Nossa Senhora do Pronto Socorro: rápido atendimento materno

Nossa Senhora do Pronto Socorro

Nossa Senhora do Pronto Socorro: rápido atendimento materno

Na vida de todo católico surgem situações difíceis que podem ser vencidas mediante atos de confiança. E a confiança manifesta-se exteriormente no ato de esperar.

Existem também situações nas quais não cabe esperar. Ou o socorro chega logo, ou nada feito. Isso não significa que não se tenha confiança na Divina Providência; ao contrário, muitas vezes temos tanta confiança em Deus que Lhe pedimos conceder logo aquilo que é objeto de nossa confiança.

Não conheceria bem Nossa Senhora aquele que, desejando uma solução imediata para solucionar seu problema, julgasse que Ela também não o quisesse. Sendo mãe amorosa, Nossa Senhora muitas vezes almeja resolver nossas dificuldades até de modo mais rápido do que nós mesmos.

No tesouro espiritual da Igreja Católica encontramos uma invocação mariana específica para tais casos: Nossa Senhora do Pronto Socorro, Padroeira da cidade de Nova Orleans, no sul dos Estados Unidos.

Muitas vezes na História da Igreja as melhores intenções de apostolado são atrapalhadas por problemas políticos imprevistos.

Foi o que ocorreu com as religiosas Ursulinas, dedicadas ao ensino da juventude feminina, que estavam estabelecidas na cidade norte-americana de Nova Orleans, no Estado da Louisiana. Como os nomes indicam, a região tinha sido colonizada por franceses. Mas devido a problemas decorrentes da Revolução Francesa, os países que dominavam a região tinham mudado várias vezes suas alianças, e antigos amigos tornaram-se depois inimigos.

Pedidos angustiosos: pronto atendimento maternal

No início do século XIX, tal situação havia trazido complicações às religiosas, pois 16 freiras espanholas tinham voltado para sua pátria e as poucas freiras francesas que ficaram em Nova Orleans receavam serem obrigadas a fechar o convento.

Angustiada por esse temor, a superiora, Madre Santo André, escreveu para outra religiosa, na França, pedindo auxílio.

Esta freira, Madre São Miguel, abrira uma pequena escola, pois não podia viver em convento devido à perseguição revolucionária. Ela começara recentemente a fazer algum bem espiritual às almas das pequenas alunas, após a tormenta revolucionária, quando lhe chega a carta dos Estados Unidos.

Madre São Miguel ficou numa situação difícil: sentia em sua alma o desejo de ir trabalhar nas missões e, assim, dar grande glória a Deus, mas sua situação como religiosa era realmente complicada. A rigor, mesmo não residindo num convento na França, ela continuava sendo freira, e como tal conservava o voto de obediência. Ora, na ocasião não tinha superioras imediatas a quem pudesse solicitar autorização para viajar, pois estas tinham sido dispersas pela França e pelo Exterior.

Caberia então pedir autorização ao Bispo. Mas este também se havia deslocado devido à perseguição. Neste caso, caberia ainda escrever para a Autoridade suprema de todas as religiosas, o Papa. Porém… escrever ao Papa! Numa época de Revolução e de guerras, que criaram complicadíssimas situações internas na Igreja, o Santo Padre mal encontrava tempo para resolver gravíssimos problemas. Era óbvio que não disporia de tempo para responder cartas de uma desconhecida religiosa, pedindo autorização para viajar!

Além do mais, caso ele respondesse – o que era muito improvável – só o faria após muito tempo, e o convento americano já teria fechado. Talvez a Madre São Miguel nem sequer recebesse a missiva – numa época de comunicações tão difíceis – anunciando tal fechamento. Diante disso, valeria a pena abandonar uma escola onde ela fazia um bem certo, por um convento, ameaçado de fechamento, em favor do qual talvez não pudesse mais fazer bem algum?

Uma alma medíocre, nesta contingência pouco ou nada faria. Mas não era desse estofo a alma da Madre São Miguel.

Escreveu ela uma carta ao Sumo Pontífice, e, antes de colocá-la no correio, ajoelhou-se diante de uma imagem de Nossa Senhora, dizendo: “Ó Santíssima Virgem, se Vós alcançardes pronta e favorável resposta a meu pedido, eu Vos prometo fazer com que sejais honrada na cidade de Nova Orleans sob a invocação de Nossa Senhora do Pronto Socorro”. Após o que, levou a carta ao correio.

Bem, agora restava apenas aguardar, pensou ela. Entretanto, Nossa Senhora, movida pela súplica desta dileta filha, nem permitiu que ela esperasse esgotar o tempo normal em tais circunstâncias. Assim, recebeu Madre São Miguel – antes do que humanamente se poderia esperar – a resposta do Papa autorizando-a a viajar aos Estados Unidos e incorporar-se ao convento das Ursulinas de Nova Orleans!

Comovida por tão pronta resposta e compenetrada da promessa que fizera, Madre São Miguel mandou esculpir, ainda na França, uma imagem de Nossa Senhora e a levou consigo ao partir para os Estados Unidos junto com outras freiras que a acompanharam nesta viagem.

Socorro imediato salva convento das chamas

Ao chegar à cidade de Nova Orleans, Madre São Miguel colocou a imagem na capela do convento, e, conforme a aludida promessa, começou a difundir sua devoção. Mas seria um outro acontecimento milagroso o que difundiria a devoção à nova invocação mariana.

Num frio dia do final do ano de 1812, um terrível incêndio começou a consumir o prédio vizinho ao convento. Para nossa mentalidade moderna, acostumada aos rápidos métodos de prevenção contra incêndios, é difícil imaginar o que isso significava naquela época.

Não havia eletricidade, nem encanamento público conduzindo água por toda parte. Era preciso formar correntes humanas transportando água de balde em balde, desde o poço mais próximo. Naturalmente, com um sistema tão rudimentar, muitas vezes um incêndio significava a destruição de quarteirões inteiros ou até de toda uma cidade! Além do mais, a maioria das construções da época era de madeira e não de cimento, concreto, tijolo e outros materiais menos combustíveis.

Portanto, ao se declarar o incêndio, e logo no prédio vizinho, as religiosas julgaram-se perdidas. Uma delas teve porém uma idéia luminosa: correu até a capela para pegar a imagem do Pronto Socorro e colocou-a na janela por onde o fogo ia se alastrando para o convento.

Neste momento, a Madre São Miguel exclamou: “Virgem do Pronto Socorro, estamos perdidas se Vós não nos ajudais prontamente”.

Para espanto dos presentes, neste mesmo instante o vento perdeu a força e o fogo começou a diminuir sem explicação, tornando-se, então, fácil detê-lo. Com isso, o convento livrou-se da destruição.

Devido a tão prodigioso fato, cresceu a fama da imagem, mais tarde escolhida como Padroeira da cidade, após ter sido repelido um ataque dos ingleses, então em guerra contra os Estados Unidos. Sendo as tropas inglesas muito mais numerosas e bem treinadas, não duvidou o general americano, que comandava a defesa, atribuir a Nossa Senhora uma vitória que dificilmente poderia se explicar sem ajuda sobrenatural.

A fama e os milagres da imagem do Pronto Socorro continuaram crescendo ao longo do século. E isso a tal ponto que, em 1895, o Arcebispo Janssens, de Nova Orleans, obteve a permissão do Papa para coroar canonicamente a imagem, cerimônia à qual assistiram todos os Bispos da Lousiana e do Texas.

Socorro ao alcance da mão, mas de quem reza

Sendo Nossa Senhora Mãe tão bondosa e solícita em socorrer-nos em nossas necessidades, poderia Ela não querer atender logo os pedidos de seus filhos?

Mas então, por que, às vezes, o socorro demora tanto? Se a ajuda demorar‚ é porque Nossa Senhora deseja para nós algo melhor, talvez para nos exercitar na prática de alguma virtude difícil, como a paciência ou a confiança, com vistas à obtenção de méritos para o Céu. Mas, se o socorro perder todo seu sentido ao demorar, podemos então recorrer a Ela, com toda a segurança de sermos atendidos na hora? Sim, e até mesmo antes da hora, pois Nossa Senhora não se deixa vencer em bondade.

E como conseguir isto? “Pedi e dar-se-vos-á, batei e abrir-se-vos-á”, ensina a Sagrada Escritura. Peçamos, pois, à Mãe de Deus seu pronto socorro. Se este for para o maior bem de nossas almas, Ela não deixará de nos atender.
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Fontes de referência:
América Mariana, Pe. Felix Alejandro Cepeda.
Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, Florianópolis, 1955.
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