Nossa Senhora das Maravilhas (Madri)

Nossa Senhora das Maravilhas com os Santos Justo e Pastor

A história dessa milagrosa imagem é verdadeiramente extraordinária. Ela estava ameaçada de destruição em um pequeno povoado vizinho a Salamanca, ignorando-se completamente como lá havia chegado. E hoje é uma das mais formosas que se veneram na Espanha.

No final do século XVI, tal imagem contudo estava tão maltratada, com o rosto tão desfigurado, que o Juiz Eclesiástico ordenou fosse enterrada.

Quando sua disposição estava para ser cumprida, o tumulto que se formou no pórtico da igreja, onde ela se encontrava, assemelhava-se a um enxame de abelhas dispostas a abandonar sua colméia.

Eram os fiéis que, acostumados a rezar diante daquela imagem deteriorada, viam desaparecer, com dor, o sagrado objeto por tanto tempo cultuado.

Em vão o pároco do lugar tentou cumprir a ordem do Juiz Eclesiástico. Entre os que se lhe opunham com prantos e brados destacava-se João González e, muito particularmente, sua esposa, os quais pediam que a imagem lhes fosse entregue.

A solicitação foi-lhes recusada. Contudo, tantas e tão intensas foram as instâncias daquela mulher que, ao cabo de vinte e seis anos de perseverantes esforços, conseguiu ela que a autoridade eclesiástica satisfizesse seu desejo.

E assim, com o coração palpitante de alegria e com respeitoso amor por haver salvo a imagem, levou aquele inestimável tesouro até sua casa. Graças, pois, à sua piedosa devoção, evitou-se o desaparecimento da imagem, sem que se saiba ao certo por que, durante tanto tempo, ficou sem cumprimento a ordem do Juiz.

Em Madri, os milagres se multiplicam

Depois de passar por grandes vicissitudes, foi a imagem vendida em Madri a Ana Maria del Carpio, esposa de um escultor. Este, a seus rogos, retocou a imagem, apesar do estado lastimável em que encontrava.

Segundo a tradição, antes de a imagem passar ao seu poder, Ana Maria, em sonhos, viu-a rogando-lhe que não lhe recusasse um albergue em sua casa, porque assim convinha que fosse servida.

E abrindo-lhe as mãos, entre elas mostrava-lhe um Menino, que era seu Santíssimo Filho Jesus, a quem uma flor – a maravilha – servia de trono.

Três anos permaneceu a imagem na casa de Ana Maria. Os milagres que operou nesse período, porém, impeliram o Vigário Geral de Madri a intimar a esposa do escultor a depositá-la em algum convento ou igreja, para que recebesse o devido culto público e a veneração dos fiéis.

Obrigada a obedecer à determinação da autoridade, resolveu Ana Maria ceder sua imagem ao convento – hoje das Maravilhas – da Igreja de Santo Antão, o qual era ocupado por freiras carmelitas.

Cumprindo-se a ordem do Vigário Geral, no dia 1º de fevereiro de 1627 a imagem foi transladada, em uma carruagem, da casa de Ana Maria del Carpio para o convento.

E, durante o cortejo, todas as pessoas do povo observaram que uma pomba seguia ininterruptamente a carruagem até chegar à porta da igreja, quando pousou uns instantes sobre o teto do coche.

Depois, alçando vôo rapidamente, tão-logo a imagem entrou no templo, a ave dirigiu-se ato contínuo ao coro das freiras, deixando-se pegar por elas.

A imagem e a resistência anti-napoleônica

A sagrada imagem da Virgem, que se venera neste convento, não somente emprestou seu nome ao templo em que foi colocada – a Igreja das Maravilhas – como também ao bairro em que o convento está situado.

É digno de menção que, a partir de uma praça de guerra, localizada nas imediações do convento, a coragem do povo espanhol tenha se manifestado de modo tão heróico, pois ali, em 1808, se lançou o primeiro grito de resistência contra as hostes revolucionárias napoleônicas.

Brado que, ecoando intensamente por toda a nação, ao cabo de seis anos foi responsável pela expulsão do solo espanhol das tropas de José Bonaparte, usurpador do trono dos Reis Católicos. Brado que também devolveu o cetro a seu legítimo monarca que o havia herdado de seus ancestrais.

Os gloriosos lances históricos acima descritos fizeram com que os habitantes do bairro das Maravilhas, entusiasmados com a defesa heróica da Religião e da Pátria que levaram a efeito naquela ocasião, conduzissem a imagem de sua Padroeira em procissão de ação de graças, numa data muito significativa: 30 de julho de 1808, dia em que José Bonaparte teve que evacuar a capital espanhola – não tendo durado sua permanência em Madri mais que dez dias -, em conseqüência da batalha de Bailén.
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Fonte de referência:
Conde de Fabraquer, Historia. Tradiciones y Leyendas de Ias imágenes de Ia Virgen. aparecidas en Espana. tomo III, lmprenta y Litografia de D. Juan José Martínez, Madrid, 1861, pp. 325 a 350.

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