Nossa Senhora de Fátima; um acontecimento capital do século XX

13 de maio Nossa Senhora de Fátima

Nossa Senhora de Fátima; um acontecimento capital do século XX

Sobre Fátima ninguém ignora que se trata de uma invocação de Nossa Senhora a cintilar no firmamento da Igreja. Qual a origem histórica desta invocação? Qual o seu significado exato? Qual seu alcance para a vida espiritual e as atividades de apostolado? É o que muitos não saberiam dizer.

Dos fatos, daremos apenas uma narração muito sucinta, o mínimo necessário para que leitores menos informados possam acompanhar o comentário. Desejamos acentuar alguns aspectos das mensagens de Nossa Senhora, que em geral não se põem no necessário relevo.

Os videntes: os três pastorinhos de Fátima; Jacinta, Francisco e Lúcia

Lúcia, Francisco e Jacinta são as três crianças favorecidas pelas visões de Fátima. Lúcia nascera em 1907, Francisco em 1908, Jacinta em 1910. Francisco e Jacinta eram irmãos, e Lúcia era prima deles. Os três provinham de modestíssima família de Aljustrel, vilarejo próximo do lugar das aparições. Absolutamente ignorantes, tinham por ocupação o pastoreio.

Passavam, pois, fora de casa grande parte do dia, aproveitando o tempo, na medida em que o trabalho o permitia, para brincar e rezar. Nessa vida inocente, suas almas conservavam uma candura angélica, e iam adquirindo uma piedade e uma força de que deram ulteriormente provas admiráveis.

A Cova da Iria, lugar das visões, era então um ermo, e pertencia aos pais de Lúcia. Segundo tradições dignas de respeito, o Bem-aventurado Nuno Álvares Pereira estivera orando ali na véspera da famosa batalha de Aljubarrota.

As visões de Nossa Senhora em Fátima ocorreram em 1915, 1916 e 1917

As visões de Fátima se dividem em três grupos bem distintos. As primeiras se deram, não propriamente na Cova da Iria, mas em lugar muito próximo, denominado Lapa do Cabeço. Ocorreram em 1915 e 1916. Apareceu nelas um Anjo que se intitulou o Anjo de Portugal.

As outras se verificaram na Cova de Iria, em 1917. Apareceu sempre Nossa Senhora, e uma vez toda a Sagrada Família. Quer por sua seriação cronológica, quer pela qualidade das pessoas que se manifestaram, quer pelo conteúdo das mensagens, é fora de dúvida que as aparições de 1915 e 1916 foram uma preparação para as de 1917.

Estas constituem a parte central de toda a série de visões. Vem por fim um grupo complementar, constituído pelas aparições de Nossa Senhora aos videntes depois das que ocorreram em Fátima. Deram-se em datas diversas e a cada um deles em separado. Constituem complemento, aliás essencial, das anteriores.

Anjo de Portugal prepara a vinda da Virgem Santíssima

Em 1915, entre abril e outubro, deu-se uma primeira manifestação sobrenatural. Lúcia guardava o rebanho com três outras meninas, quando “viram pairando sobre o arvoredo do vale, que se estendia a seus pés, uma nuvem, mais branca do que a neve, algo transparente, com forma humana”. Francisco e Jacinta não estavam presentes. Em dias diferentes, esta aparição se repetiu duas vezes.

Em 1916, deu-se nova aparição, desta vez em presença de Lúcia, Jacinta e Francisco. Não havia outras crianças. Repetiram-se assim mais duas aparições.

O Anjo se manifestava sob a forma de um jovem resplendente, de uma consistência e um brilho como do cristal atravessado pelos raios do sol. Ensinou-os a rezar, com a fronte curvada até o chão, a seguinte prece: “Meus Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam”.

E acrescentou que os Corações de Jesus e de Maria estavam atentos à voz de suas súplicas. Recomendou-lhes que oferecessem “tudo que pudessem”, em reparação pelos pecados e pela conversão dos pecadores. Declarou que era o Anjo de Portugal, e que deviam orar por sua pátria.

Na terceira aparição, o Anjo trazia um cálice na mão, e sobre ele uma Hóstia da qual caíam dentro do cálice algumas gotas de sangue. Deixando o cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a seguinte oração: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferença com que é ofendido. E, pelos méritos infinitos de Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores”.

Depois, deu a Hóstia a Lúcia; e o cálice, deu-o a beber a Francisco e Jacinta, dizendo ao mesmo tempo: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajados por homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus”.

Nesta narração sucinta, reproduzimos só o essencial, omitindo a profunda impressão que as palavras do Anjo produziram nas três crianças, os numerosos sacrifícios com que a partir desse momento começaram a expiar pelos pecadores, a oração a bem dizer incessante, em que se transformou sua vida. Estavam assim sendo preparadas para as revelações de Nossa Senhora.

Nossa Senhora em Fátima pede a conversão dos pecadores

As aparições de Nossa Senhora foram em número de seis, respectivamente nos dias 13 de maio, junho, julho, setembro e outubro de 1917. A aparição do mês de agosto ocorreu no dia 19, e não no dia 13. Os três pastorinhos estiveram presentes a todas. À primeira, não estavam na Cova da Iria senão eles. Nas outras, o número de pessoas presentes foi crescendo a ponto de se transformar, na última, em verdadeira multidão, calculada em 70.000 pessoas.

Na primeira aparição, Nossa Senhora anunciou que viria mais cinco vezes, em cada mês seguinte, e mais tarde voltaria uma sétima vez. E, diga-se de passagem, esta última promessa ainda está para se realizar.

Em que ocasião será? Prometeu Ela o Céu aos pastorinhos, e lhes pediu que aceitassem os sofrimentos que a Deus aprouvesse enviar-lhes para reparação dos pecados e conversão dos pecadores. Os três aceitaram. Nossa Senhora lhes predisse então que sofreriam muito, mas a graça de Deus não os abandonaria. E por fim lhes recomendou que rezassem diariamente o Terço para alcançar o fim da guerra e a paz do mundo.

Devoção ao Rosário e ao Imaculado Coração de Maria

Na segunda aparição, Nossa Senhora insistiu sabre o Terço diário e recomendou às três crianças que aprendessem a ler. Ensinou-lhes também uma jaculatória, a ser rezada no Terço, entre mistério e mistério: “Oh meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno e os pobres pecadores, especialmente os mais necessitados”.

Nesta aparição, Nossa Senhora prometeu que levaria para o Céu, em breve, Francisco e Jacinta, e anunciou que Lúcia viveria por mais tempo, para cumprir na terra uma missão providencial: “Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”. E como Lúcia se mostrasse apreensiva, confortou-a Nossa Senhora prometendo: “O meu Imaculado Coração será teu refúgio e o caminho que conduzirá até Deus”.

Ainda nesta aparição, a Santíssima Mãe mostrou aos pastorinhos um coração cercado de espinhos que o penetravam: era o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade. E prometeu assistir na hora da morte, com as graças necessárias para a salvação, a todos os que, no primeiro sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço e Lhe fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos quinze mistérios do Rosário com o fim de A desagravar.

Nossa Senhora apareceu pela terceira vez a 13 de julho. Depois de haver recomendado mais uma vez a recitação diária do Terço, ensinou aos pequenos pastores uma nova jaculatória a ser rezada com freqüência, e especialmente quando fizessem algum sacrifício: “Oh meu Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores, pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”.

A visão do inferno e anúncios de castigos

Maria Santíssima, então, fez ver o inferno aos três pastorinhos: “Vimos um mar de fogo, e nele mergulhados os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que saíam delas mesmas juntamente com nuvens de fumo, caindo por todos os lados — como as fagulhas nos grandes incêndios —, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizavam e faziam estremecer de pavor. […]

Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa.

“Assustados, e como que a pedir socorro, levantamos a vista para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza:

— “Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração.

Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar; mas, se não deixarem de ofender a Deus, virá outra pior”.

Estas últimas palavras abriam naturalmente caminho para outro assunto. A Santíssima Virgem continuou: “Quando virdes uma noite iluminada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo dos seus crimes por meio da guerra, da fome e da perseguição à Igreja: os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, e várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará”.

O milagre do sol e o segredo de Fátima

Dezenas de milhares de pessoas testemunham o milagre do sol ocorrido em 13 de outubro de 1917
A 13 de agosto não houve aparição: os pequenos videntes estavam presos, à disposição do Administrador de Ourém, movido de zelo laico e republicano. Nossa Senhora apareceu entretanto, e inesperadamente, no dia 19 do mesmo mês.

Neste dia, a Santíssima Mãe de Deus prometeu um insigne milagre para outubro, comunicou suas instruções relativamente ao emprego do dinheiro que os fiéis deixavam no local das aparições, e mais uma vez recomendou orações e penitência: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas”.

A 13 de setembro, a Virgem Santíssima insistiu também na recitação diária do Terço para alcançar o fim da guerra, elogiou a fidelidade dos pastorinhos à vida de mortificação que lhes tinha pedido e recomendou que se moderassem algum tanto neste ponto. Confirmou a promessa de um milagre na aparição de outubro, e anunciou que os três veriam então a Sagrada Família. Prometeu também operar algumas das curas pedidas por eles.

Foi somente a 13 de outubro que Nossa Senhora revelou sua identidade aos pastorinhos, dizendo: “Eu sou a Senhora do Rosário”. Anunciou que a guerra terminaria em breve, e recomendou: “Não ofendam mais a Nosso Senhor, que já está muito ofendido”. Lúcia pediu a cura de algumas pessoas. A Senhora respondeu que curaria “uns sim, outros não”. E acrescentou: “É preciso que se emendem, que peçam perdão de seus pecados”. Apareceu em seguida a Virgem com São José e o Menino Jesus. Em certo momento, apresentava-se como a Senhora das Dores. Pouco depois, como a Senhora do Carmo.

Foi durante esta aparição que ocorreram os sinais prometidos para autenticar o que narravam os pastorinhos.

Na visão de julho, a Santíssima Virgem comunicou seu famoso segredo. Nossa Senhora pediu que a humanidade se convertesse de seus pecados e que o Santo Padre, com todos os Bispos, consagrasse a Rússia a seu Imaculado Coração. Se não, sobreviria nova guerra, que muitas nações seriam aniquiladas, a Rússia espalharia os seus erros, o Santo Padre teria muito que sofrer.

Acerca da consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, a Irmã Lúcia teve nova visão em 1929, segundo refere o Pe. João de Marchi (Era uma Senhora mais brilhante que o Sol, p. 308). Nessa visão, ocorrida na capela das Irmãs Dorotéias, em Thuy, na Espanha, Nossa Senhora mais uma vez pediu a consagração da Rússia ao seu Coração, a ser feita pelo Papa em união com os Bispos de todo o mundo.

Notas:
Era uma Senhora mais brilhante que o Sol, do Revmo. Pe. João de Marchi.
Francisco, do Revmo. Pe. J. Rolim.
(Este artigo é um resumo de três artigos publicados em 1953 da autoria de Plinio Corrêa de Oliveira na revista Catolicismo veja a
matéria completa)

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