Quando as mães têm Nossa Senhora como modelo

Nossa Senhora é Mãe das mães

Quando as mães têm Nossa Senhora como modelo

Constitui poderosa ajuda, para se ter uma correta devoção marial, o poder beneficiar-se de uma formação familiar psicologicamente adequada a isso, procurando as mães assemelharem-se a Maria Santíssima

Enquanto dava uma aula de catecismo, deparei-me com um sério e complicado problema da vida moderna. Explicava aos meus ouvintes — um grupo de jovens em torno de 17 anos — a gravidade do pecado cometido por Caim contra Abel. Examinei com eles não só o pecado de inveja, e o fato de Caim oferecer a Deus frutos secundários e não os melhores, mas concretamente o crime de assassinar o próprio irmão.
Para minha surpresa, não os sensibilizava a circunstância de que o assassinato, em si gravíssimo, revestia-se de uma gravidade ainda maior sendo um fratricídio. Concordaram em que todo assassinato é ruim, mas não lhes impressionava em particular o fato de ter sido praticado por um irmão.

Nesse momento veio-me a idéia de perguntar quantos deles tinham irmãos. A maioria tinha somente um, geralmente uma irmã, ou não tinha nenhum. Ou seja, a muitos deles faltava o ponto de referência elementar para melhor entender o problema.

Aquela convivência varonil entre irmãos, a confiança recíproca, a união de esforços, a certeza de apoio mútuo, eles não tinham. Conseqüentemente, faltavam a eles pressupostos para entender certas matérias.

Algum leitor poderá achar exagerado levantar esse problema, e argumentar que sempre na História houve filhos únicos, e a eles não faltou a capacidade de sentir ou entender o que é um irmão. É verdade que sempre houve filhos únicos, mas as famílias geralmente eram numerosas, ou até numerosíssimas.

Os que não tinham irmãos, certamente tinham primos, ou então amigos que tinham irmãos, e com isso não lhes faltavam os modelos em que se basear para entender o significado de um irmão. Mas hoje, em famílias modernas com um ou poucos filhos, virou uma regra muito generalizada a falta de irmãos, e até a falta de primos.

Na alma dos jovens a quem eu procurava instruir, faltava um elemento para apreciar o que significa em profundidade esse fato concreto, que é alguém eliminar violentamente um ser tão próximo como um irmão.

Mãe: insubstituível missão

Mas o problema não parou aí. Imediatamente me veio à mente uma outra hipótese: Será que eles entendem corretamente o que significa ser Nossa Senhora nossa mãe? Será que expressões como doçura materna, bondade de mãe, solicitude maternal ou desvelo materno têm para eles o mesmo sentido que para outras gerações? Obviamente, toda precaução é pouca, quando se trata de tema tão delicado.

Perguntei-lhes: Quando vocês estiveram doentes, quem foi a pessoa do sexo feminino que mais se esforçou por tratá-los melhor? Muitos respondiam que fora a mãe, outros mencionavam a irmã, uma enfermeira, uma avó ou até uma vizinha.

Outra pergunta: Quando choraram a última vez, quem foi a pessoa que mais procurou consolá-los? As respostas foram as mesmas, só que apareciam também uma amiga ou uma colega de aula. Mais uma pergunta: Quando tiveram um problema que não queriam contar a seu pai, a quem o contaram? De modo geral, a proporção foi a mesma: metade recorria à mãe, e os outros a outra pessoa.

Família normalmente constituída

Depois, ao longo do tempo, nas conversas individuais que ocasionalmente se apresentavam, indaguei discretamente sobre o que pensavam seus pais de tal ou qual problema. As respostas eram boas por um lado, mas por outro deixaram-me com uma sensação de profunda melancolia, ao constatar que a atual geração, por assim dizer, conhece pouco o que é uma família normal na sua plenitude.
Alguns tinham pais separados, divorciados, ou nem conheceram o pai. A mãe tinha que ser a figura que impunha a disciplina, e ao mesmo tempo a que representava a misericórdia. Outros tinham parentes altamente exigentes, que freqüentemente os obrigavam a estudar, e estudar muito, afirmando que, após a morte deles, o jovem teria que se arranjar sozinho no mundo.

Outros viam pouco seus pais, pois as condições da vida moderna exigiam-lhes trabalhar muito, e às vezes em horários nada favorecedores ao convívio familiar. Os pais de alguns pareciam preferir que eles não crescessem, e que fossem sempre meninões.

A outros, os pais exageravam na proteção, a ponto de nem deixá-los sair com amigos. Em todos os casos pesavam sobre as famílias as condições desfavoráveis da vida moderna nas grandes cidades.

Uns pelos outros, é como se a palavra mãe perdesse algo do significado que tinha para as gerações anteriores. A falta de uma Civilização Cristã, na qual as exigências da vida sejam adequadas à Religião e à moral (não só à economia e ao prazer) produz também no santuário do lar os seus frutos amargos.

A Mãe de todas as mães

Por outro lado, a graça de Deus atua nas almas para contrabalançar tais efeitos. Há mães que, apesar de terem necessidade de trabalhar longas horas fora de casa, ou cuidar elas sozinhas de sua prole, nem por isso lhes falta a dedicação, a entrega, o desvelo pelos filhos. São mães que se sacrificam por eles. Por pouco que fosse o tempo disponível para dedicar a seus filhos, estes notavam o carinho, e o comentavam.

Sob certo ponto de vista, a dedicação materna ajuda na formação religiosa dos filhos, pois para eles a idéia de que Nossa Senhora é nossa mãe, que a cada momento nos protege e cuida de nós, os enche de consolação. No fundo, a concepção que aqueles jovens tinham de Nossa Senhora dependia muito da idéia que faziam da própria mãe.

Daí a séria responsabilidade que têm as mães em serem virtuosas, pois, entre outras coisas, estarão colocando a cada dia, a cada minuto, na cabeça de seus filhos, os pontos de referência a partir dos quais eles vão entender depois as verdades da nossa Religião.

E não é só na cabeça dos filhos, pois muitas vezes elas são também os modelos admirados por outros jovens ou crianças que com elas tomam contato. Pode ser que elas mesmas não notem, ou que jamais alguém mencione para elas esse fato, mas diante de Deus isso tem um valor enorme.

Fica aqui este ponto de meditação para todas as mães. Na medida em que elas se esforçam para ser como que um reflexo de Nossa Senhora, fazem um apostolado da maior importância. E a Virgem Santíssima, Mãe de todas as mães, saberá premiar tão excelente esforço.
(Valdis Grinsteins)
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