8 de Setembro – Natividade de Nossa Senhora

Maria Bambina
8 de Setembro – Natividade de Nossa Senhora

No seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus, o Pe. António Vieira diz:

“Perguntai aos enfermos para que nasce esta Celestial Menina. Dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde;

perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios;

perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo;

perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação;

perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;

perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança;

os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;

os discordes: para Senhora da Paz;

os desencaminhados: para Senhora da Guia;

os cativos: para Senhora do Livramento;

os cercados: para Senhora da Vitória.

Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho;

os navegantes: para Senhora da Boa Viagem;

os temerosos da sua fortuna: para Senhora do Bom Sucesso;

os desconfiados da vida: para Senhora da Boa Morte;

os pecadores todos: para Senhora da Graça;

e todos os seus devotos: para Senhora da Glória. E se todas estas vozes se unirem em uma só voz (…), dirão que nasce (…) para ser Maria e Mãe de Jesus”.

(Apud José Leite, S. J., op. cit., Vol. III, p. 33.).

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Nossa Senhora das Maravilhas (Madri)

Nossa Senhora das Maravilhas com os Santos Justo e Pastor

A história dessa milagrosa imagem é verdadeiramente extraordinária. Ela estava ameaçada de destruição em um pequeno povoado vizinho a Salamanca, ignorando-se completamente como lá havia chegado. E hoje é uma das mais formosas que se veneram na Espanha.

No final do século XVI, tal imagem contudo estava tão maltratada, com o rosto tão desfigurado, que o Juiz Eclesiástico ordenou fosse enterrada.

Quando sua disposição estava para ser cumprida, o tumulto que se formou no pórtico da igreja, onde ela se encontrava, assemelhava-se a um enxame de abelhas dispostas a abandonar sua colméia.

Eram os fiéis que, acostumados a rezar diante daquela imagem deteriorada, viam desaparecer, com dor, o sagrado objeto por tanto tempo cultuado.

Em vão o pároco do lugar tentou cumprir a ordem do Juiz Eclesiástico. Entre os que se lhe opunham com prantos e brados destacava-se João González e, muito particularmente, sua esposa, os quais pediam que a imagem lhes fosse entregue.

A solicitação foi-lhes recusada. Contudo, tantas e tão intensas foram as instâncias daquela mulher que, ao cabo de vinte e seis anos de perseverantes esforços, conseguiu ela que a autoridade eclesiástica satisfizesse seu desejo.

E assim, com o coração palpitante de alegria e com respeitoso amor por haver salvo a imagem, levou aquele inestimável tesouro até sua casa. Graças, pois, à sua piedosa devoção, evitou-se o desaparecimento da imagem, sem que se saiba ao certo por que, durante tanto tempo, ficou sem cumprimento a ordem do Juiz.

Em Madri, os milagres se multiplicam

Depois de passar por grandes vicissitudes, foi a imagem vendida em Madri a Ana Maria del Carpio, esposa de um escultor. Este, a seus rogos, retocou a imagem, apesar do estado lastimável em que encontrava.

Segundo a tradição, antes de a imagem passar ao seu poder, Ana Maria, em sonhos, viu-a rogando-lhe que não lhe recusasse um albergue em sua casa, porque assim convinha que fosse servida.

E abrindo-lhe as mãos, entre elas mostrava-lhe um Menino, que era seu Santíssimo Filho Jesus, a quem uma flor – a maravilha – servia de trono.

Três anos permaneceu a imagem na casa de Ana Maria. Os milagres que operou nesse período, porém, impeliram o Vigário Geral de Madri a intimar a esposa do escultor a depositá-la em algum convento ou igreja, para que recebesse o devido culto público e a veneração dos fiéis.

Obrigada a obedecer à determinação da autoridade, resolveu Ana Maria ceder sua imagem ao convento – hoje das Maravilhas – da Igreja de Santo Antão, o qual era ocupado por freiras carmelitas.

Cumprindo-se a ordem do Vigário Geral, no dia 1º de fevereiro de 1627 a imagem foi transladada, em uma carruagem, da casa de Ana Maria del Carpio para o convento.

E, durante o cortejo, todas as pessoas do povo observaram que uma pomba seguia ininterruptamente a carruagem até chegar à porta da igreja, quando pousou uns instantes sobre o teto do coche.

Depois, alçando vôo rapidamente, tão-logo a imagem entrou no templo, a ave dirigiu-se ato contínuo ao coro das freiras, deixando-se pegar por elas.

A imagem e a resistência anti-napoleônica

A sagrada imagem da Virgem, que se venera neste convento, não somente emprestou seu nome ao templo em que foi colocada – a Igreja das Maravilhas – como também ao bairro em que o convento está situado.

É digno de menção que, a partir de uma praça de guerra, localizada nas imediações do convento, a coragem do povo espanhol tenha se manifestado de modo tão heróico, pois ali, em 1808, se lançou o primeiro grito de resistência contra as hostes revolucionárias napoleônicas.

Brado que, ecoando intensamente por toda a nação, ao cabo de seis anos foi responsável pela expulsão do solo espanhol das tropas de José Bonaparte, usurpador do trono dos Reis Católicos. Brado que também devolveu o cetro a seu legítimo monarca que o havia herdado de seus ancestrais.

Os gloriosos lances históricos acima descritos fizeram com que os habitantes do bairro das Maravilhas, entusiasmados com a defesa heróica da Religião e da Pátria que levaram a efeito naquela ocasião, conduzissem a imagem de sua Padroeira em procissão de ação de graças, numa data muito significativa: 30 de julho de 1808, dia em que José Bonaparte teve que evacuar a capital espanhola – não tendo durado sua permanência em Madri mais que dez dias -, em conseqüência da batalha de Bailén.
_________________________
Fonte de referência:
Conde de Fabraquer, Historia. Tradiciones y Leyendas de Ias imágenes de Ia Virgen. aparecidas en Espana. tomo III, lmprenta y Litografia de D. Juan José Martínez, Madrid, 1861, pp. 325 a 350.

A Salve Rainha

Salve Rainha

Depois do Padre Nosso e da Ave Maria, não há oração tão profunda, formosa e simples como a Salve Rainha, que desde os primeiros momentos de sua aparição, em fins do século X, foi recebida pela Igreja e adotada pela Cristandade, e se reza a cada dia em todos os lares e em todos os templos católicos, desde os mais suntuosos até os mais humildes.

Nada há de estranho que assim seja, pois esta preciosa oração reúne as condições de toda oração para ser perfeita, segundo a doutrina do Anjo das Escolas [São Tomás de Aquino]: pedir com instância uma graça determinada e estar ela ordenada à vida eterna (cfr. Suma Teológica, IIa IIae, q. 83, a. 17).

Por meio dela, sempre que nos sentimos angustiados pelas provas e amarguras da vida, recorremos ao trono celestial da Virgem, tesouro inesgotável de proteção e de consolo, saudando-a primeiramente com aquelas invocações de Rainha e Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, que resumem todos os motivos que temos para acudir a ela com filial e ilimitada confiança; expondo-lhe depois nossa triste condição de desterrados neste vale de lágrimas, através do qual caminhamos dolorosamente, como Ela caminhou um dia; pedindo-lhe, por último, que nos proteja com o dulcíssimo olhar dos seus olhos misericordiosos, e no final de nossa peregrinação mostre-nos Jesus, que é a ressurreição e a vida eterna. […]

Tantas são, com efeito, as belezas desta peregrina oração, tão profundos seus pensamentos, tão felizes suas expressões, que os historiadores da Idade Média, mais artistas que críticos, tais como João Eremita e Alberico de Trois Fontaines (aos quais mais tarde seguiram-se o grande canonista Alpizcueta e a Venerável Maria de Ágreda), acreditaram que tivesse origem angélica. […]

Várias nações reivindicaram sua paternidade, apresentando seus filhos mais preclaros como autores da grande oração mariana.

Mas, revisados pela crítica os títulos apresentados, foram se desfazendo muitos deles, e na hora presente não há mais que três escritores que podem aspirar à honra de terem composto a Salve Rainha: o germânico Hermann Contractus, o francês Aymar de Puy e o espanhol São Pedro de Mezonzo*.
Salve Regina
Oração da Salve Rainha

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia,
vida, doçura, esperança nossa, salve!
A vós bradamos os degredados filhos de Eva.
A vós suspiramos, gemendo e
chorando neste vale de lágrimas.

Eia, pois, advogada nossa, esses
vossos olhos misericordiosos a nós volvei,
e depois deste desterro mostrai-nos Jesus,
bendito fruto de vosso ventre.
Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria.

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Salve Regina em latim

Salve, Regina, Mater misericordiae,
vita, dulcedo, et spes nostra, salve.
Ad te clamamus, exsules filii Hevae,
ad te suspiramus, gementes et
flentes in hac lacrimarum valle.

Eia, ergo, advocata nostra, illos
tuos misericordes oculos ad nos converte;
et Jesum, benedictum fructum ventris tui,
nobis post hoc exilium ostende.
O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria.

Ora pro nobis sancta Dei Genetrix.
Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

__________
Nota: o texto acima foi extraído do prólogo da seguinte obra:
Pe. Dr. Javier Vales Failde, La Salve Explicada, Tipografia de “El Eco Franciscano”, Santiago de Compostela, 1923.
* Nota da redação: Segundo uma tradição surgida no século XVI, São Bernardo, movido por inspiração divina, teria acrescentado as três invocações finais “Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria”. Mas há contra isso o silêncio dos contemporâneos do santo, e o fato de que o argumento da oração e sua conclusão sugerem um mesmo autor. (Cfr. H. T. Henry, Salve Regina, The Catholic Encyclopedia, Volume XIII, Copyright © 1912 by Robert Appleton Company, Online Edition Copyright © 2003 by K. Knight).

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Nossa Senhora de Quinche, Padroeira do Equador

Nossa Senhora do Quinche

Nossa Senhora de Quinche, Padroeira do EquadorA imagem de Nossa Senhora de Quinche é, fora de dúvida, a mais renomada do Equador, e seu Santuário, dos mais visitados. Sendo sua devoção infelizmente pouco conhecida no Brasil, apresentamos abaixo um resumo de sua história e de seus inumeráveis milagres

Não longe de Quito, rumo ao noroeste, existia uma tribo indígena chamada dos Oyacachis. Esses índios, ao que tudo indica, foram os que martirizaram o sacerdote jesuíta Rafael Ferrer. Mas, anos depois, já convertidos, desejavam possuir uma imagem de Nossa Senhora, o que não era muito fácil de se obter naqueles tempos.

Nascimento singelo da devoção

Um escultor de nome Diego Robles havia esculpido uma imagem para uma outra tribo indígena, mas como os silvícolas não quiseram ou não puderam pagá-la, vendeu-a aos Oyacachis. A imagem era de madeira, tendo 62 centímetros de altura. Os nativos, muito pobres e rústicos, colocaram-na numa gruta, à falta de outro lugar.

E querendo vesti-la de modo parecido a uma dama espanhola, trajaram-na com uma túnica de grosso pano, o único que possuíam, o qual porém não decorava bem a imagem. Nossa Senhora, Mãe por excelência, não se preocupou com o humilde traje, decidindo premiar a devoção dos indígenas.

Começou então a operar contínuos milagres. Muitas vezes saía de sua gruta e voltava somente no outro dia. Quando voltava, os índios perguntavam-lhe onde tinha estado, e a imagem simplesmente mostrava-lhes os pés cheios de lama, dando a entender que tinha ido socorrer diversas pessoas. Além disto, sabia-se na região que a gruta da imagem ficava em muitas ocasiões iluminada, e às vezes ouviam-se sons musicais sair dela.

Como começavam a aparecer peregrinos de outros locais, atraídos pelos numerosos milagres, decidiram os índios construir uma capela mais digna para a Mãe celeste.

Certo dia passou pela região o escultor da imagem. Os silvícolas encomendaram-lhe um pequeno altar para a Virgem, tendo ele se negado a construí-lo. E foi embora. Quando, porém, passava por uma ponte primitiva, seu cavalo deu um salto e ele caiu.

O escultor só não rolou pelo precipício porque uma de suas esporas ficara presa numa das cordas da ponte. Ficou dependurado assim sobre o abismo, e não conseguia sair do apuro. Lembrou-se então da imagem da Virgem dos Oyacachis…

Prometeu a Nossa Senhora que, caso o livrasse do perigo, ele voltaria e faria o altar. Apesar de ser aquele um local isolado, logo surgiram várias pessoas que o salvaram. Em cumprimento da promessa, o escultor voltou e construiu o altar.

Encantadora simplicidade, milagres portentosos

Nossa Senhora do Quinche

Toda a tribo colaborou na construção da capela. Uma índia, de costumes muito puros, tinha por encargo levar comida para os que se achavam no bosque cortando madeira.

Como seu pequeno campo estava pronto para a colheita, e ela não tinha a quem recorrer para ficar impedindo os pássaros de comer tudo, na sua simplicidade, foi até a imagem. E a nativa pediu-lhe que cuidasse de sua plantação.

Incrível misericórdia da Rainha dos Céus e da Terra: várias vezes, ao voltar, a indiazinha encontrava a própria Virgem Santíssima cuidando do trigal, da mesma forma que ela A via representada na imagem!

Um casal de índios foi ajudar a construção da capela, deixando seu filho junto a uma árvore enquanto trabalhavam. Ao retornar, um urso devorava o indiozinho. Afugentaram a fera, mas… o pequeno tinha perdido um braço e morrera. Os pais não duvidaram: levaram o pequeno cadáver junto à imagem e suplicaram um milagre. Nossa Senhora não se fez rogar por muito tempo: devolveu a vida e o braço ao menino!

Este estupendo milagre fez com que a devoção se difundisse enormemente e sua fama chegasse muito longe.

Trasladação da imagem, multiplicação dos milagres

SAntuario Nacional do Quinche

Após 30 anos, o então Bispo de Quito, Frei Luiz López de Solís, fez trasladar a imagem ao povoado de Quinche.

Motivo? Os infelizes índios eram dotados de temperamento muito volúvel. Se num momento iam bem, nada garantia que no minuto seguinte não se comportassem mal. Assim, aquela tribo, tão favorecida por Nossa Senhora, em meio a uma festa com bebedeira, recaíra no paganismo… Os silvícolas tomaram a cabeça de um urso e decidiram adorá-la. Retiraram as jóias da imagem e ofereceram-nas a esse fetiche.

Como castigo, o Bispo retirou-lhes a imagem e trasladou-a a um povoado próximo.

Mas Nossa Senhora é Mãe! Mesmo após o pecado, Ela não se esqueceu dos pobres Oyacachis e continuou a favorecê-los com milagres.

Havia, no povoado de Yaruquí, um indígena que sofria de hidropisia. Gastara toda sua fortuna de vacas e ovelhas com feiticeiras, as quais não o tinham curado. Desiludido, o índio recorreu à imagem e prometeu-lhe abandonar as feitiçarias, caso fosse curado.

Juntou o pouco dinheiro que lhe restava e mandou rezar uma Missa. Permaneceu na igreja o dia inteiro e já no outro dia estava curado. O milagre foi testemunhado pelo Pe. Francisco Cáceres, sacerdote naquele povoado.

Uma senhora distinta, devido a certa doença, não podia falar há três anos. Rezou uma novena diante da imagem, colocou em seus ombros um manto branco que aquela costumava usar, e logo ficou curada, sem que nunca mais voltasse a sofrer da doença.

Toda a população se traslada junto com a imagem…

Nossa Senhora do Quinche

Aumentando o número de peregrinos, decidiu-se fazer novo templo para a milagrosa imagem, que se tornou a Padroeira do país. Como o único terreno disponível ficava a certa distância do anterior Santuário, logo que a imagem foi mudada de local, em 1630, o povo também trasladou-se, surgindo assim, em torno da nova igreja, tornada Basílica nacional, uma nova cidade.

Já em nosso século, em fevereiro de 1909, houve um desastre ferroviário perto da cidade de Riobamba. Entre os feridos estava um senhor colombiano, que ao saltar do vagão em que viajava, teve o calcanhar destroçado por uma das rodas.

Apesar dos cuidados médicos, logo gangrenou a ferida e lhe avisaram que seria preciso amputar o pé. O colombiano, contudo, resistiu. Então, uma senhora sugeriu-lhe que fizesse uma peregrinação ao Santuário de Quinche, pedindo um milagre a Nossa Senhora. Ora, não é agradável fazer uma viagem por caminhos difíceis e longos, a cavalo e com gangrena no pé. E, naquela época, não havia outra alternativa.

O devoto colombiano, contudo, não teve dúvida e partiu em peregrinação. Já ao iniciar a viagem sentiu alguma melhora. Chegando à cidade de Quito, desceu do trem, alugou cavalos, um par de muletas e partiu rumo ao Santuário, a dois dias de marcha. Próximo ao templo, decidiu, em homenagem a Nossa Senhora, fazer o último trecho a pé, avançando de muletas. Ao chegar ao Santuário não sentia mais dores…

Examinaram-lhe o pé, tiraram as ataduras… a gangrena havia desaparecido. E, em seu lugar, surgira nova carnatura e o calcanhar perdido no desastre. O feliz peregrino deixou no Santuário, como lembrança, as muletas, e deu de presente a Nossa Senhora um manto e uma túnica de fios de prata.

Falta-nos espaço para relatar outros tantos e tantos milagres operados pela imagem, especialmente por ocasião das epidemias de peste que assolaram Quito. Entretanto, os prodígios acima relatados serão suficientes para aqueles que confiam na bondade e misericórdia da Mãe de Deus. Esperamos ter contribuído assim, ao menos um pouco, para fazê-La conhecer e amar.

Para concluir, apenas uma pergunta: se Ela operou e opera tantos milagres, não será, caro leitor, que Nossa Senhora de Quinche está à espera de sua oração para realizar mais um?

Oração a Nossa Senhora da Presentação do Quinche
 O Virgemzinha do Quinche
grande defensora dos desamparados
e esperança dos Vossos pobres filhos
pelo precioso Menino Jesus que levas nos braços
recebe este mensagem de nosso amor.
Dai-nos a graça de nunca
olvidarmo-nos de Vós,
mesmo nas mais variadas circnstâncias de nossa vida
e sobretudo concedei-nos a dita de expirar
pronunciando teu Santo Nome
sob Vosso maternal olhar. Assim Seja

A festa de Nossa Senhora do Quinche é celebrada no dia 21 de novembro

__________
Bibliografia:
– Pe. Carlos Sono, Historia de la Imagen y del santuário del Quinche, Quito, 1903.
– Pe. Ruben Vargas Ugarte, S.J.; Historia del Culto de Maria en Iberoamérica, Talleres Gráficos Jura, Madrid, 1956, Tomo II.
– Pe. José Julio Maria Matovelle, Obras Completas, Cuenca, 1981.

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Nossa Senhora de Avioth, devoção medieval que esta na origem de uma tradição da Igreja

Nossa Senhora de Avioth
Nossa Senhora de Avioth, devoção medieval que esta na origem de uma tradição da Igreja

A fé pode mover montanhas, e Nossa Senhora não fica alheia aos esforços das pessoas cheias de fé. É o que nos mostra a história desta devoção mariana na França

O contraste não poderia ser mais notório: uma igreja enorme, para uma cidadezinha muito pequena. Os 125 habitantes de Avioth, vila francesa a poucos quilômetros da fronteira com a Bélgica, podem entrar todos juntos na igreja e ainda sobra muito, mas muito espaço mesmo.
Basilica de Nossa Senhora de Avioth
A primeira pergunta que ocorre ao espírito é se a cidadezinha já foi bem maior e, sei lá por que motivos, hoje mora pouca gente no local. Mas não é isso. A resposta está ligada à história da imagem de Nossa Senhora de Avioth.

No ano de 1100 os lavradores descobriram uma imagem num matagal de espinhos, no local chamado “d’avyo”, que com o tempo se transformou em Avioth.

Passada a surpresa, decidiram levá-la à igreja de Saint Brice, a dois quilômetros dali. Mas na manhã seguinte a imagem tinha voltado ao exato local de onde a tinham tirado.

Resultado: decidiram deixá-la no lugar e venerá-la ali mesmo. Análises mostram que a imagem foi esculpida em madeira, antiga de uns 900 anos. Nossa Senhora tem um cetro na mão e segura o Menino Jesus.

Uma devoção que se expande a toda a Igreja e que nasceu de um peregrino; São Bernardo de Claraval
São Bernardo de Claraval, célebre peregrino de Avioth, que esta na origem do costume de rezar a Salve Rainha após as Missas
Houve vários milagres no início, e as peregrinações começaram a afluir em número crescente. Talvez o peregrino mais célebre tenha sido São Bernardo de Claraval, fundador dos monges cistercienses e pregador da II cruzada contra os muçulmanos. Quando esteve em Avioth, decidiu que na sua ordem fosse sempre rezada a Salve Rainha após a missa, costume que depois se estendeu a toda a Igreja.

Graças às peregrinações, pessoas foram se instalando no local, e a partir de 1180 Avioth já era um povoado. Com as peregrinações, veio o desejo de se construir uma igreja digna da Santíssima Virgem. A capela original foi erguida no século XII, e a enorme igreja entre os séculos XIII e XIV, sendo que o auge das peregrinações se deu no início do século XV.

Hoje, alguns perguntariam por que construir algo tão grande. Mas, para os habitantes do local e os peregrinos da época, essa pergunta não se punha. Eram pessoas de fé ardente, e nada lhes parecia demasiado grande para Nossa Senhora.

Meninos mortos sem batismo
Nossa Senhora de Avioth, rogai por nós
Além disso, o número dos peregrinos era enorme, devido a uma particularidade da devoção.

A imagem era conhecida inicialmente como padroeira das causas desesperadas. Por isso iam lá pessoas seriamente doentes, de modo especial as contaminadas com lepra, doença incurável na época, e que exigia completa separação do resto da sociedade para evitar o contágio.

Igualmente conduziam-se para lá doentes mentais, que eram deixados numa sala ao lado da imagem, para que esta os tranqüilizasse.

Mas o motivo principal das peregrinações era levar lá os corpos das crianças que tinham morrido sem receber o batismo. Ensina a doutrina católica que o Céu, fechado para nós devido ao pecado de Adão, tornou-se aberto pelos méritos infinitos da Paixão de Nosso Senhor. As pessoas que recebem o batismo e morrem em estado de graça vão para o Céu.

Ora, as crianças que morrem numa idade tão tenra não podem ter cometido pecado, por isso basta que sejam batizadas para ir ao Céu. Mas para ser batizada é preciso que a criança esteja viva – geralmente se considera o prazo de umas duas horas para a alma abandonar o corpo.

Mas se a criança morresse sem que alguém a batizasse? Nada pior para os pais, já que o morto, além de ter perdido a vida terrena, poderia perder a vida eterna no Céu e ser conduzida ao Limbo!

Por isso os pais vinham de até 60 km ao redor de Avioth, trazendo os corpos dos pequenos mortos, que deixavam aos pés da imagem durante uma hora. Durante esse tempo, rezavam e esperavam algum sinal de vida.

Este sinal poderia ser um pouco de suor, efusão de sangue, algum calor corporal, movimento de veias ou de membros, um pouco de vermelhidão, etc. Dando-se isto, considerava-se que havia vida, por menos intensa que fosse, e o sacerdote podia batizar o falecido, o qual assim ganharia o Céu de forma segura.

Durante o século XVII, eram batizadas desta forma umas 12 crianças por ano. O objetivo desta devoção não era pedir a Nossa Senhora a ressurreição, mas um pequeno intervalo de vida suficiente para o morto poder ser batizado. Depois, pouco antes da Revolução Francesa, esta prática foi proibida.

“Ladrões” piedosos…
Nossa Senhora de Avioth
Na história da imagem existe um episódio realmente pitoresco. Corria o ano de 1905, e na França tinha sido aprovada uma lei anti-religiosa, pela qual os bens da Igreja passavam a ser propriedade da nação. Com isso, iam oficiais a todas as igrejas e catalogavam os objetos nelas contidos, podendo depois permitir o uso (não a propriedade) deles pelos católicos.

O pároco local, padre Soyez, e uns piedosos vizinhos decidiram que a imagem não seria catalogada no inventário de objetos presentes na igreja, e imaginaram um simulacro de roubo.

Uma noite os “ladrões” entraram na igreja e levaram só a imagem. Deixaram no local a roupa, a coroa e o cetro, objetos de valor material, tudo em perfeita ordem. Definitivamente, eram “ladrões” piedosos… Claro que a polícia dos revolucionários suspeitou que o roubo não havia sido praticado com o fim de obter dinheiro.
solene coroação da imagem em 1934
A imagem foi deixada numa casa de família, onde só seus quatro habitantes e o padre tinham conhecimento do fato. A polícia realizou algumas buscas, mas sem conseguir encontrá-la. Certo dia, passando com alguns senhores das redondezas diante dessa casa, o padre Soyez cometeu a imprudência de dizer: “saudemos a Virgem de Avioth”.

Obviamente, os outros desconfiaram que ela estava na casa diante da qual passavam, mas nada disseram. Quando se acalmou a perseguição religiosa, a imagem voltou em procissão para a igreja.
festa de Nossa Senhora de Avioth em 1934
Uma história menos edificante aconteceu quando os alemães ocuparam o local durante a Primeira Guerra Mundial. Algum oficial anti-religioso decidiu transformar a basílica em cavalariça! Pregaram nas paredes ferros para amarrar os cavalos.

Esses ferros foram deixados até hoje, para fazer constar a barbárie dos que não têm religião.
peregrinação de Nossa Senhora de Avioth (16 de julho)
Em 1934 a Virgem foi coroada solenemente, e todos os anos a procissão da imagem se realiza a 16 de julho.

A Salve Rainha passa a rezar-se em toda a Igreja após a Missa a partir desta devoção medieval

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia,
vida e doçura esperança nossa, salve!
A Vós bradamos os degredados filhos de Eva.
A Vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia pois, advogada nossa.
Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei,
e depois deste desterro nos mostrai Jesus,
bendito fruto em vosso ventre,
ó clemente, ó piedosa, ó doce e sempre Virgem Maria.
Rogai por nós Santa mãe de Deus,
Para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Cristo
Amém

Salve Regina em latim

Salve, Regina, Mater misericordiae,
vita, dulcedo, et spes nostra, salve.
Ad te clamamus, exsules filii Hevae,
ad te suspiramus, gementes et flentes
in hac lacrimarum valle.
Eia, ergo, advocata nostra, illos tuos
misericordes oculos ad nos converte;
et Jesum, benedictum fructum ventris tui,
nobis post hoc exilium ostende.
O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria.
Ora pro nobis sancta Dei Genetrix.
Ut digni efficiamur
promissionibus Christi.

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Nossa Senhora de Nouillan

Nossa Senhora de Nouillan ladeada de Santa Lucia e Santa Apolonia

(Aparições em Montoussé, França, 1848 – 23 de junho)

Era verão, quase meio-dia, na paróquia de Montoussé. Três meninas brincavam nas proximidades das ruínas da capela de Nouillan. Cha­mavam-se Francisca Vignaux-Miquiou; sua prima, FranciscaVignaux, ambas com doze anos; e Rosa Dasque-Poulouzin, com oito anos de idade.

– Oh! diz subitamente uma das crianças, vejam lá!

Sob um agreste arbusto com espinhos, a poucos passos de uma fonte natural, viram uma Dama. A Senhora parecia com a imagem milagrosa de Maria que outrora se venerava na capela. Em silêncio olhava para as pequenas. De repente, Ela desapareceu.

Naquele ano e no seguinte, testemunhas de idades diferentes, pessoas maduras, tiveram visões da Virgem, todas semelhantes à imagem que então se encontrava na igreja de Montoussé. Ocorriam elas geralmente durante a recitação do Rosário, no mesmo lugar. Nossa Senhora permanecia silenciosa. Numa noite, foi vista ladeada por Santa Ágata e Santa Luzia, como tinha estado na capela de Nouillan.

Qual a razão de tanta bondade no fato de a Rainha do Céu assim se manifestar? É claro que tais aparições visavam alcançar maior afervoramento dos fiéis, bem como de toda sorte de benefícios espirituais e materiais em seu favor. Foi o que sempre sucedeu com as aparições de Nossa Senhora.

Além disso, todos entenderam que Ela desejava a reconstrução da capela onde se venerava sua imagem. Não era lógico retribuir pelo menos com isso o insigne favor que consistia no fato de Ela aparecer junto às ruínas de sua capela?

Assim foi feito, esmagando a Virgem, dessa forma, mais uma vez, a cabeça da serpente: a capela de Nouillan tinha sido pilhada e destruí da pela Revolução Francesa.
Capela de Nouillan
Lá, desde origens e circunstâncias não registradas, que se perdem na noite dos tempos, era cultuada Nossa Senhora. Sua imagem foi ficando conhecida por muitos milagres alcançados através de sua veneração. A capela começou com um prodígio: caiu neve em pleno verão e só no espaço onde devia assentar-se o santuário! Se certo dia os cariocas vissem o Pão de Açúcar nevado, a surpresa não seria diferente. Santa Maria Maggiore, a grande Basílica mariana de Roma, teve também seu local demarcado por neve estival.

Numerosos documentos atestam os benefícios que ao longo dos séculos Nossa Senhora de Nouillan concedeu. Mas essa história pacífica sofreu a agressão da Revolução da “liberdade” e da “fraternidade” .

Jean Malaplate valentemente resgatou a imagem quando se deu o assalto demolidor. Algum tempo depois, quando a imagem, sem seu lugar próprio, tinha passado para Mantoussé, roubaram-na. Quem? Os partidários da “liberdade”. Para quê? Para queimá-la. Era um ato “fraterno” contra a “superstição”. Para isso partiram do povoado de La Barthe. Mas com risco de vida, Malaplate novamente resgatou a imagem.

Em 1820, outra tentativa revolucionária de roubar a imagem foi impedida. Desta vez por uma moça de dezesseis anos, Bertrande Correge, que a escondeu quando soube dessa urdidura.

Por aqueles anos de violências contra a Religião (que em nossos dias estão sendo reeditadas, junto com outras formas de agressão mais deletérias), a natureza mostrou-se também violenta. Saraivadas devastadoras, flagelo desconhecido na paróquia, durante sete anos consecutivos causaram grandes prejuízos. Ocorreram outras perturbações, como enchentes do rio Neste.

Mas Aquela que é simbolizada pelo arco-íris e a Arca da Aliança, em 1848, com suas aparições fez voltar a bonança a Nouillan-Montoussé. Já no dia da inauguração da capela, reedificada, houve uma cura prodigiosa. Assim, aos poucos, o que a Revolução fizera perder foi recuperado e depois incrementado.

A restauração de Nouillan teve lugar em 1856.

Em 1858, na mesma diocese, a de Tarbes, deram­-se as grandes aparições de Lourdes. Proximidades no espaço e no tempo misteriosas para nós. Mas claras no Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, que assim as determinou.
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Fonte de referência:
Pierre Molaine, L’Itinéraire de Ia Vierge Marie. Éditions Corrêa, Paris, 1953, pp. 185 a 193.

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Nossa Senhora de Las Lajas; Rainha e Mãe

Nossa Senhora de Las Lajas

“Las Lajas” quer dizer, em português, “as lajes”. A pintura de Nossa Senhora de Las Lajas, está impressa num rochedo existente numa gruta localizada ao sul do território colombiano, junto à fronteira do Equador, são reproduzidas nesta contracapa as duas figuras principais. É um como que quadro. Tem todas as características de ter sido pintado mediante o concurso de um Anjo.

Qual é a beleza da referida pintura?

Devemos distinguir nela dois aspectos: as pessoas de Nossa Senhora e Nosso Senhor, e o colorido.
O colorido todo expressa uma idéia de realeza muito pronunciada. As cores de fundo do quadro são faustosas. Por outro lado, esse vermelho – que tende para o vinho – do traje de Nossa Senhora é uma cor quente, rica, sendo toda essa vestimenta bordada a ouro, o que reforça também a impressão de um traje de rainha.

Quanto às pessoas de Nossa Senhora e do Menino Jesus, chama a atenção primeiramente a grande coroa na cabeça da Mãe de Deus, que não figurava na pintura original. Tão grande que se diria exagerada, se não estivesse tão bem calculada. Não fica pesada demais, mas é a maior que poderia ser. É impossível imaginar uma coroa maior do que essa para a figura que a porta.

A cabeleira da Virgem Santíssima
Nossa Senhora de Las Lajas
Detalhe curioso: a cabeleira da Virgem Santíssima. Os cabelos dEla estão soltos, mas de tal maneira que parecem um manto real. Há um bom gosto, uma noção de majestade e uma arte na disposição desses cabelos, que é uma coisa extraordinária.

Na fisionomia de Nossa Senhora, merece ser ressaltada a altaneria da cabeça. Ela olha de cima, de um modo sério e investigador, de quem deseja ser obedecida. É fisionomia de Mãe, mas de uma Mãe que foi pintada numa hora em que não está sorrindo. Ela não está fixando o olhar com expressão de ameaça ou reprimenda, mas está com a disposição de alguém que, se notar qualquer coisa de errado, passa um pito ou faz uma advertência. É uma realeza exercida com força.

Por outro lado, o Menino Deus está portando uma coroa – igualmente acrescentada à pintura original – também muito grande para a sua cabeça, mas não desproporcionada.

O Menino Jesus está amavelmente voltado para quem reza
Nossa Senhora de Las Lajas com Sao Domingos e Sao Francisco
Ele está muito amavelmente voltado para quem reza. Ao invés do quadro clássico – o Menino Jesus sério e Nossa Senhora risonha – nota-se o contrário: Ele se distrai com o laço voltando-se para o pecador, enquanto sua Mãe está séria.

O que representa uma troca de posições, parecendo inverter-se o papel da Medianeira. Na realidade, o pensamento que aí está expresso é muito profundo: Ele é misericordioso porque está sentado no trono da misericórdia – nos braços de Nossa Senhora. Se assim não fosse, Ele não exprimiria tal misericórdia extraordinária, essa alegria de dar e sorrir.

A maternidade de Nossa Senhora esta expressa na pintura

Rocha sobre a qual esta a imagem de Nossa Senhora de Las Lajas
No total, o que há de mais interessante no quadro é que, depois de se ter olhado para o Divino Infante e Sua Mãe Santíssima, percebe-se como a maternidade dEla está expressa na pintura. Parece que Ela não está prestando uma atenção próxima no Menino, mas há uma intimidade enorme entre os dois.

Nossa Senhora O sustém, como uma mãe carrega um filho inteiramente chegado a Ela, para deixar claro seu sentimento materno. Senso materno, por conseguinte, voltado para o pecador, de quem Ela também é Mãe.

Nossa Senhora Rainha e Mãe: é o que expressa admiravelmente esse quadro, que eu considero verdadeiramente uma obra-prima no gênero.

Origem da imagem de Nossa Senhora de Las Lajas
Basilica de Nossa Senhora de Las Lajas
No século XVIII, depois de vários fatos sobrenaturais ocorridos numa gruta nas ladeiras de Las Lajas, a índia Maria Mueses de Quiñones, descendente dos caciques de Potosí, encontra sua filhinha de joelhos venerando um quadro da Virgem, tendo nos braços o Menino Jesus e ladeada por São Francisco e São Domingos. Informados do ocorrido, os habitantes do local acorreram para venerar a Virgem, logo denominada de Las Lajas. Em fins do século XIX, foi construído um magnífico Santuário em estilo gótico no local.

A Festa de Nossa Senhora de Las Lajas celebra-se no dia 16 de setembro, data de sua aparição.
(Plinio Corrêa de Oliveira)