Pérolas de sabedoria de Santo Antonio Maria de Claret

Pérolas de sabedoria de Santo Antonio Maria de Claret

No 24 de Outubro festejamos o dia de Santo Antônio Maria Claret. Queria deixar algumas reflexões de sabedoria dele para quem visita esta página.

Santo Antonio Maria Claret

Santo Antonio Maria Claret

De que vale o homem ganhar o mundo, se vem a perder a alma? Esta sentença me causou uma profunda impressão… foi para mim uma flecha que me feriu o coração…”

“Digo a mim mesmo: Um filho do Imaculado Coração de Maria é um homem que arde em caridade e abrasa por onde passa; que deseja eficazmente e procura por todos os meios inflamar o mundo no fogo do divino amor. Nada o detém. Alegra-se nas privações. Enfrenta os trabalhos. Abraça os sacrifícios. Compraz-se nas calúnias e se alegra nos tormentos. Seu único pensamento é seguir e imitar a Jesus Cristo, no trabalho, no sofrimento, procurando sempre e unicamente a maior glória de Deus e a salvação das almas”.

“O que sim lhe digo é que na América há um campo muito grande e muito fecundo e que com o tempo sairão mais almas para o céu da América que da Europa. Esta parte do mundo é como uma vinha velha, que não dá muito fruto e a América é vinha jovem”.

A experiência me ensinou que um dos meios mais poderosos para a propagação do bem é a imprensa, ao mesmo tempo que é a arma mais poderosa para se propagar o mal, quando dela se abusa. Por meio da imprensa pode-se produzir muitos livros bons e folhetos para o louvor de Deus. Nem todos querem ou podem ouvir a divina palavra, mas todos podem ler ou ouvir a leitura de um bom livro. Nem todos podem ir à igreja ouvir a palavra divina, porém o livro irá à sua casa. Nem sempre o pregador pode estar pregando, porém o livro sempre estará repetindo a mensagem, sem nunca se cansar, sempre disposto a repetir a mesma coisa, quer seja lido pouco ou muito, lido ou deixado uma ou mil vezes, não se ofende por isso, permanece o mesmo, sempre se acomoda à vontade do leitor.”

Para ler mais sobre Santo Antonio Maria Claret
Receba as atualizações deste blog diretamente no seu email

São Gaspar de Búfalo anjo da paz, pequeno apóstolo de Roma e martelo dos Carbonários

São Gaspar de Búfalo anjo da paz, pequeno apóstolo de Roma e martelo dos Carbonários

Celebramos no dia 21 de Outubro a festa deste santo cuja atenção me foi referida pela excelente página de Verdades Esquecidas 

São Gaspar de Búfalo

São Gaspar de Búfalo – Missioneiro e Fundador da Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo

Missioneiro em Roma e Italia, Fundador da Congregatio Missionariorum Pretiosissimi Sanguinis Domini Nostri Jesu Christi, Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Belíssimo nome apesar do comprimento, para uma congregação religiosa.

A devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus Cristo remonta aos primórdios da Igreja, em reverência ao sangue de Jesus Cristo derramado na cruz e também em alusão ao sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia.

No século XIX, São Gaspar de Búfalo foi o grande propagador desta devoção, cujo reconhecimento pela Sé Apostólica permitiu a composição da missa e ofício próprios por ordem do Papa Bento XIV. Posteriormente, por decreto do Papa Pio IX, a devoção foi estendida à toda Igreja.

Era conhecido como o martelo dos carbonários (a franco-maçonaria italiana), porque combateu com rigor as investidas dos inimigos da Igreja, obtendo muitas conversões de afiliados da sociedade secreta, a maçonaria.

S. Gaspar foi “o verdadeiro e maior apóstolo da devoção ao Preciosíssimo Sangue em todo o mundo”, seu lema era: “falar pouco, falar bem, falar na hora certa.

Ele disse um dia: “Por Nosso Senhor Jesus Cristo temos de fazer muito, depressa e bem.” Ao pregar missões populares sempre era acompanhado de um grande crucifixo.

Depois de garimpar informações na internet a respeito dele, encontrei uma profecia relacionada com tempos futuros e castigos que estão para vir. Como São Gaspar outros santos, beatos, bem-aventurados e místicos também falaram dos três dias de trevas

Profecia de sobre os três días de trevas

A morte dos impenitentes perseguidores da Igreja ocorrerá durante os três dias de trevas,  mas aqueles que veneram o Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, serão poupados desta catástrofe.

Quem sobreviver aos três dias de trevas e pranto, ver-se-a como único sobrevivente na Terra, pois em verdade, o mundo estará coberto de cadáveres. O mundo não tem visto nada semelhante desde os dias do dilúvio.”

São Gaspar de Búfalo foi beatificado por São Pio X em 1904, e canonizado pelo Papa Pio XII em 12 de junho de 1954. Seu dia de festa, como indicado no Martirológio Romano, é no dia da sua morte, 28 de dezembro, mas não foi incluída no Calendário Romano. Atualmente a festa de São Gaspar de Búfalo é comemorada no 21 de outubro.

A Rainha do Preciosíssimo Sangue, imagem que São Gaspar levava às missões

A Rainha do Preciosíssimo Sangue, imagem que São Gaspar levava às missões

A seguir a consagração ao Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo composta por São Gaspar de Búfalo

Consagraçao ao Preciosíssimo Sangue de Jesus Cristo

Senhor Jesus, que nos amais e nos libertastes dos nossos pecados com Vosso Sangue, eu Vos adoro, Vos bendigo e a me consagro a Vós com viva Fé.

Com a ajuda de Vosso Espírito, prometo entregar toda a minha existência, animada pela memória de Vosso Sangue, como um serviço fiel à vontade de Deus pelo advento de Vosso Reino.

Pelo Vosso Sangue derramado pela remissão dos pecados, purificai-me de toda culpa e renovai-me no coração, para que resplandeça sempre mais em mim a imagem do homem novo criado segundo a justiça e a santidade.

Pelo Vosso Sangue, sinal de reconciliação entre Deus e os homens, transformai-me em um instrumento dócil de caridade fraterna.

Pelo poder de Vosso Sangue, prova suprema de vossa caridade, dai-me a coragem de amar a Vós e aos irmãos até a doação de minha vida.

Ó Jesus Redentor, ajudai-me a levar cotidianamente a Cruz, para que a minha gota de sangue, unida ao Vosso, colabore na Redenção do Mundo.

Ó Sangue divino, que vivificais com a Vossa graça o Corpo Místico, transformai-me em pedra viva da Igreja.

Dai-me a paixão pela união entre os Cristãos.

Infundi em meu coração um grande zelo pela salvação de meu próximo.

Suscitai numerosas vocações missionárias na Igreja, para que a todos os povos seja dado conhecer, amar e servir o Deus Verdadeiro.

Ó Sangue Preciosíssimo, sinal de Redenção e vida nova, concedei-me a perseverança na Fé, na esperança e na caridade, para que, por vós escolhido, possa sair deste exílio e entrar na terra prometida do Paraíso, para cantar por toda a eternidade o meu louvor com todos os redimidos. Amém.

Para ler uma história mais completa de São Gaspar de Búfalo

Comentários sobre a fisionomia de Santa Maria Eufrásia Pelletier

Velhice: Decrepitude ou Apogeu?

Em número anterior (veja aqui), fizemos o confronto entre as fotografias de Churchill moço e velho, para mostrar como se engana o mundo moderno quando só vê no envelhecimento uma decadência.

Quando se prezam mais os valores do espírito, envelhecer é crescer

Quando se sabe prezar mais os valores do espírito do que os do corpo, envelhecer é crescer no que o homem tem de mais nobre, que é a alma, se bem que signifique a decadência do corpo, que é apenas o elemento material da pessoa humana.

E que decadência! Bem pode ser que o corpo perca sua beleza e seu vigor. Mas ele se enriquece com a transparência de uma alma que ao longo da vida soube desenvolver-se e crescer. Transparência esta que constitui a mais alta beleza de que a fisionomia humana seja capaz.

Rosa Virginia Pelletier (Santa Maria Eufrasia Pelletier)
Santa Maria Eufrásia Pelletier, nascida na Vandéa, França, em 1796, fundadora de uma Congregação docente feminina, faleceu em 1868. Sua festa se celebra no dia 24 de abril.

Nada do que significa formosura lhe faltou na mocidade: a correção dos traços, a beleza dos olhos e da cútis, a distinção da fisionomia, a nobreza do porte, o viço e a graça da juventude. Mais: o esplendor de uma alma clara, lógica, vigorosa, pura, se exprimia fortemente em sua face. É o tipo magnífico da donzela cristã.

Santa Maria Eufrasia Pelletier
Ei-la em sua ancianidade. Do encanto dos antigos dias resta apenas um vago perfume. Mas outra formosura mais alta brilha neste semblante admirável.

O olhar ganhou em profundeza; uma serenidade nobre e imperturbável parece prenunciar nele algo da nobreza transcendente e definitiva dos bem-aventurados na glória celeste!

O rosto conserva o vestígio das batalhas árduas da vida interior e apostólica dos Santos. Atingiu algo de forte, de completo, de imutável: é a maturidade no mais belo sentido da palavra.

A boca é um traço retilíneo, fino, expressivo, que traz a nota típica de uma têmpera de ferro. Uma grande paz, uma bondade sem romantismo nem ilusão, com algum resto da antiga beleza, esplende ainda nesta fisionomia.

O corpo decaiu, mas a alma cresceu tanto, que já está toda em Deus

O corpo decaiu, mas a alma cresceu tanto, que já está toda em Deus, e faz pensar na palavra de Santo Agostinho: nosso coração, Senhor, foi criado para Vós, e só está em paz quando repousa em Vós.

Quem ousaria afirmar que para Santa Maria Eufrásia, envelhecer foi mesmo decair?

Aspirações de Santa Maria Eufrásia

Ó meu Deus, fazei que cada batida de meu coração seja uma súplica para alcançar graça e perdão para os pecadores.
Que cada uma de minhas respirações seja um apelo à Tua infinita misericórdia,
que cada olhar meu, atraia para Vós as pessoas que eu fitar e lhes revele o Teu amor.
Que o alimento de minha vida seja trabalhar sem descanso pela Tua glória e pela salvação das almas. Amém.

Fontes:
Plinio Corrêa de Oliveira em Catolicismo, novembro 1952
http://www.buonpastoreint.org
Receba as atualizações deste blog diretamente no seu email

São Leão Magno

São Leão MagnoSão Leão Magno
Permaneceu célebre um episódio da vida de São Leão Magno. Ele remonta a 452, quando o Papa em Mântua, juntamente com uma delegação romana, encontrou Átila, chefe dos Hunos, e o dissuadiu de prosseguir a guerra de invasão com a qual já tinha devastado as regiões nor-orientais da Itália. E assim salvou o resto da Península. Este importante acontecimento tornou-se depressa memorável, e permanece como um sinal emblemático da acção de paz desempenhada pelo Pontífice.
São Leão Magno detem o avanco de Atila e salva Roma
A seguir dizeres muito apropriados de São Leão Magno para nossos dias.

Recomeçar sempre!

Não desista nunca,
Nem quando o cansaço se fizer sentir,
Nem quando os teus pés tropeçarem,
Nem quando os teus olhos arderem,
Nem quando os teus esforços forem ignorados,
Nem quando a desilusão te abater,
Nem quando o erro te desencorajar,
Nem quando a traição te ferir,
Nem quando o sucesso te abandonar,
Nem quando a ingratidão te desconsertar,
Nem quando a incompreensão te rodear,
Nem quando a fadiga te prostrar,
Nem quando tudo tenha o aspecto do nada,
Nem quando o peso do pecado te esmagar…

Invoque Deus, cerre os punhos, sorria… E recomece!

Ricomincia Sempre (em italiano)

Non ti arrendere mai,
neanche quando la fatica si fa sentire,
neanche quando il tuo piede inciampa,
neanche quando i tuoi occhi bruciano,
neanche quando i tuoi sforzi sono ignorati,
neanche quando la delusione ti avvilisce,
neanche quando l’errore ti scoraggia,
neanche quando il tradimento ti ferisce,
neanche quando il successo ti abbandona,
neanche quando l’ingratitudine ti sgomenta,
neanche quando l’incomprensione ti circonda,
neanche quando la noia ti atterra,
neanche quando tutto ha l’aria del niente,
neanche quando il peso del peccato ti schiaccia…

Invoca il tuo Dio, stringi i pugni, sorridi… e ricomincia!

Receba as atualizações deste blog diretamente no seu email 

Beato Estevão Bellesini, modelo de pároco santo

Corpo incorrupto do beato Estevao Bellessini

Beato Estevão Bellesini, modelo de pároco santo

Beatificado por São Pio X oito dias antes do Santo Cura d’Ars, foi o primeiro pároco na História da Igreja a ser elevado à honra dos altares.

Filho de José Bellesini, notário em Trento descendente de antiga família espanhola, e de Maria Orsola Meichlpeck, de ilustre casa belga, esse bem-aventurado nasceu na cidade de Trento, ao norte da Itália (então território austríaco), no dia 25 de novembro de 1774. Recebeu no batismo o nome de Luís.

Alegre, saudável, aplicado, piedoso, Luís passou a infância e parte da adolescência junto aos pais, estudando em escolas locais.

Dele só temos notícia quando, aos 17 anos, conseguiu convencer o pai a deixá-lo entrar no noviciado agostiniano do convento de São Marcos, no qual seu tio materno era superior. Mudou então seu nome para Estevão. De Trento foi para o noviciado em Bolonha. Um ano depois fez sua profissão solene.

Catequese e pregação em Trento
Beato Estevao Bellesini segurando um quadro de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano
Depois de breve estada em Roma, Estevão retornou a Bolonha, onde estudou filosofia e teologia. Ali recebeu o subdiaconato.

Porém, a tormenta revolucionária que sacudia a França penetrou nos Estados Pontifícios com as tropas de Napoleão. No final de 1796 foi proclamada a república em Bolonha. Os frades foram expulsos, e seus bens confiscados. Estevão Bellesini voltou para seu convento em Trento, onde ainda reinava a tranqüilidade.

Foi encarregado então da sacristia e da pregação, o que fazia com unção e zelo, sendo seus sermões muito apreciados e concorridos.

Grave enfermidade o pregou ao leito na época de sua ordenação; e como ele desejava ardentemente recebê-la, estando ainda muito débil, na data marcada fez-se levar em maca até a igreja para a cerimônia, que teve lugar no dia 5 de novembro de 1797.

Como sacerdote, continuou suas pregações ainda com mais fruto, confluindo público de toda a redondeza para acompanhar seu catecismo e seus sermões.

A Revolução, entretanto, chegou a Trento com a vitória das armas de Napoleão, e os conventos foram ali fechados. Para poder prosseguir sua pregação, o Padre Estevão precisaria prestar um juramento ímpio, semelhante ao da Constituição Civil do Clero, na França.

Obviamente, recusou-se de modo peremptório a fazer tal juramento.

Zelo para salvar a juventude da corrupção
detalhe do corpo incorrupto do beato Stefano Bellessini
Não podendo mais dedicar-se à pregação, voltou-se então para a juventude. Obrigado a retornar à casa paterna, que era muito espaçosa, pensou logo em transformá-la em escola gratuita para jovens que tinham ficado à margem dos estudos, de todas as classes sociais, principalmente as mais pobres.

Declara seu irmão Ângelo, no processo de beatificação: “Tendo o servo de Deus, nesses tempos calamitosos, observado que os políticos tinham-se dedicado a corromper e subverter a juventude, e que para isso tinham introduzido nas escolas públicas professores e mestres suspeitos de pertencer à seita maçônica, os quais insinuavam aos escolares suas máximas contra a Religião, ele, para impedir do melhor modo que podia esta destruição, empregou toda a sua atividade, indústria e caridade, recolhendo quantas crianças pôde, de ambos os sexos, especialmente da classe pobre”. (1)

Inicia assim sua Scola per gente (Escola para as gentes, como a passaram a chamar os meninos), onde os alunos pobres recebiam tudo, desde livros até o pão. As classes eram separadas para meninos e meninas.

O fim que o Beato se havia proposto, ao abrir tal escola, era o de educar cristãmente e no santo temor de Deus a juventude. Por isso, além de aprender a ler e a escrever, os alunos recebiam também aulas de catecismo.

Em pouco tempo, passaram a freqüentar sua escola quatrocentas a quinhentas crianças.

Estevão Bellesini não era um santo triste. Seus contemporâneos o descrevem como “jovial e alegre”, “risonho e aprazível”, “sempre longe das duas extremidades – severidade e condescendência”. Ele não tinha em vista senão a maior glória de Deus e o bem material e espiritual das crianças.

Num tempo de convulsão, com a casa sempre cheia também de soldados a quem devia alimentar, o Beato tinha que desdobrar-se e sobretudo confiar muito na Providência Divina, a fim de conseguir os meios necessários para manter sua casa.

Após a perseguição, reconhecimento de suas virtudes

Igreja de Nossa Senhora de Genazzano aonde o beato Estevao Bellessini foi pároco
As escolas dos concorrentes andavam vazias. O que fez com que se iniciasse uma campanha de difamação contra o Padre Estevão.

Caluniavam-no, injuriavam-no quando passava pelas ruas, chegando a atirar-lhe pedras. Denunciaram-no por fim ao governo, mas este, que conhecia bem o Pe. Bellesini, aprovou e louvou seu trabalho. Aos poucos as outras escolas tiveram que fechar, permanecendo como única escola comunal em Trento a do Beato.

Em 1812 o governo nomeou-o diretor geral de todas as Escolas do Trentino, compreendendo inclusive as Escolas Normais.

O Pe. Estevão estabeleceu que em cada classe de sua escola houvesse dois livros: um Livro de Ouro e outro Livro Negro.

No primeiro, deveriam ser inscritos os nomes dos alunos mais capazes e mais hábeis, mas – detalhe singular – também o daqueles que, apesar de fracos no estudo, “pela sua diligência e fadiga, fizeram tudo o que podiam”, pois tanto uns quanto outros demonstraram exemplaridade de conduta. E por isso mereciam ser honrados.

No Livro Negro, deveriam ser registrados os que tivessem má conduta, sobretudo os que proferissem palavras indecentes ou que roubassem algo do vizinho. Estes, se reincidissem na falta, seriam expulsos.

Apelo da vocação de religioso e exímia aceitação


altar da Mae do Bom Conselho de Genazzano
Quase tudo corria a contento para o Beato Bellesini. Mas nem tudo. Entrara ele para a Ordem dos agostinianos visando, sobretudo, tornar-se um religioso. E isso não era possível em Trento, onde o convento de São Marcos permanecia fechado. Soube ele, entretanto, que Pio VII voltara a Roma, e que a maioria dos religiosos também haviam retornado a seus conventos na Cidade Eterna.

Ele decidiu dirigir-se para lá, a fim de viver sua vocação de filho de Santo Agostinho. Para evitar que o retivessem, fez tudo em segredo. Quando chegaram as férias de 1817, ele partiu sem dizer a ninguém para onde viajaria.

Ao tomar conhecimento da “fuga” do Beato, o governo austríaco, para tê-lo de volta, fez-lhe várias promessas de cargos honoríficos e altos salários. Mas o coração de Estevão já estava noutro lugar.

Em Roma, no convento Santo Agostinho — o principal da Ordem — foi ele designado Mestre de Noviços, cargo que exerceu depois também em Città della Pieve, na Umbria e mais tarde em Genazzano.

Um de seus noviços declarou: “Era amável com todos; a sua mansidão, sua afabilidade e jovialidade, unida à graça no dizer, o tornavam caro e querido de quantos dele se aproximavam”.

E assim o descrevem na época: “É de alta estatura, grave no comportamento, olhos negros, bela face, simpático de fisionomia, com uma palidez que deixava conhecer quão débil era o invólucro corpóreo no qual, no entanto, habitava tão grande espírito”.

Junto à Mãe do Bom Conselho de Genazzano
imagem miraculosa de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano
Finalmente, tendo sido restabelecida a vida comum no convento de Genazzano, Estevão Bellesini nele foi admitido, sendo designado Mestre de Noviços. Acumulou ao mesmo tempo, por gosto, a função de sacristão. Demonstrou aí um empenho amoroso pela beleza e decoro do santuário e do culto.

Em 1831, tendo 57 anos de idade, foi designado pároco. Como tal, “prega, ensina o catecismo, assiste os doentes, visita as famílias, pede ajuda aos amigos de Roma e de Trento para a população pobre, faminta, sobrecarregada pelas taxas e tributos”.(2) Tornou-se o sustentáculo da vida comum, o pai dos pobres, o consolador dos aflitos.

Era cena muito comum na cidade de Genazzano ver-se o Beato com um feixe de lenha às costas, dirigindo-se a algum tugúrio. Chegava a dar a própria vestimenta aos destituídos da fortuna, quando não tinha outra coisa à mão.

Bellesini tinha feito um compêndio do catecismo, fácil de ser memorizado, com todos os artigos da fé. Junto à ajuda material, dava assim também aos necessitados a espiritual.

Devotíssimo do Santíssimo Sacramento, era diante do tabernáculo que hauria a força necessária para seu apostolado. Sua outra terna devoção era para com a Mãe do Bom Conselho, a Quem ele recomendava todos seus paroquianos.

Desenlace do servo fiel à Santíssima Virgem

O Beato Bellesini foi vítima de sua caridade para com os empestados. Depois de uma visita a um deles, sentiu-se depauperado e febril. Mas continuou suas funções até uma semana antes de entregar a Deus seu espírito.

Quando, na tarde do dia 2 de fevereiro, sentiu chegar o último momento, pediu a vela benta e quis pôr-se de joelhos, para recitar as últimas orações: o terço, a coroinha da Madonna della Cintura e a Novena da Purificação.

A alguém que lhe disse ser melhor não se fatigar, respondeu: “Como?! Hoje devo apresentar-me para beijar os pés de Maria Santíssima sem ter rezado o terço, a coroinha, e feito a meditação apropriada?”

Ao canto do Magnificat, entrou em agonia, e pouco depois comparecia para oscular os pés de sua Augusta Senhora. Foi beatificado pelo grande Papa São Pio X, em 27 de dezembro de 1904.(3)

A sua festa celebra-se no dia 3 de fevereiro.
_________
Notas:
(1) Vico Stella, Una vita per gli altri – Beato Stefano Bellesini, pároco agostiniano, Santuário Madre del Buon Consiglio, Genazzano, Piccole Arti Grafiche, Roma, p. 10.
(2) D. Riccardi, Un Santo fra poveri e ragazzi – Vita del B. Stefano Bellesini, Ancora, Milano, 1970, apud Vico Stella, op. cit., p. 31.
(3) Pe. José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, Editorial A.O., Braga, 1993, vol. I, p. 171.

Santo Antônio Maria Claret “O Santo de todos”

Santo Antônio Maria Claret

Uma das maiores figuras católicas do século XIX; a história da Espanha, nessa época, não pode ser compreendida sem o estudo da vida do grande missionário.

Santo Antônio Maria Claret foi um dos grandes esteios da Santa Igreja no seu tempo.

Pio XII, quando o canonizou em 1950, chamou-o de “Santo de todos”. Isso porque, diz o Pontífice, “nele olham os artesões, os sacerdotes, os bispos e todo o povo cristão, já que se encontram nele exemplos preclaros com que se alentar e encorajar-se, cada qual segundo seu estado, nessa perfeição cristã da qual unicamente podem sair, nas perturbações presentes, os oportunos remédios e atrair tempos melhores”.(1)

Esse santo, de uma atividade espantosa, foi “apóstolo da palavra, pregando inumeráveis sermões; apóstolo da pena, publicando muitíssimos volumes; apóstolo da Imprensa, criando academias, livrarias e bibliotecas; apóstolo da ação social católica e dos exercícios espirituais.

Catequista, missionário, diretor espiritual, fundador de congragações, arcebispo, pedagogo, anjo tutelar da família real espanhola
Santo Antônio Maria Claret em 1857 em Madri
Foi catequista, missionário, formador do clero, diretor de almas, fundador de congregações, pedagogo e ‘anjo tutelar da família real’, em frase de Pio XI; mas, sobretudo, eminentemente santo”.(2)

Pregador popular, fundou a Congregação Missionária dos Filhos do Coração Imaculado de Maria. Foi Arcebispo de Santiago de Cuba, confessor e conselheiro da rainha Isabel II, da Espanha. No Concílio Vaticano I, destacou-se como intrépido defensor da infalibilidade pontifícia.

Como não é possível abarcar aqui toda a obra desse incansável batalhador, limitar-nos-emos a algumas rápidas pinceladas.

Antônio João Adjutor nasceu no dia 23 de dezembro de 1807 em Sallent, diocese de Vich, província de Barcelona, na Espanha, quinto dos 11 filhos de João Claret e Josefa Clará. Proprietários de uma pequena tecelagem, eram eles “honrados e tementes a Deus, muito devotos do Santíssimo Sacramento do Altar e de Maria Santíssima”, como diz o santo em sua autobiografia.(3)

No Crisma, “por devoção a Maria Santíssima, acrescentei o dulcíssimo nome de Maria, porque Maria Santíssima é minha Mãe, minha Madrinha, minha Mestra, minha Diretora e meu tudo depois de Jesus”.

Piedade e verdadeira vocação sacerdotal
Santo Antônio Maria Claret em 1860 em Madri
“Eis que se me apresenta Maria Santíssima, […] e me disse: ‘Antônio, esta coroa será tua se vences’”.

De uma piedade precoce, desde a idade de cinco anos já se preocupava com a eternidade e o destino do homem. Adulto, pondera: “Não sei compreender como os outros sacerdotes que crêem nestas mesmas verdades que eu — e todos devemos crer — não pregam nem exortam para preservar as pessoas de caírem nos infernos”.

Sua devoção à Santíssima Virgem surgiu quase que com o uso da razão: “nunca me cansava de estar na igreja diante de Maria do Rosário, e falava-lhe e rezava com tal confiança, que cria bem que a Santíssima Virgem me ouvia”.

Compreende-se que, assim, a vocação sacerdotal despertasse nele muito cedo: “Sendo ainda muito pequeno, quando estava ainda no Silabário, fui perguntado por um grande senhor, que veio visitar a escola, o que queria ser. Eu lhe respondi que queria ser sacerdote”.

Acentuado espírito missionário

Santo Antônio Maria Claret em 1869
Adolescente, começou a trabalhar na tecelagem do pai; como fez muitos progressos nessa arte, foi especializar-se em Barcelona, grande centro da indústria têxtil. Com muita aplicação no trabalho e um talento fora do comum, dominou tão bem a arte têxtil, que iria longe se se dedicasse exclusivamente a ela.

Mas o apelo de Deus se fez mais premente, e ele resolveu romper de uma vez com o mundo e retirar-se para uma cartuxa. Mas acabou optando por ser sacerdote secular.

Em 1829 Antônio ingressou no Seminário de Vich. Nesse tempo, como pegou uma forte gripe, mandaram-lhe guardar o leito. Num desses dias foi atacado por terrível tentação contra a pureza. Recorria a Nossa Senhora, ao Anjo da Guarda, aos seus santos padroeiros, mas tudo em vão.

Finalmente, “eis que se me apresenta Maria Santíssima, formosíssima e graciosíssima, […] e me disse: ‘Antônio, esta coroa será tua se vences’.[…] E a Santíssima Virgem me punha na cabeça uma coroa de rosas que tinha no braço direito”. Essa não foi a única graça mística que recebeu. Em sua vida, há várias manifestações palpáveis do sobrenatural.

No dia 13 de junho de 1835, festa de seu patrono, Antônio recebeu a ordenação sacerdotal, e foi nomeado coadjutor em sua cidade natal.

Compreendeu então que sua vocação era a de ser missionário, e quis evangelizar os povos da Catalunha, órfãos desde a supressão das Ordens religiosas. Como isso não era factível por causa da guerra civil, foi a Roma pedir admissão na Congregação das Missões Estrangeiras.

Pregar “oportuna e inoportunamente”

Santo Antônio Maria Claret no exilio
Na Cidade Eterna, depois de fazer os Exercícios Espirituais com padres da Companhia de Jesus, resolveu nela ingressar, e começou o noviciado.

Mas sobreveio-lhe aguda dor em uma perna, e teve que voltar para a Espanha. Pouco depois o Padre Geral da Companhia de Jesus lhe escrevia: “Deus o trouxe à Companhia, não para nela ficar, mas para que aprendesse a ganhar almas para o Céu”.

Antônio Maria obteve então licença para pregar missões na Catalunha e nas ilhas Canárias. Operava curas milagrosas, tanto materiais quanto espirituais, expelindo demônios dos possessos, regularizando casais mal-casados.

A isso movia-o o intenso desejo de livrar almas do inferno, pois “obriga-me a pregar sem parar o ver a multidão de almas que caem nos infernos, porque é de fé que todos os que morrem em pecado mortal se condenam”.

Animava-o o exemplo de São Paulo: “Como corre de uma parte a outra, levando, como vaso de eleição, a doutrina de Jesus Cristo!

Ele prega, escreve, ensina nas sinagogas, nos cárceres e em todas as partes; trabalha e faz trabalhar oportuna e inoportunamente; sofre açoites, pedras, perseguições de toda espécie, calúnias as mais atrozes”. Pode-se dizer que essa descrição cabe também a Santo Antônio Maria Claret.

Diz ele: “Quando ia missionando, tocava nas necessidades e, segundo via e ouvia, escrevia um livrinho ou um folheto. Se na população observava que havia o costume de cantar cânticos desonestos, publicava um folheto com um cântico espiritual ou moral. Por isso os primeiros folhetos que publiquei, quase todos, são de cânticos”.

Fundador dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria
Santo Antônio Maria Claret no exilio
Em 1849 o Pe. Antônio Maria fundou, com mais cinco sacerdotes, uma Congregação religiosa cujos membros seriam seus auxiliares na obra das missões, com o nome de Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria.

Assim descreve como deve ser esse missionário: “Um Filho do Imaculado Coração de Maria é um homem que arde em caridade e que abrasa por onde passa; que deseja eficazmente e procura por todos os meios acender em todo o mudo o fogo do divino amor. Nada o pára; goza nas privações; procura os trabalhos; abraça os sacrifícios; compraz-se nas calúnias e se alegra nos tormentos. Não pensa senão em como seguirá e imitará a Jesus Cristo em trabalhar, sofrer e no procurar sempre e unicamente a maior glória de Deus e a salvação das almas”.

Nomeado Arcebispo de Santiago de Cuba em 1850, afirma em suas palavras de saudação que “a verdadeira Prelada será a Virgem Santíssima, e a forma de governo a que Ela me inspire”.

Na primeira missão que pregou na Ilha o fruto foi tão grande, que 40 confessores não foram suficientes para atender todas as confissões. A comunhão geral, distribuída por três sacerdotes, durou seis horas! Somente nessa missão, foram legitimados 8.577 matrimônios.

Os “espíritos fortes” fizeram várias tentativas infrutíferas para matá-lo, mas Nossa Senhora velava por ele.

Espirito profético. Desvendando o futuro de Cuba e Espanha

Santo Antônio Claret fez muitas profecias. Por exemplo, quando em Cuba, profetizou “grandes terremotos”. Estes vieram. Quando as autoridades quiseram remover os escombros, alertou: “Haverá outro”. Depois profetizou: “Se os pecadores não despertam com os terremotos, Deus passará a castigá-los no corpo com a peste ou cólera”.

Veio a epidemia de cólera-morbo, que em três meses fez 2.734 vítimas. Afirmou, no entanto, que isso fora uma misericórdia de Deus, porque “muitos que não se haviam confessado na missão, se confessaram para morrer; e outros, que se haviam convertido e confessado na missão, se haviam precipitado outra vez nos mesmos pecados. E Deus, com a peste, os levou”.
A rainha Isabel II da Espanha tinha como diretor espiritual a Santo Antônio Maria Claret
Em 1861, já como confessor da Rainha Isabel II, “o Senhor me fez conhecer os três grandes males que ameaçavam a Espanha, e são: o protestantismo, ou melhor, a descatolização, a república e o comunismo. Para atalhar estes males, me deu a conhecer que se haviam de aplicar três devoções: o Triságio, o Santíssimo Sacramento e o Rosário”.

Combatendo os erros dos socialistas

Escrevendo sobre uma visita que fez às províncias da Andaluzia, na Espanha, no ano de 1862, o indômito Arcebispo comenta o trabalho dos socialistas naquela região, aproveitando-se da apatia de governantes e eclesiásticos. Anota vários erros espalhados por eles, dos quais, por sua atualidade, citaremos um que poderia ser subscrito hoje pela CPT, MST e congêneres:

“Até agora os ricos desfrutaram as terras. Já é tempo que as desfrutemos e as dividamos entre nós. Essa divisão não só é de eqüidade e justiça, mas também de grande utilidade e proveito; pois os terrenos aglomerados pelos ricos ladrões são infrutíferos. Divididos entre nós em pequenos lotes, e cultivados por nossas próprias mãos, darão abundantes colheitas”.

Comenta o Santo: “Com essas perorações e demais meios tão aliciantes e fascinantes, e ameaçando e insultando aos que não cediam logo, foi como [o movimento socialista] tomou grandes proporções em tão pouco tempo”.

Santo Antônio Maria Claret faleceu no dia 24 de outubro de 1870, no mosteiro cisterciense de Fontfroide (França), sendo canonizado por Pio XII em maio de 1950. A sua festa litúrgica celebra-se no dia 23 de outubro.

Sobre sua sepultura, como epitáfio, puseram as conhecidas palavras do Papa São Gregório VII: “Morro no desterro por ter amado a justiça e odiado a iniquidade”.

Santo Antônio Maria Claret e Clara
A seguir duas belas orações compostas por Santo Antônio Maria Claret;

Oração de Santo Antônio Maria Claret para pedir as virtudes

Creio, Senhor, mas fazei que eu creia com mais firmeza.
Espero, Senhor, mas fazei que eu espere com mais segurança.
Amo, Senhor, mas fazei que eu ame com mais ardor.
Arrependo-me, Senhor, mas fazei que me arrependa com mais força.
Eu vos suplico, Senhor: que quereis que eu faça?
Ensinai-me a cumprir vossa vontade, porque vós sois o meu Deus.
Concedei-me um coração atento, para entender o vosso povo e discernir entre o bem e o mal.
Pai, dai-me humildade, mansidão, castidade, paciência e caridade.
Ensinai-me a bondade, a ciência e a disciplina e dai-me a imensa riqueza do vosso amor e da vossa graça.
Meu Deus, meu Jesus: com todo o meu ser, quero viver na Cruz, na Cruz morrer, da Cruz não descer por minhas mãos, mas pelas mãos dos outros e somente depois de ter consumado meu sacrifício.
Quanto a mim, jamais me aconteça gloriar-me em outra coisa que não seja a Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. Amém.

Invocações a Maria

Deus vos salve, Imaculada Maria, Filha de Deus Pai,
Deus vos salve, Imaculada Maria, Mãe de Deus Filho.
Deus vos salve, Imaculada Maria, Templo de Deus Espírito Santo.
Deus vos salve, Maria, Mãe e Advogada dos pecadores.
Bendita sois entre todas as mulheres.
Vós sois a glória de Jerusalém, a alegria de Israel e a honra do nosso povo.
Vós sois o amparo dos excluídos, o consolo dos aflitos, a luz dos navegantes.
Vós sois a saúde dos enfermos, o alento dos moribundos e a porta do céu.
Depois de Jesus Cristo, fruto bendito do vosso ventre, Vós sois toda a nossa esperança.
Ó clemente, ó piedosa, ó doce e Imaculada Maria!

_____________
Notas:
1- AAS 42 (1950), 480. Apud San Antonio Maria Claret – Escritos Autobiográficos y espirituales, Biblioteca de los Autores Cristianos (BAC), Madrid, 1959, Prólogo, p. xv.
2- Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S. A., Saragoça, 1955, vol. V, p. 543.
3- Autobiografia, BAC, edição acima. Todos os textos citados entre aspas sem menção da fonte foram extraídos desta obra.

Receba as atualizações deste blog diretamente no seu email

São Norberto de Xanten, Fundador dos Premonstratenses

São Norberto de Xanten
São Norberto de Xanten, Fundador dos Premonstratenses

Sua conversão deu-se de modo semelhante à de São Paulo. De muito nobre estirpe, tornou-se grande pregador popular, flagelo das heresias, reformador de costumes e fundador de mosteiros

Norberto nasceu em Xanten, na margem esquerda do Reno, próximo de Colônia, no ano 1080. Seu pai, Heriberto, era conde de Gennep e aparentado com a família imperial; e sua mãe, Hadwige, pertencia à Casa de Lorena.

Seus pais o destinavam à carreira eclesiástica, e ele recebeu as ordens sacras até o subdiaconato. Porém, rico, belo, inteligente, não queria senão levar boa vida, primeiro entre os pajens do Arcebispo de Colônia, depois na corte do Imperador alemão, Henrique IV.

Assim passou alegre e superficialmente sua juventude até os 33 anos. “Eu era então um ínclito cidadão de Babilônia — declarará ele depois de convertido – escravo do prazer e prisioneiro dos meus caprichos. Os terrores do inferno, a beleza da virtude e a promessa da felicidade eterna me pareciam contos de velhas, ou fábulas como as das mitologias antigas. Só ouvia os aplausos dos que me rodeavam e que me lançavam por caminhos laboriosos e difíceis, andando sempre sem tornar atrás, vago e fugitivo, despencando-me de cimo em cimo com uma inconsciência que hoje me cumula de terror”.

Queda do cavalo e conversão, como São Paulo
Conversão de São Norberto
Isso até soar a hora da Providência. E esta chegou da maneira mais inesperada. Viajava ele um dia a cavalo, acompanhado de um pajem, para uma vila chamada Freten, na Westfália, atravessando bela pradaria. O céu, límpido e sereno, de repente cobriu-se de espessas nuvens negras e começou a cair uma tempestade com raios e trovões pavorosos. O pajem, talvez inspirado por uma graça divina, gritou: “Senhor, aonde vais? Retornai, senhor, retornai, pois a mão de Deus está seguramente contra vós”. Mas Norberto seguia em frente, quando ouviu uma voz poderosa que lhe gritou do alto: “Norberto, Norberto, por que me persegues? Eu te destinei a edificar minha Igreja, e tu escandalizas os fiéis!”.

Ao mesmo tempo um raio caiu a seus pés, fazendo-o tombar do cavalo ao solo, onde permaneceu desacordado durante uma hora. Voltando a si, ainda assustado e considerando a vida que levara durante tanto tempo, foi tomado de arrependimento e perguntou, como o Apóstolo: “Senhor, que quereis que eu faça?”. Ouviu então a mesma voz: “Deixa o mal e faze o bem; procura a paz e segue-a”. Isso ocorreu em 1114.

O exemplo de sua vida convertia as almas

Afresco de São Norberto
Norberto tornou-se um outro homem. Passou a amar aquilo que desprezara e a desprezar aquilo que amara; transformou-se num rígido asceta, num censor severo de quanto havia buscado e amado, num pregador intransigente da verdade.

Para entregar-se com mais facilidade à pregação, ordenou-se sacerdote, vendeu seu castelo e seus pertences, distribuiu tudo aos pobres. Enquanto isso, visitava freqüentemente o monge Conon, Abade de Seigberg, próximo a Colônia, de quem aprendeu os rudimentos da vida religiosa e os princípios da vida espiritual, de modo que passou a receber de bom coração tudo o que lhe acontecia de importuno e a mortificar suas más inclinações.

Norberto transformou-se então num pregador ambulante, indo de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, fustigando o vício e pregando a virtude. Andava descalço em qualquer estação do ano, mesmo com neve, vivia de esmolas, dormia em hospitais e mosteiros.

Em suas pregações, não poupava nem mesmo os cônegos relaxados e os clérigos mundanos, combatendo a simonia, uma das pragas da época. Sua imponente presença impressionava; e quando contava sua história, comovia. Seu exemplo era mais eficaz que sua palavra. Mas muitas vezes foi vítima de agressões e maus tratos de pecadores empedernidos.

Pregador do Evangelho e taumaturgo

São Norberto de Xanten
Ele foi até a Abadia de Saint-Gilles, na diocese de Nimes, no Languedoc, onde o Papa Gelásio II se havia retirado para fugir da perseguição do Imperador Henrique. Dele obteve um breve, para poder predicar como pregador evangélico em todos os lugares.

Estando em Valenciennes, encontrou-se com o bispo Burchard, seu par na corte do Imperador. O bispo ficou extremamente surpreso em ver o antigo e elegante cortesão assim transformado. Abraçou-o ternamente. Um de seus capelães ficou tão impressionado com a história de São Norberto, que quis segui-lo como discípulo. Chamava-se Hugo, e absorveu tão bem o espírito de seu mestre, que foi seu sucessor na Ordem que Norberto fundaria.

São Norberto recomeçou suas andanças apostólicas, e sua palavra persuasiva era acompanhada de milagres. Um senhor flamengo, que depois de ouvir a palavra do Santo não quis reconciliar-se com seu vizinho, caiu nas mãos de seus inimigos e foi assassinado. Outro senhor, que quis partir para não se reconciliar com seu inimigo, seu cavalo não conseguia mover-se para levá-lo. Ele reconheceu o milagre, pediu perdão ao Santo e abraçou seu ex-inimigo.

Entretanto, tendo o Papa Gelásio II falecido na Abadia de Cluny, foi eleito o Arcebispo Guy, de Vienne, sob o nome de Calixto II. São Norberto foi visitá-lo para obter a mesma permissão que seu antecessor lhe dera, para continuar pregando. Mas o bispo de Laon, que queria o grande pregador para sua diocese, suplicou ao Papa que o enviasse para reformar a Abadia de São Martinho de Laon, que pertencia a cônegos regulares. O Sumo Pontífice consentiu.

Mas a empresa fracassou, porque os cônegos não quiseram abraçar a reforma que Norberto lhes propunha, pois desejavam seguir o seu sistema de vida quase de seculares.

Fundação da Ordem dos Premonstratenses
Santo Agostinho aparece a São Norberto e lhe apresenta uma regra escrita por ele mesmo, prometendo abundantes graças a seus seguidores
O bispo, para não perder a colaboração do Santo, propôs-lhe que fundasse um mosteiro em suas terras, onde poderia receber discípulos e fundar uma nova Ordem religiosa. Norberto aceitou e escolheu um vale de difícil acesso perto de Soissons, que se chamava Premostratum. Inspirado, ele exclamou: “Este é o lugar de meu descanso e o porto de minha salvação”.

No dia da conversão de São Paulo do ano de 1120, o bispo trocou os trajes de penitente de São Norberto e de seu discípulo Hugo por um hábito branco, conforme a Santíssima Virgem tinha mostrado ao Santo. Começou assim a Ordem dos Premonstratenses, que depois se espalharia por toda a Europa.

Norberto edificou uma ermida, conquistou novos discípulos e deu-lhes o hábito branco e as regras de Santo Agostinho, e um modo de ser que consistia em viver como monges e servir ao próximo como clérigos.

Ele era uma regra viva para seus monges e um modelo das virtudes religiosas. Recomendava-lhes freqüentemente três coisas: a pureza de coração e a limpeza exterior no que concernia aos divinos ofícios e ao serviço do altar; a expiação de suas faltas e negligências no capítulo; e a hospitalidade para com os pobres.

São Norberto estabeleceu também em Premontré uma comunidade de jovens e viúvas, para ser o bom odor de Jesus Cristo em sua Igreja.

Sua fama espalhou-se por toda a região. Muitos foram os nobres que lhe deram terras para fundar outros conventos, e não poucos os que o seguiram como religiosos.

O conde Thibault de Champagne quis imitar o fervor de São Norberto como discípulo seu. Mas o Santo lhe declarou que era vontade de Deus que ele O servisse no estado matrimonial. Mas, para que ele pertencesse à Ordem, deu-lhe um pequeno escapulário branco para usar sob as vestes e lhe prescreveu uma regra para viver de maneira religiosa em meio ao mundo. Fazendo depois a mesma graça a inúmeras outras pessoas, surgiu assim a Ordem Terceira Premonstratense.

Combate à heresia e à charlatanice

São Norberto de Xanten
Em Anvers, surgiu um pernicioso heresiarca, de nome Tanquelino, que se apresentou como profeta e reformador religioso. Simples leigo, ele combatia a existência de bispos e clero como coisa desnecessária e perniciosa. Pregava uma moral laxa e convertia as igrejas em lupanares. A bebedeira, a boa vida e a impureza imperavam entre seus discípulos. Ele sabia tão bem fanatizá-los, que chegavam a beber a água na qual ele tinha tomado banho. Ninguém ousava fazer face a esse inovador. Ninguém, exceto São Norberto.

Como um capitão, ele organizou o ataque a esse ímpio que queria destruir a Igreja de Jesus Cristo. Pregou ao povo com tanta eloqüência, que os hereges começaram, pouco a pouco, a pedir perdão e penitência para seus erros, entregando hóstias consagradas, que guardavam em suas casas para as escarnecer. De tal maneira refutou os erros de Tanquelino, que este não viu outro caminho senão fugir para outra cidade, onde fosse desconhecido.

Após a morte do Santo, seu corpo ficou exposto por vários dias sem nenhum sinal de corrupção.

Bispo de Magdeburgo — santa morte de São Norberto
São Norberto de Xanten, ladeado de São Wenseslau e São Segismundo
Em 1126, Norberto foi aclamado bispo de Magdeburgo e entrou em sua diocese montado num asno. De uma bondade comovedora para com o pecador arrependido, o novo bispo era de uma intransigência sem igual para com os recalcitrantes, usando a excomunhão quando necessário. Foi ameaçado de morte e vítima de atentado, mas protegido pela Providência.

Entretanto, apesar de ter apenas 52 anos de idade, seu corpo estava gasto pelos jejuns e penitências, pelas andanças apostólicas e pelo zelo. Depois de uma visita apostólica em sua diocese, foi acometido de violenta doença que, quatro meses depois, o levou ao sepulcro.

Um de seus religiosos viu sua alma transformar-se num lírio alvíssimo, que os Anjos levaram para o Céu.
________
Obras pesquisadas:
– Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d’après le Père Giry, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo VI.
– Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, tomo II.
– F.M. Geudens, The Catholic Encyclopedia, Volume XI.

Receba as atualizações deste blog diretamente no seu email