A vocação de São Mateus

São Mateus

A vocação de São Mateus

E, depois disto, saiu Jesus, e viu sentado no telônio um publicano, chamado Levi, e disse-lhe: Segue-me. E ele, deixando tudo, levantando-se, O seguiu. E Levi deu-lhe um grande banquete em sua casa, onde concorreu grande número de publicanos e de outros que estavam sentados à mesa com eles.

E os fariseus e os escribas murmuravam dizendo aos discípulos de Jesus: Por que comeis e bebeis vós com os publicanos e com os pecadores? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos. Não vim chamar os justos, mas os pecadores à penitência. (Lc. 5, 27-32)

Comentários compilados por Santo Tomás de Aquino na Catena Aurea

Santo Agostinho –– Depois da cura do paralítico, o Evangelista segue falando da conversão do publicano, dizendo: “E depois disto saiu e viu um publicano, chamado Levi que estava sentado no telônio”. São Mateus é esse Levi.

São Cirilo –– Levi era, pois, publicano, homem avarento, desenfreado no que diz respeito às coisas supérfluas, que apetecia o alheio (este é, pois, o oficio dos publicanos); mas dos escritórios da malícia é arrancado pelo chamado de Cristo; de onde segue: “E disse-lhe: Segue-me”.

Santo Ambrósio –– Manda que o siga, não com o movimento do corpo, mas com o afeto da alma. E assim chamado ele por meio da palavra, abandona o que era próprio, aquele que antes tomava o alheio. De onde prossegue: “E levantando-se, deixou todas as suas coisas e o seguiu”.

São João Crisóstomo –– No que se pode ver o poder daquele que chama e a obediência do que é chamado. E não resistiu, nem sequer vacilou, mas imediatamente obedeceu; e não quis sequer voltar à sua casa para contar à sua família o que sucedia. .

São Basílio –– E não só abandonou a arrecadação dos impostos, mas tampouco menosprezou os perigos que podiam vir ao seu encontro, tanto a ele como à sua família, por não prestar em devida forma as contas da arrecadação.

São João Crisóstomo –– O Senhor honrou o chamado de Levi, aceitando imediatamente o convite que este lhe fez; isto lhe inspirava mais confiança. Pelo que segue: “E lhe fez Levi um grande banquete em sua casa”.

E não estava só com Ele, mas havia muitos outros mais. Pelo que segue: E assistiu a ele um grande número de publicanos e de outros que estavam com eles à mesa”.

Tinham vindo os publicanos à casa de Levi para ver seu companheiro e a um homem de sua mesma classe, mas Levi, gloriando-se da presença de Jesus Cristo os convidou a todos para comer.

Jesus Cristo empregava todo o gênero de meios para obter a salvação dos homens; e assim não só disputava, e curava as enfermidades, mas também repreendia aos que tinham inveja; e mesmo quando estava comendo, corrigia também os erros de alguém; ensinando-nos assim que qualquer ocupação e qualquer tempo pode ser-nos útil.

Não evitou a companhia dos publicanos, pela utilidade que se seguiria; como um médico que não curaria a enfermidade se não tocasse a chaga.

(Respondendo à acusação dos fariseus) o mesmo Senhor fez voltar o argumento contra eles, manifestando que não era pecado tratar com os pecadores, mas sim conforme a misericórdia, de onde prossegue: “E Jesus lhes respondeu, e lhes disse: Os sãos não necessitam de médico e sim os enfermos”. No que lhe adverte que eles também pertencem ao número dos paralíticos; mas que Ele é o verdadeiro médico. E prossegue:

“Eu não vim para chamar os justos à penitência e sim os pecadores”. Como que dizendo: Não detesto os pecadores, porque só vim para o bem deles; não para que continuem pecando, mas para que se convertam e se tornem bons.

Comentários do Padre Luís Cláudio Fillion

Depois deste grande milagre (a cura do paralítico de Cafarnaum) dirigiu-se Jesus para a margem do lago. Ali também se aglomerou a multidão de novo, e depois de distribuir-lhe o pão da divina palavra, prosseguiu seu passeio pela margem.

Vendo então sentado em seu escritório de cobrador de impostos o publicano Levi, filho de Alfeu, mais conhecido no Evangelho com o nome de Mateus, lhe disse: Segue-me, chamando-o assim para ser seu discípulo.

Não era a primeira vez que se conheciam; a obediência, pois, imediata e generosa de Levi se explica por si mesma. E ainda que sua conversão tivesse sido obra de um só instante, o fato psicológico estaria de acordo perfeito com o poder admirável de atração que Jesus exercia nos corações.

Pouco depois, este publicano, chamado à dignidade de Apóstolo e evangelista, deu em honra de seu novo mestre um banquete solene ao qual convidou seus antigos colegas e amigos.

Ocasião esta que foi bem oportuna para manifestarem os fariseus sua animosidade contra Jesus. Sem ousar dirigir-se a Ele em pessoa, os fariseus, castigados por suas respostas arrasadoras, perguntaram aos discípulos que estavam presentes ao banquete: ‘Por que vosso mestre come e bebe com publicanos e pecadores?’Entre os judeus de então, publicanos e pecadores eram sinônimos.

O Salvador, que havia ouvido a pergunta insidiosa e pérfida de seus adversários, se encarregou de responder-lhes por si mesmo. ‘Não são os que estão bem de saúde, e sim os enfermos os que necessitam de médico’. Ide e meditai o que significa esta palavra: Quero a misericórdia e não o sacrifício. ‘Pois não vim chamar os justos e sim os pecadores’.

_____________________________________
Pe. Luís Cláudio Fillion, Nuestro Senõr Jesucristo según los Evangelios, Editorial Difusión, Tucumán, 1859, pp. 125-126.
Cadastre seu email para receber as atualizações deste blog

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: