A extremosa bondade de Maria

Sant�ssima Virgem, socorrei-me

A extremosa bondade de Maria Eis um fato ocorrido em 1894, narrado por Mons. Bruguière, vigário apostólico de Tchen-Ting-Fu. Na sua simplicidade, o fato aterrador é prova da bondade de Maria.

Ia eu crismar numa aldeia do meu vicariato. À minha chegada, os poucos cristãos prestavam-me todas as honras possíveis: “É o grande chefe dos cristãos, é o excelso mandarim que passa” murmuravam os habitantes. Ao meio dia, no momento de tomar uma parca refeição, chegou correndo uma mulher pagã. Apresentou-se de repente, inclinando-se até o chão e cumprimentando-me com os títulos pomposos de grande homem, grande mandarim.

Conhecendo perfeitamente o pouco valor dessas demonstrações exageradas da civilidade chinesa, fiquei desconfiado:

Que queres? perguntei-lhe, com semblante severo.
Grande chefe, peço-vos o favor de ser admitida na catequese dos cristãos.
O que te levou a tomar esta decisão?
Gastaria muito tempo para contar-vos Respondi.
Não faz mal. Tenho muito tempo para escutar-te.

A mulher, de compleição doentia, tinha por marido um sujeito brutal, que estava resolvido a deixá-la morrer, apesar de tudo quanto pudesse acontecer. Abandonou-a, vindo apenas de longe em longe para ver os progressos da doença. A mulher ficou na cama, e acabados os mantimentos e remédios, à sua fraqueza juntou-se o tormento da fome, e aos sofrimentos um isolamento duro e cruel.

Descorçoada e nas portas da morte, amaldiçoou a sua sorte, seu marido e até seus próprios pais. Uma cristã da aldeia levou-lhe um dia uns docinhos e algumas palavras de consolo:

Amiga, se ao menos você fosse cristã. Veja, a dor não pode desanimar-nos, pois sabemos que Deus vê nossos padecimentos e nos recompensará. Também podemos recorrer à Santíssima Virgem, dizendo-lhe: Santíssima Virgem, socorrei-me; Vós, que tanto padecestes, tende dó de mim.

A doente repetiu essas palavras. A caridosa vizinha, antes de voltar para casa, como penhor de amizade, dependurou-lhe ao pescoço o bentinho que trazia:

Olhe, guarde isto. É o vestido de Nossa Senhora, e há de atrair sobre você graças e proteção.

Ficando sozinha, a doente repetia com freqüência: “Santíssima Virgem, socorrei-me”. De repente, uma Senhora vestida de branco apareceu-lhe na pobre choupana, servindo-lhe de enfermeira. Voltou seguidamente vários dias, para prestar-lhe serviços e sem dar-se a conhecer. Seus cuidados, sua bondade, seu brando sorriso reanimaram pouco a pouco a alma e o corpo da infeliz mulher. Restabelecida a doente, a Senhora despediu-se, dizendo:

Vou deixar-te, porque um negócio urgentíssimo me chama à cidade. Toma este remédio, e quando sarares de todo, vem ter comigo. Encontrar-me-ás na igreja da matriz.

A doente tomou o remédio e sarou logo. Era o dia 5 de janeiro, dia da minha chegada à aldeia. Esta mulher pagã falava-me de um modo tão sincero, que não duvidei de suas palavras e aceitei-a na catequese da cidade. Não tinha sossego, tão aflita estava por tornar a ver a sua bela benfeitora. No Sábado de Aleluia, os catecúmenos foram introduzidos na Igreja. Acabava eu de rezar o Gloria in excelsis Deo, os sinos repicavam com alegria, e as imagens já estavam descobertas.

Ei-la! Ei-la! gritou uma mulher, adiantando-se de braços erguidos. Eis a Senhora que me curou.

Os vizinhos lhe disseram:

Você não pode entrar no santuário. Pare aí.

De mãos postas e olhos fitos na imagem, ela ajoelhou-se, soluçando de alegria. Hoje é uma das mais fervorosas devotas de Nossa Senhora.

(“Maria ensinada à mocidade” – Livraria Francisco Alves, 1915)
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