara então na Espanha uma terrível guerra civil, conhecida com o nome de Guerra dos Comuneros. E Cocentaina teve também que sofrer em meio a este tremendo conflito.

No dia 19 de abril de 1520, estava o padre Onofre Satorre celebrando a Santa Missa na capela do Palácio dos Condes de Cocentaina, em presença do filho maior do Conde, Don Guilherme de Corella, quando este reparou que a imagem estava chorando lágrimas de sangue. Primeiro pensou estar enganado, mas terminada a Missa, ordenou fosse o quadro descido do altar, a fim de comprovar o fato. Ao ter a imagem entre as mãos, colocou um dedo numa lágrima que saía de seu olho esquerdo; no contato, a lágrima espalhou-se no rosto.

No total, a imagem verteu 27 lágrimas, que ainda hoje se vêem em sua face. Conforme o estilo da época, foi chamado o tabelião, para que fizesse uma ata certificando o milagre. Na referida ata constam 500 assinaturas de pessoas que acorreram a presenciar o milagre.

Terá esse milagre chamado a atenção daqueles que estavam envolvidos na guerra civil, atribuindo eles, a seus pecados, o pranto de Nossa Senhora? Não o sabemos. O fato é que a guerra terminou pouco tempo depois.

E, para que fosse dignamente venerada a imagem, pela qual a Virgem Santíssima se dignava manifestar de modo tão claro sua dor pelos pecados cometidos, foi fundado posteriormente um Convento de freiras capuchinhas com o nome de Nossa Senhora do Milagre de Cocentaina.

Apesar das lágrimas, bondosa concessão: a chuva

Após o milagre das lágrimas, a Virgem começou a ser invocada por ocasião das necessidades da população, especialmente solicitando a chuva, quando havia risco de faltar água para as plantações e de se perder a colheita. Para isso, o povo levava a imagem em procissão, e durante sete dias eram celebradas Missas em honra de Nossa Senhora de Cocentaina . E sempre, antes de terminar a sétima celebração do Santo Sacrifício, chovia. A tal ponto ficou conhecida a imagem por essa razão, que até os muçulmanos residentes nessa região após a reconquista católica a chamavam Senhora da Chuva. E quando sentiam a falta de água, os próprios maometanos suplicavam aos católicos para realizar logo a procissão…

Vários milagres retumbantes Deus realizou por meio desta imagem, como, por exemplo, a ressurreição de uma menina que passou 24 horas sob a água, ou permitir que sobrevivesse uma freira que, tendo caído num poço profundo, permanecera horas esperando socorro.

No dia 1o de março de 1778, incendiou-se o palácio do Duque de Santisteban, em Madri. Uma cópia da imagem estava na escadaria do palácio, iluminada por um holofote de chumbo. Foi tão terrível o fogo, que o chumbo se derreteu, outros quadros situados acima da imagem ficaram carbonizados, mas a imagem nada sofreu, para surpresa geral. Assim, haveria vários outros milagres a serem narrados. Relataremos apenas um, dos mais documentados, que beneficiaram uma religiosa franciscana do Convento da Cocentaina.

“Só a imagem original há de me curar”

A irmã Maria Margarita de Jesus era freira do Convento do Milagre, em 1693, quando foi atacada por terrível enfermidade. Dores intensas no ventre, nas costas, convulsões contínuas. E até úlceras na garganta, devido aos gritos ocasionados pelas intermináveis dores.

Em meio à doença, teve um sonho no qual a imagem milagrosa da Virgem a curava. Por isso, pediu que levassem a imagem até seu leito, uma vez que não tinha condições de ir à igreja. Este pedido era ousado, pois não era costume naquela época deslocar a imagem principal à clausura do convento. Por isso, a Abadessa ordenou que lhe levassem uma das cópias existentes naquela casa religiosa. Em meio às dores, já quase sem sentidos, Irmã Maria Margarita viu a imagem chegar e disse: “Não é esta a que curará, e sim a original”.

As freiras ficaram consternadas, mas pouco podiam fazer, pois certamente as autoridades eclesiásticas não atenderiam à solicitação. No dia 24 de outubro, a freira entrou em agonia e já não percebia nada. Só nesta extrema situação a Abadessa ousou pedir a autorização. E, para surpresa de todos, por tratar-se de uma moribunda, as autoridades consentiram. Quando a procissão com a imagem se aproximava, a enferma voltou a si e disse: “Já está chegando Nossa Senhora, já estou bem, e nada me dói”. Quando o padre que portava a imagem passou-a às mãos da freira, esta disse: “Agora já estou com perfeita saúde e tenho bom apetite”. Após vários dias sem alimentar-se, comeu algumas bolachas e pediu para revestir-se do hábito capuchinho para acompanhar a imagem até a porta do Convento. Para espanto dos presentes, ela, que quase não se movia, colocou agilmente o hábito religioso e acompanhou o cortejo. Novamente foi chamado o tabelião, pois todas as freiras, bem como os médicos que presenciaram a rápida e inexplicável cura de Madre Maria Margarita, depuseram atestando o milagre.

Atendimento maternal a todos os filhos

A história dessa imagem pode ajudar a desfazer uma dificuldade que, infelizmente, muitos fiéis católicos têm em relação a Nossa Senhora. Julgam não serem suficientemente importantes para que a Mãe de Deus deles se ocupe. Ou então, que tanta gente é atendida por Ela, que não sobra tempo para todos.

Essa imagem, porém, nos prova o contrário. Se Nossa Senhora quisesse fazer milagres retumbantes, poderia tê-los feito em Jerusalém, Constantinopla ou Roma, todas elas cidades muito importantes, nas quais residem pessoas poderosas. Mas Ela quis, por meio dessa imagem, manifestar seu poder através de milagres, numa pequena cidade desconhecida até na própria Espanha, prodigalizando favores a todas as categorias de filhos humildes.

Afastemos então essa tentação, pois Nossa Senhora é nossa Mãe, e cuida de cada um nós mais do que todas as mães do mundo juntas o fariam. Tenhamos em relação a nossa Mãe do Céu uma confiança semelhante à dos felizes habitantes da pequena e despretensiosa Cocentaina.
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