Do Reino de Maria ao Reino de Cristo

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós

Do Reino de Maria ao Reino de Cristo

A vitória prometida em Fátima — “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!” — será para os que confiem inabalavelmente na Divina Providência e travem “o bom combate” para que seja instaurado o Reino de Maria e, por via de conseqüência, o Reino de Cristo

Entre tantos aspectos relevantes e dignos da maior consideração na mensagem de Fátima, os que a lêem têm a atenção especialmente atraída para um ponto: as revelações de Nossa Senhora dizem respeito ao futuro.

Ora, entre os diversos anúncios feitos por Nossa Senhora em Fátima quanto ao futuro sobressai a magnífica promessa de uma vitória final: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”

Analisando com cuidado a frase, vê-se que ela é composta de duas partes. O “por fim” inicial alude obviamente a uma mensagem anterior, ou seja, à difusão que seria feita pela Rússia de seus erros, e as guerras e revoluções que provocaria por todo o mundo, em conseqüência das quais — fato espantoso — várias nações seriam aniquiladas. Tal é o castigo que Nossa Senhora anunciou em Fátima, caso as nações não se emendassem de seus pecados.

O “por fim”, neste sentido, indica uma luta penosa, com vaivéns de toda ordem, e uma certa duração. A vitória que Nossa Senhora promete não é portanto automática, sem sofrimentos nem privações, sem angústias nem perigos. “Quem vence sem perigo, triunfa sem glória”, escreveu judiciosamente o famoso poeta francês Corneille.

Mas a promessa é firmíssima e não deixa margem a hipótese nenhuma de derrota: “O meu Imaculado Coração triunfará!”

Triunfar: o que significa?

Fixemos nossa atenção na palavra usada por Nossa Senhora: por que se refere Ela a “triunfo” e não apenas a “vitória”? — Na verdade, alcançar um triunfo é muito mais do que obter uma simples vitória.

O Novo Dicionário Aurélio define triunfo como “êxito brilhante; esplendor, pompa, suntuosidade; aclamação ruidosa”. Na Roma antiga, a vitória de um general era comemorada com um desfile público que se chamava exatamente triunfo, por estar cercado das características indicadas pelo dicionário citado.

O triunfo, portanto, é uma vitória com glória. Os direitos de Deus, conculcados pelo mundo moderno, exigem um triunfo portentoso.

Ao criar o mundo, Deus Nosso Senhor quis que este refletisse suas perfeições. E estas perfeições se manifestam na reta ordem em que todos os seres estão constituídos. Ao homem, como criatura racional e rei da criação, compete usar sapiencialmente de todas as criaturas, de acordo com o fim para o qual foram criadas.

Acontece que, sendo o homem composto de corpo e alma, não basta reverenciar a Deus só na alma — ou no íntimo do coração, como se costuma dizer — mas é necessário que o faça também externamente, por meio dos atos concretos da vida quotidiana.

Além disso, como o homem não vive só, mas em sociedade, é preciso que tais atos se conformem com a Lei de Deus também nos diversos estágios da vida social. O que, traduzido na vida diária, significa que as famílias, as diversas instituições e até os Estados devem, em seu conjunto, acomodar seus procedimentos aos princípios do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, por fim, render culto público a Deus.

Ora, o que acontece hoje é exatamente o contrário. A imensa maioria dos homens não obedece e não cultua a Deus, nem em público nem em particular. Não querem servir, nem louvar, nem reverenciar a Deus; e das coisas criadas só se valem para satisfazer suas paixões.

Se do plano individual, ou familiar, passamos para o âmbito social ou político, quantos pecados coletivos são cometidos! Para exemplificar, falemos apenas da introdução do divórcio, da “legalização” do concubinato, das portas abertas para o aborto, da esterilização de homens e mulheres praticadas agora legalmente nos hospitais públicos, e outras aberrações ainda maiores que estão a caminho, na legislação referente à sociedade familiar.

Está na índole da sociedade humana que a verdade e a virtude sejam publicamente favorecidas, o erro e o vício publicamente condenados. Se uma sociedade inverte esses princípios — ou seja, promove o vício e escarnece da virtude — não pode deixar de vir do Céu um castigo, proporcional aos pecados cometidos.

É razoável esperar que, em contrapartida, o triunfo de Deus, por meio do Imaculado Coração de Maria, alcance um grau portentoso, do qual o Milagre do Sol — que se revestiu de aspectos inegavelmente apocalípticos — foi provavelmente um símbolo adequado.

Se Deus faz tudo com peso, conta e medida (cfr. Sap. 11, 21), o Milagre do Sol, testemunhado por uma multidão calculada entre 50 e 70 mil pessoas — por ocasião da última aparição de Nossa Senhora em Fátima, cujo aniversário comemoramos neste mês de maio –, estaria a indicar a grandeza apocalíptica do triunfo do Imaculado Coração de Maria que há de vir.

A realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo

Toda esta visualização se compagina admiravelmente com o ensinamento do Supremo Magistério da Igreja sobre a realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo, exposto na encíclica Quas primas, de 11 de dezembro de 1925, com a qual Pio XI instituiu a festa de Cristo Rei.

Aquele Pontífice, em sua encíclica, é taxativo ao afirmar: “Não podem, pois, os homens de governo recusar à soberania de Cristo, em seu nome pessoal e no de seus povos, públicas homenagens de respeito e submissão” (Vozes, Petrópolis, Col. Documentos Pontifícios nº 20, tópico 14).

Sacralização: implantação do Reino de Maria

Este é um aspecto do apostolado de Fátima que mereceria ser posto em especial realce. Pois se o apostolado individual é digno de todos os encômios, não podemos perder de vista que a ação organizada dos leigos deve visar uma meta de ainda maior envergadura.

Com efeito, esta ação não tem um fim meramente negativo (isto é, combater o secularismo). A sacralização da ordem temporal implica, em última análise, na implantação do Reino de Cristo na Terra.

Ora, esta é exatamente a promessa que nos foi dada em Fátima. Depois de todos os transtornos pelos quais o mundo tenha que passar para purgar os seus pecados, um desfecho é certo, como nos assegura a própria Virgem Mãe de Deus: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”.

– E em que consiste o triunfo do Imaculado Coração de Maria?

Descreveu-o em termos grandiosos São Luís Maria Grignion de Montfort, em seu famosíssimo Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. Diz ele:

“Quando virá este tempo feliz em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana nos corações, para submetê-los plenamente ao império de seu grande e único Jesus? Quando chegará o dia em que as almas respirarão Maria, como o corpo respira o ar?

Então coisas maravilhosas acontecerão neste mundo, onde o Espírito Santo, encontrando sua querida Esposa como que reproduzida nas almas, a elas descerá abundantemente, enchendo-as de seus dons, particularmente do dom da sabedoria, a fim de operar maravilhas de graça …. Ut adveniat regnum tuum, adveniat regnum Mariae‘”.

“Que venha o Reino de Maria, para que assim venha o vosso Reino” – isto é, o de Jesus Cristo.

Esta afirmação não deve causar qualquer surpresa, pois, segundo a teologia mariana de São Luís Grignion de Montfort, Maria é o caminho que nos conduz a Cristo.

Na perspectiva desse santo, como na de Fátima, o Reino de Maria será especificamente o Reino do Seu Imaculado Coração. Isto é, o reino do coração materno da Mãe de Deus, reino de grande esplendor, tanto sobre as almas consideradas individualmente, como sobre a sociedade temporal e a Igreja, pela abundância das graças derramadas pelo Espírito Santo.

O Reino de Maria é o Reino de Cristo

E no âmbito das revelações de Fátima, essa visualização se confirma: a Irmã Lúcia perguntou certa vez a Nosso Senhor, por que não convertia a Rússia independemente da consagração dessa nação ao Imaculado Coração de Maria, a ser feita pelo Santo Padre.

Nosso Senhor lhe respondeu: “Porque quero que toda a minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o seu culto e pôr, ao lado da devoção ao meu Divino Coração, a devoção deste Imaculado Coração” (cfr. A.A. Borelli Machado, As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, 46ª ed., p. 79). Assim, na perspectiva de Fátima, como na de São Luís Grignion de Montfort, o Reino de Maria será especificamente o Reino do Imaculado Coração de Maria.

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