São Martinho de Porres, o extraordinário santo das coisas extraordinárias

São Martinho de Porres

São Martinho de Porres, o extraordinário santo das coisas extraordinárias
Nesta época impregnada de ódio social, de lutas de classes e raças, o exemplo desse santo mulato comprova como um espírito verdadeiramente católico e abrasado pelo amor de Deus e do próximo pode chegar aos píncaros da santidade, até nas mais adversas condições sociais

Filho ilegítimo de João de Porres, nobre espanhol pertencente à Ordem de Alcântara e descendente de cruzados, e de Ana Velásquez, negra alforriada, Martinho nasceu no princípio de dezembro de 1579. De temperamento dócil e piedoso, desde pequeno foi ensinado pelo Espírito Santo na escola dos santos.

Ainda na infância seu pai o legitimou, bem como à sua irmãzinha Joana, levando ambos para Guayaquil, onde ocupava alto cargo no governo. Martinho teve assim a chance de aprender a ler e escrever. Quatro anos depois, nomeado governador do Panamá, João de Porres devolveu o filho à mãe, deixando a filha sob os cuidados de outros parentes.

De volta a Lima, Martinho entrou na qualidade de aprendiz na botica de Mateo Pastor, que exercia o ofício de cirurgião, dentista e barbeiro. Foi ali que o jovem mestiço aprendeu os rudimentos de medicina, que depois lhe seriam tão úteis no convento.

Se Martinho progredia no aprendizado do ofício, ainda muito mais avançava na ciência dos santos. Foi o que o levou, aos 15 anos, a pensar em servir somente a Deus, num convento.

Naquela feliz época de fervor religioso, a capital do Vice-Reino do Peru abrigava praticamente cinco santos em seus vários conventos, sendo dois de dominicanos — o da Madalena e o de Nossa Senhora do Rosário —, contando cada um deles com quase 200 religiosos.
O “doado”

Foi no convento de Nossa Senhora do Rosário que Martinho quis entrar na qualidade de doado, isto é, quase escravo. Comprometia-se a servir toda a vida, sem nenhum vínculo com a comunidade, e com o único benefício de vestir o hábito religioso. Ana Velásquez, num ato de desprendimento admirável, não só permitiu ao filho dar esse passo, mas quis ela mesma entregá-lo no convento.

Desde o primeiro dia Martinho dedicou-se de corpo e alma a servir seus irmãos nos ofícios mais baixos e humilhantes. Sempre animado por um profundo espírito sobrenatural, para ele era não só uma alegria, mas uma graça mesmo, fazer isso pelo amor de Deus.

Após o primeiro ano de prova, recebeu o hábito de doado. Mas isso não agradou ao orgulhoso pai, de quem levava o sobrenome. Dom João pediu aos superiores dominicanos que recebessem Martinho, de tão ilustre estirpe pelo lado paterno, ao menos na qualidade de irmão leigo. Ora, isso era contra as constituições da época, que não permitiam receber na Ordem pessoas de cor. O Superior quis que o próprio Martinho decidisse. “Eu estou contente neste estado — respondeu ele — porque no serviço de Deus não há inferiores nem superiores, e é meu desejo imitar o mais possível a Nosso Senhor, que se fez servo por nós“. Isso fechou a questão.

Na escola da humilhação

Esse ato de humildade foi um dentre os inúmeros que distinguiram o santo nesse período. Encarregado da enfermaria do convento, não lhe faltavam ocasiões de humilhar-se diante da impaciência que muitas vezes se apodera dos doentes, ainda mais em uma comunidade tão numerosa. Ele não bastava para atender a todos, o que provocava crises de mau humor em alguns mais impacientes. Num momento desses um religioso, que se sentia mal atendido, o chamou de “mulato cachorro”. Após o primeiro choque, Martinho dominou-se. Ajoelhando-se junto ao leito do enfermo, disse chorando: “Sim, é verdade que sou um cão mulato e mereço que me recordem disso, e mereço muito mais pelas minhas maldades“.

Outro doente que julgou ser mal atendido lhe disse: “Assim é a tua caridade, embusteiro hipócrita!? Agora é que eu te conheço bem!” Mas ficou edificado com a humildade e doçura com que o ofendido o tratou, e pediu-lhe perdão.

Apesar dessas atitudes, a virtude do doado foi sendo reconhecida por todos e ultrapassou os muros do convento. Isso levou os superiores a abrir exceção e receber Martinho como irmão leigo, ligando-se assim à Ordem pelos três votos.

Virtude heróica

Seu desapego de si mesmo foi heróico. Ouvindo um dia dizer que o convento estava em apuros financeiros, foi ao superior e disse que poderia ajudar a resolver o problema. Como? “Padre, eu pertenço ao convento. Disponha de mim como de um escravo, porque algo quererão dar por este cão mulato, e eu ficarei muito contente de ter podido servir em algo aos meus irmãos“. Emocionado com tanta virtude, o superior lhe respondeu: “Deus te pague, irmão; mas o mesmo Deus que te trouxe aqui encarregar-se-á de dar um remédio ao caso“.

Nunca ocioso e procurando sempre servir aos outros, o tempo parecia aumentar para Frei Martinho. Além de cuidar da enfermaria, varria todo o convento, cuidava da rouparia, cortava o cabelo dos duzentos frades, e era o sineiro, dispensando ainda de seis a oito horas por dia à oração. Chegou a adquirir algumas vezes as qualidades dos corpos gloriosos, e entrava através das portas fechadas ou mesmo das paredes, em aposentos onde sua presença era necessária. Aparecia aqui, ali e acolá repentinamente, para satisfazer à sua caridade.

Tinha uma horta na qual ele mesmo cultivava as plantas que utilizava para suas medicinas. Com elas operava verdadeiros milagres. Dizia ao enfermo: “Eu te medico, Deus te cura“. E isso ocorria. Mas às vezes se valia das coisas mais diversas para comunicar sua virtude de cura, como vinho morno, faixas de pano para ligar as pernas quebradas de um menino, um pedaço de sola para curar a infecção de que sofria um outro doado, que era sapateiro.

Estando doente o Bispo de La Paz, de passagem por Lima mandou que chamassem Frei Martinho para que o curasse. O simples contato da mão do doado em seu peito o livrou de grave moléstia que o levava ao túmulo.

Entre os inúmeros milagres que se atribuem a Martinho, está o dom da bilocação (foi visto na mesma hora em lugares e até países diferentes) e o de uma ressurreição. Conta-se também que estava com outros dois irmãos longe do convento, quando soou a hora para reentrarem; a fim de não faltarem à virtude da obediência, deu ele a mão aos outros dois, e os três levantaram vôo, chegando assim ao convento no momento previsto.

A caridade supera a obediência

Frei Martinho transformou a enfermaria no seu centro de ação. A ela levava todos os enfermos que encontrava na rua, mesmo aqueles com maior perigo de contágio. Isso lhe foi proibido pelos superiores. Mas a caridade do santo não tinha limites. Por isso, preparou na casa de sua irmã, que vivia a duas quadras do convento, uns aposentos para receber esses doentes. E lá os ia tratar com suas mãos até que sarassem ou entregassem a alma a Deus.

Certo dia, entretanto, aconteceu que um índio foi esfaqueado às portas do convento. Frei Martinho não tinha tempo para levá-lo até a casa de sua irmã. Diante da urgência do caso, não teve dúvidas e cuidou do índio na enfermaria do convento. Quando este estava melhor, levou-o então à casa da irmã. Disso o superior não gostou, e repreendeu-o por ter pecado contra a obediência. “Nisso não pequei“, respondeu Martinho. “Como não?!”, perguntou o superior. “Assim é, Padre, porque creio que contra a caridade não há preceito, nem mesmo o da obediência“, respondeu o Santo.

Além de todas essas atividades, Frei Martinho saía também do convento para pedir esmolas para seus pobres e para os sacerdotes necessitados. Conhecendo sua prudência e caridade, muitos o encarregavam de distribuir suas esmolas, inclusive o Vice-Rei, que lhe dava 100 pesos mensais para isso.

Dom da sabedoria e do conselho

O dom da sabedoria era nele tão grande, que as mais altas personalidades de Lima recorriam a seu conselho. Também o futuro não lhe era desconhecido. Certa vez, um homem que ia para um ato pecaminoso foi retido por ele na porta do convento, em agradável e edificante conversação, levando-o a esquecer-se do tempo. Quando continuou seu caminho, soube que a casa aonde ia havia ruído, ferindo gravemente a mulher que nela estava.

Como fruto de seu alto grau de oração, Martinho tinha êxtases freqüentes, à vista de todos. Sua união com Deus era contínua. Para dominar suas inclinações, flagelava-se até ao sangue três vezes por dia, e durante os quarenta e cinco anos que permaneceu no convento jejuou a pão e água.

Gostava de ajudar a Missa e era grande devoto da Eucaristia. Quando caminhava, ia desfiando as contas de seu Rosário.

É fácil supor que o inimigo do gênero humano não pudesse suportar tanto bem, feito pelo humilde dominicano. Perseguia-o sem trégua, às vezes fazendo-o rolar pelas escadas, outras vedando-lhe o caminho quando ia socorrer algum necessitado. Frei Martinho costumava repeli-lo com o símbolo da Cruz.

Até mesmo os animais mais repelentes atendiam à sua voz. Quando os ratos tornaram-se problema para o convento, porque roíam todos os produtos armazenados com sacrifício, Frei Martinho pegou um deles que caíra na ratoeira e lhe disse: “Vou te soltar; mas vai e dize a teus companheiros que não sejam molestos nem nocivos ao convento; que se retirem para a horta, que eu lhes levarei comida todos os dias“. No dia seguinte todos os ratos estavam quietinhos na horta, esperando a comida que Frei Martinho lhes levava!

Finalmente Frei Martinho, com o corpo gasto pelo excesso de trabalho, jejum contínuo e penitência, sucumbiu aos 60 anos. Ao seu leito de moribundo acorreram o Vice-rei, Bispos, eclesiásticos e todo o povo que conseguiu entrar. Seu funeral foi uma glorificação. Todos queriam venerar aquele santo mulato que nunca procurara sua própria glória, mas somente a de Deus.

Obras consultadas:
Enriqueta Vila, Santos de América, Ediciones Moretón, Bilbao, 1968, pp. 69 a 87.
Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d’après le Père Giry, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo XIII, pp. 206 a 208.
Pe. José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, Editorial A. O., Braga, 1987, tomo III, pp. 259 a 261.
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Nossa Senhora de Aglona Padroeira da Letônia

Nossa Senhora de Aglona

Nossa Senhora de Aglona Padroeira da Letônia
Durante o mês de agosto, é muito comum realizarem-se peregrinações na parte leste da Letônia. Num país de maioria luterana e atéia, não deixa de ser surpreendente observar grupos de 50, 100, 500 e, muitas vezes, milhares de peregrinos católicos rumo ao Santuário da Mãe de Deus de Aglona.
Poderia causar estranheza que num país de maioria luterana como a Letônia a população ainda tenha orgulho de denominar sua pátria como Terra Mariana — título dado pelo Papa Inocêncio III, em 1215. De tal forma um título concedido pelo Papa é honroso, que até por orgulho os não católicos (comunistas, protestantes, ateus etc.) não abandonam esse nome, embora contrário às suas convicções! O mesmo acorre na Inglaterra, onde a Rainha, de religião anglicana, ostenta o título de Defensora da Fé, dado pelo Papa quando aquela nação era católica…

A maior manifestação religiosa na Terra Mariana de Letônia é a festa da Assunção da Virgem, dia em que Ela é celebrada sob a invocação de Aglona. Vejamos como nasceu essa devoção, que tanto marca aquela nação ainda nos presentes dias.

País nascido de uma cruzada

Quando se fala em cruzada, todo mundo pensa na Terra Santa. É natural, pois as cruzadas mais importantes visaram recuperar o Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo em Jerusalém. O que poucos sabem é que houve cruzadas vitoriosas em duas regiões fora da Terra Santa, dando origem a vários países. Uma delas é a Península Ibérica, onde a cruzada da Reconquista teve como conseqüência a formação da Espanha e de Portugal. A outra região foi a do mar Báltico, onde as cruzadas deram origem à formação das atuais Letônia e Estônia. Esta última cruzada é praticamente desconhecida hoje fora da Europa, estando ela na origem da devoção de Nossa Senhora de Aglona.

Quando o Bispo Alberto de Buxhoeved iniciou seu apostolado para a conversão dos povos bálticos, deparou-se com pagãos obstinados e muitas vezes brutais. Para defender os católicos nativos da vingança dos pagãos, fundou uma ordem militar, os Cavaleiros Porta-espadas. Teve ele o apoio dos Papas, que colocaram essa cruzada sob a proteção da Virgem, concedendo a todos os territórios conquistados o título de Terra Mariana. Aos poucos, com a ajuda de Nossa Senhora e muita sagacidade, foi o Bispo Alberto derrotando sucessivamente as tribos, que formaram o que hoje é a Letônia. Dessas cinco tribos, só uma, a dos látgales, auxiliou de forma plena os cruzados, e foi a que melhor assimilou o cristianismo.

Mas com a apostasia dos cavaleiros da Ordem Teutônica para o luteranismo, em 1525, todo esse esforço ficou com prometido. Todas as tribos tornaram-se luteranas, seguindo o exemplo de seus governantes. Porém os látgales mal assimilaram a “nova religião”. Ficaram nominalmente luteranos, mas com muitos costumes católicos, a ponto de serem os únicos que então conservavam com veneração o título de Terra Mariana. Tão infeliz estado de coisas prolongou-se até que a Polônia católica, no final do século XVI, dominou a parte leste do país, onde moravam os látgales. Sob o impulso de destacados jesuítas, a nobreza polonesa decidiu recatolicizar essa região. E, para obter esse objetivo, foi decisiva a difusão da devoção a Nossa Senhora.

Na origem, quadro pintado por São Lucas

Liderou essa verdadeira reconquista espiritual a nobre Jeta-Justina Sastodicka. Proprietária de numerosas terras, ela trouxe padres dominicanos da Lituânia para que pregassem em toda a região. Doou-lhes um mosteiro com uma pequena igreja anexa, num lugar tão isolado que era chamado de Aglona, que no dialeto local significa Floresta de Pinheiros. E mandou trazer um quadro histórico do Mosteiro de Trakai para tirar uma cópia e colocá-la na igreja.

Esse quadro da Virgem era uma pintura executada no século I pelo Apóstolo São Lucas, que o Imperador Manuel II de Bizâncio tinha enviado ao Grão Duque de Lituânia Vytautas, o Grande, como presente de sua conversão ao catolicismo.

Até hoje não se sabe o que realmente aconteceu: se o quadro original voltou a Trakai ou permaneceu em Aglona, como é voz corrente no país. Muito se discute a respeito. O curioso é que ambas as imagens realizaram numerosos milagres. Porém, os partidários do quadro de Aglona argumentam que, de fato, essa imagem é a mais conhecida e popular, atraindo peregrinações dos russos e bielorussos católicos.

Com os numerosos milagres — atestados pelas lembranças colocadas atrás do altar — aumentou a devoção, e em pouco tempo todo o povo da região, descendente dos antigos látgales, tornou-se maciçamente católico, permanecendo assim até hoje.

Mas a pintura ganhou uma importância maior ao transformar-se em símbolo da resistência nacional. Com efeito, primeiro os czares ortodoxos (cismáticos) e depois os comunistas tentaram eliminar a devoção à Santíssima Virgem, mas não o conseguiram.

Nossa Senhora de Aglona: símbolo da resistência anti-atéia

As duas devastadoras guerras mundiais que ocorreram durante o século XX afetaram profundamente a Letônia. Esse país foi campo de batalha em ambos os conflitos, tendo perdido neles muitos de seus filhos. Pior que isso: durante a Segunda Guerra Mundial a Letônia foi anexada à União Soviética, a qual lançou uma virulenta campanha para erradicar o catolicismo do país. Vários bispos e padres foram aprisionados, alguns martirizados, e as peregrinações a Aglona foram proibidas por constituírem, segundo os comunistas, “superstições do passado”. Não havia lugar para Nossa Senhora no Estado satânico da União Soviética. Porém, a devoção à Virgem e as peregrinações continuaram. Era uma forma de manifestar oposição ao comunismo.

Primeiro os soviéticos expropriaram o local, transformaram o terreno em Kolkhoz (*) e o convento em estábulo. Mas as peregrinações não cessaram. Depois, em finais da década de 50, os vermelhos bloquearam as ruas, fechando o trânsito. Mesmo isso não impediu que muitos continuassem a ir ao local. Para medir a coragem desses resistentes, basta recordar o fato de terem os comunistas deportado, naquela época, cerca de um terço da população para a Sibéria. E muitos dos que tentavam a peregrinação terminavam nas prisões. Depois eram deportados ou mortos. Reduziu-se o número de peregrinações, mas elas prosseguiram.

Comunismo impotente para extinguir a fé católica

Em 1961, o governo comunista decidiu endurecer ainda mais a repressão. Expulsou as freiras que tinham conseguido sobreviver no local e chegou a queimar a valiosa biblioteca do antigo convento. Mas uma oposição surda continuava. A atitude varonil dos católicos, especialmente do Bispo, Mons. Dulbinskis, despertava a admiração no resto da população, mesmo entre luteranos ou ateus. A tal ponto que eles começaram a dar nomes católicos a seus filhos, mudando totalmente o costume — vigente até 1940 — de dar-lhes nomes pagãos. Também o costume dos católicos de denominar o país de Terra Mariana foi adotado pelo restante da população.

Os comunistas, não conseguindo dobrar os católicos, mudaram de tática. Nos dias em que as peregrinações eram maiores (sobretudo na festa da Assunção), distribuíam produtos em falta, com a finalidade de segurar os peregrinos nas cidades. Nesses dias, permitiam a exibição de filmes ocidentais — o que era proibido nos outros dias. Ordenavam às escolas e universidades atividades obrigatórias, sob pena de expulsão. Mesmo tais expedientes não detiveram as peregrinações.

Quando, em 1980, comemorou-se o 800º aniversário do início da catolicização da Letônia, a festa foi celebrada em Aglona. A polícia soviética ficou quase sem meios para impedir a comemoração, devido ao enorme número de pessoas que se dirigiam ao Santuário de Nossa Senhora de Aglona.

Finalmente, em 1991, ruiu o Império Soviético, mas o costume de visitar a Imagem de Nossa Senhora de Aglona permanece de pé. Por isso vemos, ainda hoje, especialmente na festa da Assunção, multidões a caminho da antiga Floresta de Pinheiros, onde a Mãe de Deus os espera para abençoá-los e atender seus pedidos.

* Kolkhoz: kolletivnoe khozyarstvo, fazenda coletiva dirigida por comunistas na União Soviética.
Obras consultadas:
William Urban, The Baltic Crusade, Lithuanian Research and Studies Center, Chicago (USA), 2ª edição, 1994.
Erik Christiansen, Les Croisades Nordiques, Ed. Alerion, 1996.
Domenico Marcucci, Santuari Mariani d’Europa, Milão, Ed. San Paolo, 1993.
Valdis Veilands, Latvija Kabata, Riga, Ed. Preses Nams, 1995.
Roger Williams, Baltic States, Insight Guides, Londres, 1995.
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O Dogma do Purgatório

Purgatório

O Dogma do Purgatório
O Pe. Francisco Xavier Schouppe S.J., missionário jesuíta que viveu em fins do século XIX e início do XX, foi um profícuo autor de obras de caráter teológico e exegético bíblico. Deixou vários livros populares, dentre os quais destaca-se um sobre o Purgatório, do qual extraímos os textos abaixo. Das obras que escreveu, esta é a mais conhecida e recomendada.

O Dogma do Purgatório é muito esquecido pela maioria dos fiéis; a Igreja Padecente — onde há tantos irmãos para socorrer, e para onde sabem que um dia devem ir —, parece-lhes terra estranha.

Esse verdadeiramente deplorável esquecimento constituía um grande sofrimento para São Francisco de Sales: “Hélas“, disse esse pio Doutor da Igreja, “nós não nos lembramos suficientemente de nossos caros falecidos; sua memória parece esvanecer-se com o som fúnebre dos sinos”.

As principais causas disso são ignorância e falta de fé; nossas noções sobre o Purgatório são muito vagas, nossa fé é muito fraca.

Então, para que nossas idéias se tornem mais precisas e nossa fé vivificada, devemos olhar mais de perto essa vida além túmulo, esse estado intermediário das almas justas ainda não dignas de entrar na Celeste Jerusalém.

O Purgatório ocupa um importante lugar em nossa santa Religião: forma uma das principais partes da obra de Jesus Cristo, e representa um papel essencial na economia da salvação do homem.

Lembremo-nos de que a Santa Igreja de Deus, considerada como um todo, é composta de três partes: a Igreja Militante [nesta Terra], a Igreja Triunfante [no Céu] e a Igreja Padecente ou Purgatório. Essa tríplice Igreja constitui o Corpo Místico de Jesus Cristo, e as almas do Purgatório não são menos seus membros que os fiéis na Terra e os eleitos no Céu. …. Essas três igrejas-irmãs mantêm incessantes relações entre si e uma contínua comunicação, que denominamos a Comunhão dos Santos.

Rezar pelos falecidos, fazer sacrifícios e sufrágios por eles, forma parte do culto cristão, e a devoção pelas almas do Purgatório é a que o Espírito Santo infunde com caridade nos corações dos fiéis. Santo e salutar pensamento é rezar pelos mortos“, diz a Sagrada Escritura, “para que sejam purificados de seus pecados” (II Mac. 12, 46).

A Justiça de Deus é terrível, e pune com extremo rigor mesmo as faltas mais triviais. A razão é que tais faltas, leves a nossos olhos, não o são diante de Deus. O menor pecado desagrada-O infinitamente, e, por causa da infinita Santidade que é ofendida, a menor transgressão assume enorme proporção e exige enorme expiação. Isso explica a terrível severidade das penas da outra vida, e deveria nos penetrar de santo temor.
Notas:
Purgatory Illustrated by the Lives and Legends of the Saints, versão norte-americana da TAN Books and Publishers, Inc., Rockford, Illinois, 1973, pp. V e ss.
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São Francisco Solano: Música e penitência a serviço da catequese

São Francisco Solano

São Francisco Solano: Música e penitência a serviço da catequese
São Francisco Solano, cuja festa comemoramos no dia 14, santo genuinamente franciscano a quem obedeciam as feras, as aves e os mais ferozes indígenas; tinha alma de poeta em corpo de asceta, animado por ardente devoção mariana e zelo apostólico

Foi no pequeno povoado de Montilla, perto de Córdoba, na Espanha, que nasceu Francisco Solano, filho de pais católicos exemplares.

De temperamento pacífico e bondoso, atraía a todos por sua modéstia e suavidade. Mas era dotado de uma vontade de ferro e de muita determinação. Sabendo que a virtude não se adquire senão com muito esforço, freqüentava assiduamente os sacramentos, principalmente os da confissão e comunhão, e procurava domar os maus impulsos da carne por meio da oração e rigorosa penitência.

Mas isso não impedia que fosse um rapaz alegre e prestativo. Estudante no colégio dos jesuítas, nas horas vagas cultivava o jardim de seu pai, cantando enquanto trabalhava.

Aos 20 anos entrou para o noviciado dos franciscanos de sua cidade, onde aumentou suas penitências. Como diz um seu biógrafo, “quis realizar o tipo perfeito do franciscano, juntando a doçura de São Francisco com a austeridade de São Pedro de Alcântara” . Dormia sobre sarmentos, tendo como travesseiro um pedaço de madeira. Durante o Advento e a Quaresma quase não comia, e tomava disciplina (flagelava-se) até o sangue.

Feita sua profissão religiosa, cursou filosofia e teologia e recebeu as sagradas ordens, dedicando-se ao apostolado da palavra.

Em pouco tempo foi nomeado mestre de noviços de um convento, e depois superior de outro, mas pedia dispensa de qualquer cargo para poder dedicar-se inteiramente à pregação. Sua palavra era persuasiva e penetrava profundamente os corações. Em breve passou a ser conhecido como o frade santo.

Quis fugir dessa popularidade e, por humildade, ir pregar em terras de infiéis, em busca do martírio. Não obteve licença de ir para a África, mas de evangelizar o Novo Mundo. Assim partiu para a América do Sul em 1589.

Nas costas do Peru, o navio encalhou num banco de areia durante uma tormenta e ameaçava partir-se. Grande parte da tripulação salvou-se em botes; mas não havia lugar para todos. Frei Francisco escolheu ficar com os remanescentes, para prepará-los para a possível morte. Animou os pobres colonos espanhóis a bordo e falou-lhes da vida eterna. Ensinou aos escravos que estavam a bordo os rudimentos da Religião, e batizou-os.

O navio não suportou o embate das ondas, e no segundo dia partiu-se em dois, levando para o fundo do mar grande parte dos escravos. Os que tiveram a dita de permanecer na parte do navio presa à areia reuniram-se em torno do missionário, aguardando a futura sorte. Ele os animou e predisse que uma chalupa voltaria para pegá-los. E assim sucedeu no terceiro dia após o desastre.
Apaziguador, harmonizou colonizadores com índios

O grupo de franciscanos do qual fazia parte Francisco Solano chegou a Santiago del Estero em novembro de 1590. Durante 10 anos deveria ele percorrer aquela região levantando igrejas, formando municípios, catequizando, batizando, civilizando. Catequizou o Peru, grande parte da Argentina, da Bolívia e do Paraguai. Realizou tudo isso andando a pé e descalço através das florestas, desertos, rios, pântanos, matagais cheios de insetos malignos e enervantes. Além disso, o maior trabalho de Francisco era fazer conviver espanhóis e índios como bons cristãos. Dificultavam o relacionamento a escravidão, que estava nos hábitos da época, e os costumes bárbaros dos silvícolas, bem como a cobiça pelo ouro, que por vezes se sobrepunha aos sentimentos cristãos.

Uma coisa singular nesse santo jovial é o papel desempenhado pela música em seu apostolado. Com o violino (alguns autores dizem harpa ou uma espécie de viola), que ele tocava com muita elevação e sentimento, apaziguava os espíritos, inclusive os instintos selvagens dos indígenas. Com ele também cantava louvores à Virgem ou ao Santíssimo Sacramento.

Certa vez em que acompanhava o Santíssimo em uma procissão, seu espírito elevou-se, num entusiasmo tão ardente pelo Deus ali presente na Hóstia, que começou a tocar e a dançar. Isso fazia também freqüentemente diante de imagens de Nossa Senhora.

Dom das línguas e dos milagres

Aprendeu milagrosamente em 15 dias o dialeto de uma tribo indígena. Adquiriu também o dom das línguas, falando em castelhano a índios de tribos diferentes, sendo entendido como se estivesse expressando-se no dialeto de cada um.

Uma vez, por exemplo, estando em San Miguel del Estero durante as cerimônias da Quinta-Feira Santa, veio uma terrível notícia: milhares de índios de diversas tribos, armados para a guerra, avançavam para atacar a cidade. A balbúrdia foi geral. Só Frei Francisco, calmo, saiu ao encontro dos selvagens. Estes, que o respeitavam, pararam para o ouvir. E cada um o entendeu em sua própria língua. Ficaram tão emocionados, que um número enorme deles pediu o batismo. No dia seguinte, viu-se essa coisa portentosa: ao lado dos espanhóis, esses índios convertidos participavam da procissão da Sexta-feira Santa, flagelando-se por causa de seus pecados.

Em outra ocasião, soube que os índios queriam mudar-se, por falta de água na região. Isso poria fim ao apostolado que o Santo estava fazendo com eles, pois se dispersariam. Francisco chamou-os e lhes disse que não havia motivo para mudar-se, porque ali perto havia uma fonte. Foi com os índios incrédulos até uma área árida, e designando um lugar com o seu bastão, mandou que cavassem. Jorrou uma fonte tão abundante, que com o tempo foi possível, com sua água, tocar simultaneamente dois moinhos.

Em 1559, Francisco Solano foi nomeado custódio de toda a região de Tucumã. Isso o fazia viajar quase sem parar, o que significava também pregar quase incessantemente.

Certo dia, estando o Santo numa aldeia, surgiu um touro furioso. Cada um fugiu para seu lado; só Francisco permaneceu calmo à espera do animal. Quando este ia agredi-lo, falou-lhe com voz suave mas firme, repreendendo-o por sua maldade. O touro abaixou a cabeça e lambeu os pés descalços do franciscano. Devido a esse fato, São Francisco Solano foi declarado patrono dos toureiros.

Na “Lima de los Santos”

São Francisco foi nomeado superior do Convento de Lima. Nessa cidade deu-se o fato surpreendente e sem precedentes, de presenciar-se a morte de cinco santos num espaço de 39 anos: São Toríbio de Mongrovejo (1606), São Francisco Solano (1610), Santa Rosa de Lima (1617), São Martim de Porres (1639) e São João Macias (1645). Por isso, a capital peruana é também chamada Lima de los Santos.

Quando pregava na cidade de Trujillo, de repente prorrompeu em amargos soluços. Acabava de prever o terremoto que destruiria a cidade alguns anos mais tarde.

Outra vez, em Lima, pregava a reforma de vida, ameaçando com os castigos e vinganças celestes a cidade, por causa dos vícios de seus habitantes. E o fez com tanta força, que isso provocou uma corrida aos confessionários e às igrejas, comovendo toda a cidade. Alguns o denunciaram ao Vice-rei e ao Arcebispo por provocar aquele alvoroço. Mas o Vice-rei conhecia muito bem seus arrebatamentos e linguagem, e o Arcebispo era um Santo que compreendia muito bem outro Santo.

Sua linguagem tornava-se severa quando era preciso, pois o Santo vivia arrebatado com as belezas de Deus. Uma flor, uma bela paisagem, uma palavra que fosse, às vezes eram capazes de levá-lo ao êxtase. Freqüentemente, durante seus sermões, de repente permanecia imóvel e como que arrebatado em Deus.

Certo dia perguntou a um doente como se sentia. À simples resposta — “Já estou bem, graças a Deus” —, entrou numa alegria tal, que pegou dois bastões que havia perto e começou a dançar, numa alegria toda celeste.

Passava horas e horas à noite diante do altar, rezando, cantando e tocando. Ele compreendia bem o dito popular de que “cantar é rezar duas vezes”. Conhecia uma grande série de hinos litúrgicos e populares, e cantava-os, freqüentemente acompanhado de seu violino.

Sua candura e sua bondade atraíam homens e até animais. Os pássaros pousavam familiarmente em seus ombros ou em sua cabeça. Para os índios, era quase um deus, a quem obedeciam os elementos da natureza. Os espanhóis o veneravam como santo.

Santa morte e glorificação póstuma

Sua última doença durou dois meses, durante os quais ele mantinha tocantes colóquios com o Crucificado, com Maria Santíssima e com os Santos. Sua habitual doçura não o abandonava um só momento. Ele aceitava todos os incômodos da febre em lugar da disciplina, que não podia usar. Quem passasse pela enfermaria o ouviria exclamar jubiloso: “Glória a Deus!”, e outras piedosas jaculatórias.

No momento da última agonia, os frades cantavam o Credo. Às palavras “Nasceu de Maria Virgem”, e quando o sino tocava indicando o momento da Elevação, durante a Missa conventual, ele rendeu sua alma a Deus.

Sua morte, ocorrida a 14 de julho de 1610 — festa de São Boaventura, a quem tinha muita devoção — foi um acontecimento público. Multidões faziam fila para poder passar diante de seu caixão. Os índios acorreram para ver mais uma vez o pai bem-amado. Todos queriam uma relíquia sua, e foi preciso cortar em pedacinhos vários hábitos nele tocados — para atender os pedidos. Uma mulher não se contentou em ter uma relíquia indireta, e, num excesso, com os dentes arrancou um dos artelhos do Santo.

O caixão do humilde frade foi levado, durante o cortejo fúnebre, pelo Arcebispo da cidade, sucessor de São Toríbio, e pelo Vice-rei.

Os milagres sucederam-se em seu túmulo ou por sua intercessão. Somente para o processo de beatificação foram apresentados mais de 100. E para o de canonização, ocorrida em 1726, mais 30.

Obras consultadas:
Fr. Justo Pérez de Urbel, O.S.B., Ediciones Fax, Madrid, 1945, tomo III, p. 184.
Les Petits Bollandistes, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo IX, pp. 8 e ss.
Enriqueta Vila, Santos de America, coleção Panoramas de la Historia Universal, Ediciones Moreton, S.A., Bilbao, 1968, pp. 93 e ss.Cadastre seu email para receber atualizações gratuitas deste blog

A ação dos Santos; um santo juízo de Deus

São Bernardo de Claraval

A ação dos Santos; um santo juízo de Deus
São Bernardo havia ido à Aquitânia, a fim de reconciliar com a Igreja o duque daquela província. Como o duque se recusasse a toda forma de reconciliação, Bernardo, ao celebrar uma missa, consagrou a Hóstia, colocou-a na patena e saiu com ela da Igreja.

Então, imprecando com voz terrível o duque que ali se encontrava, e que na condição de excomungado permanecia fora da igreja, sem ousar entrar, Bernardo lhe disse:

Nós te pedimos gentilmente e tu recusaste nossas súplicas. Eis agora que se aproxima de ti o Filho da Virgem, o Mestre supremo da Igreja que tu persegues! Eis que se aproxima de ti o teu Juiz, nas mãos do qual será pesada tua alma! Ousarás desprezá-lo como aos seus servidores?

O duque sentiu então os seus membros enfraquecerem, e se prosternou aos pés de Bernardo. Este, tocando-o com a sandália, ordenou que se levantasse para ouvir a sentença de Deus. O duque levantou-se, tremendo, e cumpriu tudo o que Bernardo lhe ordenou.
(Jacques de Voragine, “La Legende Dorée“)
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São José de Cupertino, maravilhas da graça divina em meio a indigências da natureza humana

São José de Cupertino

São José de Cupertino, maravilhas da graça divina em meio a indigências da natureza humana

Desprovido de qualidades naturais, esse Santo, cuja festa comemoramos neste mês, teria seu nome varrido pelo vento da História não fosse sua radicalidade no amor a Deus e o recíproco amor do Criador àquele servo fiel, imitador do Profeta Jó

Por Plinio Maria Solimeo
Assim narra um autor a infância desse santo:

“A natureza foi com ele uma madrasta: não lhe deu nem riqueza, nem saúde, nem talento, nem ouro, nem prestígio, nem nobreza… Não teve sequer um berço no momento de vir ao mundo. Seus companheiros o desprezavam e todo o mundo se ria dele. Susteve-se largo tempo entre a vida e a morte, até que um ermitão o esfregou com azeite e o curou. No entanto, continuou a ser olhado como o homem mais desgraçado do mundo, por essa confusão estranha de nossa linguagem, pois se em algo superabundava aquele menino, era precisamente na graça que o ia tirar da obscuridade e desprezo, para aureolar sua fronte com as luzes [até ali] inverossímeis da glória” (1).

O inútil Boca-aberta

Cupertino era uma pequena cidade no Reino de Nápoles, na Itália, entre Brindisi e Otranto, cerca do Golfo de Tarento. Nela vivia um piedoso carpinteiro, tão pouco capaz que seu nome não foi retido pelos biógrafos do filho. No momento em que sua esposa estava para dar à luz, o casal teve que fugir dos agentes da Justiça que procuravam o carpinteiro por dívidas não pagas. Foi assim que José teve a dita de, à semelhança do Deus Menino, nascer no estábulo que lhes serviu de refúgio, em 17 de junho de 1603.

Crescendo, viu-se que o menino, sempre distraído, era incapaz de manter um diálogo, de segurar algo sem deixar cair; enfim, na aula ficava pensando em outra coisa, numa atitude que mereceu-lhe o apelido de Boca aberta. Ninguém podia acreditar que, por detrás daquele exterior ridículo e quase idiota, escondiam-se pepitas de ouro que só têm valor no Reino celeste.

Função: zelador da mula conventual

Mal sabendo ler e, pior, escrever, aos 17 anos José pediu admissão no convento dos Franciscanos Conventuais, onde tinha dois tios. Mas foi recusado por sua aparência tão desfavorável. Os Capuchinhos aceitaram-no para experiência, passando ele por todas as funções. Mas José mostrava-se tão estabanado, que quebrava tudo o que lhe davam. Quando ia pôr a mesa, bastava olhar para o Crucifixo, soltava um grito, largava os pratos – que se espatifavam no chão – enquanto ele entrava em êxtase. Com o pensamento “nas nuvens”, servia o pão preto em vez do branco, porque “não sabia distingui-los”. Foi mandado embora descalço e só com a roupa do corpo.

Mal tinha saído do convento, cães o atacaram, deixando seu hábito em tiras. Andando pelos campos, pastores tomaram-no por um ladrão, e caíram sobre ele a pauladas. Na estrada, foi perseguido por um cavaleiro que o julgava um espia.

Chegando em lastimável estado a Cupertino, nenhum parente quis recebê-lo, considerando-o vagabundo; a própria mãe (o pai tinha falecido) lançou-lhe em face: “Se te mandaram embora de uma casa santa, algo fizeste. Agora só te resta o cárcere, o desterro, ou morrer de fome”.

Mas finalmente a genitora intercedeu por ele junto aos Conventuais, convencendo seus irmãos a receberem o sobrinho pelo menos para cuidar da mula do convento, revestido do hábito da Ordem Terceira de São Francisco.

Ordenação sacerdotal, após sucessivos fatos miraculosos

Aos poucos, entretanto, os religiosos foram observando aquele silencioso jovem, e descobrindo brasas que fumegavam sob a áspera cinza. Sempre alegre, sorridente e aceitando as humilhações com desapego angélico, sua linguagem revelava tocante simplicidade de coração e pureza de alma. Obedecia incontinenti, e levava uma vida de mortificação extraordinária. Viram que José tinha verdadeira piedade e vocação sacerdotal. Foi admitido aos estudos como postulante.

O estudo foi-lhe uma cruz bem pesada, pois sua memória era fraca e, sempre absorvido nas coisas divinas, não conseguia reter no dia seguinte uma palavra aprendida no anterior.

A Providência queria dele amor, e não erudição. O Bispo de Nardo, que apreciava sua virtude, foi lhe conferindo, sem dificuldade, as ordens menores e o subdiaconato.

Mas, não tinha jeito! — para o diaconato era necessário exame. Acontece que José, por causa de sua devoção à Mãe de Deus, só conseguira reter na memória uma passagem do Evangelho: a que diz “bendito o seio que te portou”, na qual meditava constantemente.

E foi exatamente a que lhe tocou comentar! E ele o fez tão magnificamente, como o faria o melhor dos teólogos!

Para a ordenação, outra intervenção miraculosa: o examinador, vendo que os 10 primeiros candidatos saíram-se magnificamente bem, julgou inútil examinar os demais!

Lutas e visões

A partir de sua ordenação sacerdotal, José passou a “considerar-se como exilado do paraíso, e como condenado a habitar uma terra de inimigos. Por isso ele se propôs a combater, e, pela luta, chegar ao Céu” (2).

Para isso jejuava e flagelava-se, passando vários dias sem alimento, só com a Sagrada Eucaristia.

O demônio agredia-o ora fisicamente, ora insinuava-lhe pensamentos de avareza ou de apego a algum objeto, tentando vencer sua virtude. O combate era tão acirrado que mais tarde o Santo comentou: “Não suspeitava que a trama das redes do diabo fossem tão subtis. Agora compreendo perfeitamente que o mérito da pobreza não está precisamente em não possuir nada, senão em não ter afeto às coisas da Terra” (3). José gozava entretanto da companhia dos anjos, vendo-os muitas vezes pessoalmente e com eles conversando como de amigo a amigo. Sua devoção ao mistério da natividade de Nosso Senhor era profunda. Muitas vezes o Menino Jesus aparecia-lhe. Ele, tomando-O nos braços, acariciava-O e dizia as palavras mais ternas que podia conceber.

Começou para São José de Cupertino, depois de dois anos de terríveis provações, a série de êxtases tão extraordinários, como dificilmente se ouvira narrar antes e depois dele na Hagiografia. Bastava ouvir o nome de Jesus ou de Maria, que ele dava um grito e, literalmente, voava rumo ao objeto amado. Se estava na igreja, voava para junto do altar da Virgem ou do Santíssimo. Se no jardim, para o cimo de uma árvore, permanecendo ajoelhado na ponta de um de seus galhos como se fosse o mais leve passarinho.

Em Roma, quando ele se viu diante do Vigário de Cristo na Terra, entrou em êxtase, ficando suspenso no ar durante a audiência, até que o Superior lhe ordenasse em nome da obediência que voltasse a si.

Ovelhas acompanham a Ladainha…

Verdadeiramente imbuído do espírito de São Francisco, ocorreram com ele inúmeros fatos dignos de constarem nos Fioretti do Poverello de Assis. Certa vez, por exemplo, não estando os agricultores numa capela rural para a Ladainha, por causa da colheita, viu ao longe rebanhos que pastavam. Dirigindo-se aos animais, o Santo exclamou: “Ovelhinhas de Deus, vinde aqui honrar a Mãe de meu Deus, que é também a vossa”. Deixando atrás pasto, filhotes, tudo, elas acorreram em tumulto ao apelo de José, sendo que naturalmente não podiam tê-lo ouvido devido à distância. Entrando na capela, todas caíram de joelhos e, com um longo balido, respondiam às invocações da Ladainha dirigida pelo Santo.

Outra vez, tendo uma peste dizimado os rebanhos, dirigiu-se, a pedido dos camponeses, de ovelha em ovelha morta, ordenando-lhes que se levantassem em nome de Jesus. E todas voltaram à vida.

Às freiras clarissas de sua cidade, mandou que um passarinho lhes cantasse durante o Ofício para incitá-las a fazê-lo bem.

Conselheiro dos grandes deste mundo

O Duque de Brunswick e de Hanover, o protestante João Frederico, então com 25 anos, curioso, obteve do superior de Assis o favor de assistir a uma Missa do “santo que voava”. José não foi avisado de nada. Na hora de partir a Hóstia, estranhamente não conseguia fazê-lo, pois esta oferecia resistência. Aflito, os olhos em lágrimas, o Santo levitou alguns palmos acima do solo, e nessa posição retrocedeu alguns passos, dirigindo a Deus fervorosa prece. Pôde depois partir a Hóstia com a costumeira facilidade.

O Duque quis saber o motivo do sucedido. José respondeu ao Superior: “Vós trouxestes gente que tem o coração muito duro e que se obstina em não crer no que ensina a Santa Madre Igreja. Esta é a causa pela qual o Cordeiro sem mancha endureceu-Se em minhas mãos, de modo que não conseguia dividi-Lo”.

Obtendo licença para manter conversas e receber conselhos do Santo, o Duque foi testemunha de novo milagre. Durante outra Missa do Santo, viu na Hóstia sagrada, durante a Elevação, uma cruz negra. Frei José soltou um grito, e permaneceu suspenso no ar enquanto dizia olhando a cruz: “Senhor, esta é vossa; não quero senão a vossa glória. Tocai e abrandai, Senhor, esse coração. Fazei com que seja aceito por vossa Divina Majestade”. Sua oração foi aceita, pois o Duque de Brunswick converteu-se (4).

Frei José chegou a um tal grau de discernimento dos espíritos, que parecia ler os corações. Ele via as pessoas freqüentemente sob a forma do animal que representava o estado de sua alma. Ele sentia também os odores do pecado ou da virtude, de maneira que, chegando-se a um pecador, dizia: “Cheiras mal. Vai te confessar”.

Santidade atrai multidões apesar dos obstáculos

Numa época em que a heresia de Lutero tentava fortemente penetrar nos países católicos, o Sagrado Tribunal da Inquisição vigiava sobre qualquer anormalidade. Vendo as grandes multidões que atraía Frei José de Cupertino, julgou prudente, de acordo com o Papa, retirá-lo para um convento menos conhecido, onde ele deveria viver praticamente recluso. Foi-lhe proibido falar com qualquer pessoa além dos religiosos do convento, e mesmo de escrever cartas a quem quer que fosse.

Foi inútil. Embora o convento fosse construído na parte mais escarpada de uma montanha, isso não impediu que uma multidão crescente para lá se dirigisse “para ver o santo”, de tal modo que nas cercanias começaram a surgir hospedagens e comércio para atender os peregrinos. Frei José foi então transferido para outro convento, e assim sucessivamente, até chegar ao de Ósimo, onde predisse que terminaria seus dias, o que ocorreu poucos anos depois, a 18 de setembro de 1663. A multidão que passou a acorrer a seu túmulo indicava sua fama de santidade

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Bibliografia

1 – Frei Justo Pérez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones FAX, Madrid, 1945, 3ª edição, vol. III, p. 642.
2 – Les Petits Bollandistes, – Vies des Saints, d’après le Père Giry, par Mgr Paul Guérin, Paris, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, 1882, tomo XI, p. 223.
3 Edelvives, O Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1955, tomo V, p. 184.
4 – Edelvives, op. cit., pp. 187-188.
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Nossa Senhora de Coromoto: harmonia entre majestade e misericórdia

Nossa Senhora de Coromoto

Nossa Senhora de Coromoto: harmonia entre majestade e misericórdiaA Padroeira da Venezuela, cuja festa se comemora a 8 de setembro, revela especialmente a grandeza da bondade que vence toda ingratidão ao converter o empedernido cacique Coromoto

Por Valdis Grinsteins

Para o comum dos homens, parece muito difícil conciliar certas virtudes. Como combinar, por exemplo, a bondade e a severidade, ou a justiça e a clemência? A idéia que erroneamente alguns têm é a seguinte: se alguém é bondoso não gosta de ser severo, e deixa correr o marfim para não ter que castigar.

Ora, Nosso Senhor Jesus Cristo reúne em Si todas as virtudes. Logo, se Ele é ao mesmo tempo bondoso e severo, bondade e severidade não são contraditórias, existindo entre elas um equilíbrio que permite serem praticadas pela mesma pessoa.

Para melhor entender como podem coexistir numa mesma pessoa virtudes que parecem antagônicas consideremos a foto ao lado. É da imagem de Nossa Senhora de Coromoto, Padroeira da Venezuela.

A majestade expressa numa imagem…

À primeira vista impressiona o porte de Rainha de Nossa Senhora. Não apenas devido à coroa, mas sobretudo à postura ereta da imagem, que reflete a plena consciência que a Virgem Santíssima tem de ser a Rainha dos Anjos e dos homens. Ela tem o direito de ordenar e manda. Ela reflete como Rainha uma visão superior das coisas, pois sabe como estas se coordenam e como fazer para que tudo se ordene.

Por outro lado, é adequado que Nossa Senhora esteja sentada num trono, e que a Sede do Menino Jesus seja Sua própria Mãe, pois, assim, a mais perfeita das criaturas serve de trono ao Criador. Ela sustenta Seu Divino Filho como Rainha, mas também com a delicadeza de Mãe.

Tudo nesta imagem infunde respeito. Qualquer um que se aproxime dEla é colocado em seu devido lugar imediatamente. Por outro lado, na própria fisionomia da imagem transparece sua realeza. Os traços do rosto são finos, delicados, de grande majestade. Se esta é notória na imagem, o que dizer da bondade?

…mas também bondade de Rainha

A consonância entre majestade e bondade é superiormente explicada num comentário do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a respeito da imagem: “Ela está com inteira solicitude para quem está diante dEla, e sendo Nossa Senhora tão superior, dá a impressão de que não nota — porque não quer notar — a extrema inferioridade de quem está na frente. Ela nem faz a comparação, e com isto eleva a pessoa à sua categoria. Ela não faz uma análise de quem está frente a Ela dizendo: ‘Você tem culpa’ ou ‘você é ruim’. Ela só faz uma pergunta: ‘O que você deseja? Você é meu filho e Eu tenho misericórdia. O que você deseja?’ É uma pergunta que, por causa do olhar e da pequena propensão da cabeça para frente, é dirigida de tal forma que dá a impressão de ser Ela toda atenção”.

Tal impressão de bondade é ressaltada quando tomamos conhecimento de tudo o que Nossa Senhora fez para converter o índio Coromoto, na Venezuela do século XVII.

“Catolicismo”, em sua edição de novembro/76, já apresentou a seus leitores a maravilhosa história das aparições da Virgem Santíssima àquele cacique indígena. Voltamos agora, no mês em que é celebrada a festa litúrgica da Padroeira da Venezuela, ao mesmo tema, embora sob nova focalização.

Desvelo maternal diante da rebeldia

O cacique Coromoto diante da nova aparição de Nossa Senhora, bradou: “Até quando hás de me perseguir?” No ano de 1652 o cacique dos índios Coromoto perambulava pelas montanhas da zona de Guanare, na Venezuela, quando uma formosíssima Senhora, sustentando em seus braços um radiante Menino, apareceu-lhe caminhando sobre as águas do rio daquela mesma denominação. A Mãe de Deus dirigiu-lhe a palavra na língua nativa dele, recomendando-lhe que fosse viver junto aos brancos para “poder receber água sobre a cabeça e assim poder ir ao Céu”.

Encantado pela milagrosa aparição, o cacique procurou os espanhóis que colonizavam aquela zona e mudou-se com toda sua tribo para morar no local indicado por eles. Ficou “encomendado” a um espanhol chamado Juan Sánchez, que recebeu o encargo de cuidar da tribo Coromoto e lhe ensinar as verdades da Fé católica.

No início tudo correu bem, pois ainda perduravam na alma do cacique Coromoto os efeitos da visão que tivera de Nossa Senhora. Vários índios foram batizados. Mas, para o cacique, logo veio a provação. Ele abandonou as lições de catecismo e começou a sentir saudades da vida desordenada que levara na selva. Não trabalhava, podia ir e vir a seu bel prazer, não precisava cumprir aqueles mandamentos aparentemente árduos que estabelecia a Religião católica. Ele cultuava seus deuses, quando e como bem entendia. Convertido à verdadeira Religião, devia dominar suas paixões, corrigir seu temperamento, acostumar-se ao trabalho metódico, assistir com regularidade aos atos de culto.

Em sua alma ia se formando uma tormenta instigada pelo demônio, que via escapar de seu domínio aquela alma que antes era sua escrava.

Na tarde do dia 8 de setembro de 1652, o cacique negou-se a assistir aos atos de devoção que Juan Sánchez preparara. Enfurecido, dirigiu-se ao seu bohio (choça), onde se encontrava sua mulher e a irmã desta, Isabel. Ao lado brincava um menino, filho de Isabel. Entrando de mau humor, foi recostar-se, já decidido a voltar à sua vida anterior, e arrastar com ele toda a tribo, que faria apostatar em massa.

Bondade materna vence dureza de coração

É neste momento de suprema revolta que Nossa Senhora aparece-lhe novamente, na porta de seu bohio, em meio a uma luz intensa. Qualquer pessoa, vendo a Mãe de Deus, extremamente linda, boa e maternal, tão disposta a perdoar, teria caído de joelhos e pedido perdão. Entretanto, não foi o que ocorreu com o indígena-cacique, pois o coração humano é capaz de durezas inimagináveis. Pensando que talvez Ela viesse queixar-se dele, o cacique Lhe diz: “Até quando hás de me perseguir? Podes voltar, pois não farei o que me mandas! Por ti deixei minhas terras e conveniências e aqui vim a trabalho!”

Horrorizada com a ingratidão e, ao mesmo tempo, admirada com a Mãe de Deus, a esposa do cacique chamou-lhe a atenção: “Não fales assim com a Bela Mulher, não tenhas mau coração!”

Tais palavras, contudo, enfureceram ainda mais o cacique, que decidiu então lançar uma flecha contra Nossa Senhora. Ao ir pegar seu arco diz: “Matando-te me deixarás!” Mas, neste momento de suprema rebeldia, Nossa Senhora demonstra seu carinho pelo filho revoltoso. Ela entra no bohio e coloca-se junto ao cacique, de tal modo que este não tinha sequer espaço para puxar o arco e disparar a flecha. Mesmo assim o cacique não se comoveu. Jogou arco e flecha no chão e lançou-se contra Nossa Senhora, tentando empurrá-La para fora do bohio. No momento de agarrar Nossa Senhora, Ela sorri e desaparece, deixando nas mãos do índio uma espécie de pedra ovalada, na qual está milagrosamente gravada a imagem da Mãe Deus sentada num trono, tendo o Divino Infante ao colo. É a relíquia que até hoje se venera na Basílica de Guanare, cidade à qual afluem peregrinos de todas as partes da Venezuela.

Na hora extrema, misericórdia sem limites

Depois de tentar em vão agarrar a visão da Mãe de Deus e do evanescimento desta, o cacique Coromoto percebeu em suas mãos a pedra ovalada, com um desenho da Rainha dos Céus e de Seu Divino Filho, que se vê acima

Nem mesmo essa visita de Nossa Senhora conseguiu apaziguar os maus instintos do cacique, que desejava voltar à sua vida selvagem e estava empedernido, ou seja, como uma pedra, nesta resolução. Assim é, por vezes, o coração humano: duro como pedra, impedindo a entrada da graça divina, que o salvaria! Mas… se tão empedernido estava o índio, ainda mais decidida era Nossa Senhora em sua misericórdia!

No dia seguinte ao da aparição, o cacique reuniu os membros de sua tribo e partiu com eles de volta aos montes. Não só abandonou a Fé católica, mas obrigou aos que dele dependiam a fazer o mesmo.

Pouco tempo haviam caminhado de regresso à selva, quando uma cobra muito venenosa picou o cacique Coromoto. Percebendo que morreria em pouco tempo e reconhecendo neste fato um castigo do Céu, por sua péssima conduta em face da Rainha dos Anjos e dos homens, o silvícola começou a arrepender-se. Rogou aos gritos o Batismo, pois sabia que sem “receber água na cabeça” não iria para o Céu, como lhe dissera a “Bela Mulher”. Mas, como conseguir quem o batizasse dentro de 15 a 20 minutos, naquela zona até hoje despovoada? Sua sorte eterna parecia selada! Rejeitou a misericórdia materna quando a tinha à mão! E agora…

Seria não conhecer a misericórdia de tal Mãe imaginar que, tendo Ela se empenhado tanto por uma alma tão ingrata, fosse agora abandoná-la por ressentimento… Pelo contrário, veio Ela em socorro do arrependido, e dispôs que, naquele momento, passasse pelo local um católico da cidade de Barinas. Este ministrou o Batismo, pois em caso de morte ou extrema necessidade qualquer pessoa pode ser ministro desse sacramento.

Nossa Senhora‚ Rainha e Mãe, havia disposto para que tudo corresse segundo a sua incomensurável misericórdia. E para o tão favorecido índio Coromoto melhor não poderia ser, pois é sabido que o Batismo apaga todos os pecados da vida passada. Assim faleceu ele, arrependido e ordenando aos membros de sua tribo que voltassem para junto dos brancos, a fim de conservar a verdadeira Fé católica. Morreu, e foi contemplar eternamente Aquela que o quis salvar apesar de inauditas recusas e ingratidões.

Basta esse exemplo para se compreender a aliança harmônica, na mesma pessoa, dessas duas virtudes que parecem antagônicas: majestade e misericórdia.

Fonte de referência:
Hermano Nectario Maria, Historia de Nossa Senhora de Coromoto, Ediciones de la Presidencia de la República, OCI, Caracas, 1996.
Hermano Nectario Maria, Venezuela Marina, Imprimerie de la Seine, Montreuil, 1930.
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